quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A blasfémia é a outra face do sagrado

(...) A perda de sentido religioso da Europa actual, que choca com o fanatismo de alguns muçulmanos europeus, leva a que as caricaturas sejam vistas de forma muito diferente por "nós" e por "eles". Para "eles", que não permitem a representação de Alá e Maomé excepto pela palavra, as caricaturas são uma ofensa grave. Para "nós", que há dois mil anos representamos Deus sob os traços de um criminoso condenado à morte, são um mal menor.
É uma diferença da qual devemos estar conscientes, sem nunca hipotecar a liberdade de expressão à liberdade religiosa. Se hoje todos os crentes são obrigados a tolerar um certo desrespeito pelos símbolos da religião, isso deve-se a uma consciência mais viva da liberdade por parte dos não crentes. Ainda bem. Trata-se de uma conquista civilizacional e de um fundamento da democracia. E quem não compreende isto merece a liberdade de rezar a Alá ou de tweetar idiotices, mas não a nossa compreensão.


 


A ler Pedro Picoito na integra aqui

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