Luciano Amaral esteve há uns dias no Instituto Amaro da Costa, a apresentar o seu mais recente livro Rica Vida - Crise e Salvação em 10 Momentos da História de Portugal “escrito para ser lido de forma agradável por leitor exigente”. O professor, historiador e cronista acredita que a crise da dívida que atravessamos é mais uma de várias “Crises Existenciais”, fenómeno exibe um curioso padrão de espaçamento temporal de 200 em 200 anos na nossa desgraçada História. Pegando nas palavras de Eduardo Lourenço tratar-se-á afinal de uma propensão endémica de “viver acima das usas possibilidades”, ou seja à custa do Império, dos restos do Império, das remessas dos emigrantes ou dos fundos europeus? Rica Vida - Crise e Salvação em 10 Momentos da História de Portugal conduz-nos, a começar no "faroeste mediaval" da fundação pátria, a uma revisitação dos lugares da nossa já longa História em que nos afundámos nessas “crises existenciais”, segundo o autor no sentido de uma reflexão que nos permita melhor entender o impasse do presente: “a melhor maneira de compreendermos a situação a que chegamos no contexto do Euro é colocá-la sob perspectiva histórica”, referiu. Mas, concluo eu, esta terra ainda vai cumprir o seu ideal: Portugal é no final de contas uma Nação resiliente, qual gato de sete foles. Perplexidades de monta que são razões de sobra para a leitura deste livro publicado no passado mês de Outubro pela D. Quixote.
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Não conte com essa. Chegámos a uma nova geração de vencidos da vida, sem império e sem Eça. Os males da Pátria são tão sabidos que nem merecem que se perca tempo a analisá-los. O problema é outro: sair do buraco centenário. Nem é um buraco, é um poço e bem fundo.. E se quer que lhe diga não vejo como. Claro, há a guerra entre os partidos da rotação, mas isso é a espuma dos dias. O mal é mais fundo, é de sociedade, da maneira de pensar e de agir, do relacionamento individual com o estado e com o seu semelhante. Arrepia ler Eça e ver que é só mudar o nome e o problema conjuntural, a que se junta o seguidismo, a falta de coragem, a fanfarronice, a mania de construir ilusões e toma-las pela realidade. É verdade, esta crise é parecida com de 1891. era culpa do constitucionalismo monárquico, do clero, fosse lá do que fosse. Com pombal foram os jesuítas. E nada, um fracasso atrás de outro fracasso. Tentaram tudo, vintismo, cartismo, jacobinismo republicano, estado novo, zero. Esperemos que não seja o pior mas os dados que há apontam mesmo para a pobreza, o apodrecer ao sol de que fala Pulido Valente. O melhor mesmo é fazer como o outro da cidade e as serras, voltar à aldeia, de chinelos, e ficar por lá que hoje até há internet.
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