sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Papa e a liberdade de expressão



Parece-me absoluta má-fé a interpretação das palavras do Papa sobre o bom senso no uso da liberdade de expressão como aprovação da violência. Só o fanatismo ateísta permite tirar tal sentido. Por menos politicamente correcto que seja nestes dias afirmar que a violência atrai a violência, isso não deixa de ser verdade. A crítica de Francisco terá que ser interpretada no estrito âmbito da moral: num projecto que vise a santidade (no sentido da procura do Homem duma comunhão mais íntima com Deus) não se deve insultar, como não devemos bater, ou enganar. De resto aos Cristãos resta-lhes defender até ao limite das suas forças os valores fundadores da nossa civilização, a liberdade intrínseca de cada pessoa escolher as suas acções ou condutas, que consequentemente inclui a liberdade na injúria. Quanto ao mais, ofensas ou blasfémias, os cristãos estão habituados, aguentam bem. Ou não tivesse Jesus Cristo chegado à Glória na humilhação, pelo vilipêndio, pelo escarro e ao ser crucificado como um reles criminoso. 

3 comentários:

  1. Caro António: fala-se muito e depreciativamente  da História da Igreja (que teve altos e baixos, sem dúvida) quase sempre sobre pressupostos parciais ou desenquadrados das circunstâncias históricas. Como sempre prevaleceu a História criada pelos vencedores (o protestantismo), mas exige-se um aprofundamento da análise dos factos para uma leitura mais séria. 
    Cordeais cumprimentos, 

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  2. Só mais uma nota, António: tenho para mim que quem terá "evoluído no tempo" não terá sido o cristianismo, mas a sociedade em geral que foi progressivamente compreendendo e aderindo à Mensagem. Houve sempre quem a entendesse muito bem e disso tenha dado provas ao mundo: foram os Santos.
    Abraço!

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  3. João Távora,
    Bom senso na utilização da liberdade de expressão, sem dúvida. Afinal, tal como bom senso em tudo na vida, porque advogar a falta de senso não faz sentido.
    Mas, quando alguns respondem a tiro ao exercício da liberdade de expressão por parte de outros, o bom senso leva a duas conclusões opostas: 
    1. Para evitar colocar em risco a nossa própria integridade física, o melhor é moderar o que dizemos e não dizer coisa alguma que um qualquer cretino possa não gostar;
    2. Se não queremos





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