Este braço de ferro que alastra por diversos países da Europa entre os governos e os grupos de média contra o gigante Google a quem se exige pagamentos pela indexação de notícias parece algo caricato. Veja-se o que aconteceu aqui ao lado nas terras de nuestros hermanos: o governo de Rajoy, pressionado pela Associação de Editores de Jornais Espanhóis criou um pagamento conhecido por ‘taxa Google’ em que por cada conteúdo partilhado no Google News, mesmo que seja só o título da notícia, o gigante da informática teria que pagar à fonte. Como consequência, o fim do serviço foi anunciado pela Google espanhola, o que prenuncia incalculáveis prejuízos para os jornais do país vizinho, já que este do agregador de notícias constitui de longe o mais eficiente gerador de tráfego, que é aquilo que os meios necessitam para viver.
Mas será que a prolongada crise de adaptação da imprensa às novas tecnologias terá que ser paga através de impostos? Repare-se nas movimentações dos burocratas de Bruxelas como Carlos Zorrinho (pessoa tão experimentada na vida empresarial e na criação de riqueza) a reclamar o retalhe do gigante americano em várias empresas ou na promoção de um motor de busca europeu que os consumidores não pediram.
A questão não estará antes em perceber o porquê da Europa se ter deixado ultrapassar em tantos sectores da economia e agir na raiz do problema? Porquê esta sede de intervencionismo no lugar da regulação? Porque não deixar o mercado funcionar, a receita responsável afinal pelo nascimento e crescimento do gigante mundial Google?
Publicado originalmente aqui.
O pagamento a uma empresa de comunicação por utilizar conteúdos que ela criou não é um imposto.
ResponderEliminarDeixar os mercados funcionar depois de deixar o Google chegar a uma situação de monopólio é um pouco estranho.
Sem questionar a justeza das ideias veiculadas, saliento apenas que empresas como a Google só podem fazer os biliões que fazem graças ao proteccionismo garantidos pelos estados sobre as suas patentes. Ou seja nunca estamos verdadeiramente perante puros mercados, que na verdade é coisa que não existe. O que se debate é sempre o grau de impureza.
ResponderEliminarE eu diria que no campo das ideias (invenções, inovação) sempre foi do chavascal que nasceu o progresso.
O Google não tem um Monopólio. Os vários concorrentes é que não conseguem chegar-lhe aos joelhos. O problema é que funciona mesmo bem (investigação e inovação) e os consumidores gostam.
ResponderEliminarQuanto aos conteúdos indexados, só podem ser lidos nas respectivas páginas dos meios. Ganha toda a gente, a começar pelo consumidor.
Segundo tenho lido há alguns cépticos quanto à capacidade da Google continuar a inovar, há um decréscimo de proventos de busca de bens de consumo (da web para mobile e em favor da busca directa na Amazon), e o Facebook estará prestes a entrar no mercado da publicidade video em breve (rivalizando com o Youtube). Segundo alguns analistas 2015 vai ser complicado para a Google. Isso é o mercado a funcionar mas num nível que só interessa mesmo é aos investidores, suponho.
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