sábado, 24 de janeiro de 2015

O Syriza e o nosso cinismo

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Anda por aí uma tão insólita quanto unânime satisfação com a perspectiva da vitória do Syriza, um partido com raízes comunistas, maoistas e trotskistas, amanhã nas eleições na Grécia. Se para uns quantos isso se justifica porque acreditam genuinamente que a riqueza e a felicidade se criam por decreto, para a maioria trata-se afinal de um sado-maquiavélico anseio, que antevê tornar-se a previsível tragédia num pedagógico castigo que descredibilize os demagogos e desmascare definitivamente os extremistas que, como os jihadistas, anseiam destruir o sistema democrático e liberal. Nada mais errado e ingénuo pois eles brotarão sempre com novos nomes e fisionomias por entre as pedras. Pela solidariedade cristã que merecem os nossos sacrificados irmãos gregos, eu não pactuo com o entusiástico coro que vê a Grécia como o cordeiro a imolar para nossa salvação: acontece que em muitos aspectos da vida não é necessária a experiência para reconhecer os erros – principalmente aqueles que nos ameaçam com ferimentos irreversíveis. Que é o que nos prenunciam as agendas dos extremismos políticos, que nenhum povo merece experimentar, sejam venezuelanos, portugueses ou gregos. De resto receie-se o pior, pois a Grécia vem-se revelando a mais acabada prova da validade da Lei de Murphy: "Se alguma coisa puder correr mal, correrá mal."

7 comentários:

  1. Não entendo Pável, quer dizer que a Grécia é o Templo do Senhor?

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  2. Pois é, mas eu cá sou desses. Não lamento, e sou desses maus, sado-maquiavélicos, perversos, embora não creia que nem ingénuo nem enganado. Parece-me que o Syriza é um grande mal que vem por um grande bem, e mal contenho o entusiasmo ao pensar nas explicações do partido quando os Gregos, fora do euro, perguntassem porque é que tinham o inferno em vez do paraíso e dos amanhãs cantantes prometidos. O Syriza poderia então responder-lhes: «Pá, foram vocês que votaram!» E, ahh, as ecantadoras explicações, as demarcações aflitas, os deliciosos contorcionismos do PS, do Bloco e da Sic... Nunca me teria divertido tanto. 

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  3. O João Távoa tem aquela mania de culpar os outros, à la Ana Gomes com os marginalizados terroristas/extremistas, pelo que os gregos decidirem. Tá bem tá...
    Os gajos votam e eu não tenho nada com isso. Nem influo. É lá com eles. Depois vê-se. Querem assim? Que se há-de fazer?
    E, sim, também acho que será uma lição tudo o que lá acontecer, bem ou mal, seja o que for.
    Mesmo lembrando que, sim, indirecta e remotamente, eu, nós pagamos por isso comprar dívida, etc.).
    Mas, no fundo, nada podemos mudar. Eles "Podemos"? Que se "Phodem".

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  4. Sim, pois, nós sabemos que o boicote é coisa nunca vista neste mundo como arma de destruição política de governos adversários. 

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