segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

150 Anos do Diário de Notícias


Na leitura de “As Vantagens do Pessimismo” do filosofo britânico Roger Scruton chamou-me a atenção a antiguidade da escola secundária High Wycombe Royal Grammar School, frequentada pelo autor, estabelecimento de ensino público (gratuito) fundado em 1542 em High Wycombe, Buckinghamshire.  A questão remete-me para o significado e importância da longevidade das instituições e só a título de exemplo, através de consulta rápida na Internet, descubro que a fundação Banco Barclays e a águia representada como seu logotipo ascende ao ano de 1690 e que a origem do reputado semanário londrino The Spectator remonta a 1711.
A resiliência de instituições, organismos e empresas reflecte muito sobre a comunidade de que emanam, e o facto é que em Portugal é corriqueiro que se extingam e substituam a recomeçar zero numa vertigem parola como se não houvera ontem. Irónico como a bandeira do nosso País de quase 900 anos de história tem pouco mais de 100 anos e que, por exemplo, a nossa rádio nacional hoje “Antena um” já tenha mudado de nome e de imagem vezes sem conta desde a sua criação como Emissora Nacional em 1935.
Tudo isto vem a propósito não das consequências da crise do BES, mas dos 150 anos que o Diário de Notícias completa hoje dia 29 de Dezembro e que, a par com o jornal Açoriano Oriental (1835) e o semanário Aurora do Lima (1855), são os últimos títulos centenários resistentes. Admirador confesso da marca que me habituei a conviver de tenra idade em casa dos meus avós, tenho a confessar que por estes dias já só leio o DN aos Domingos, muito por causa das finas e humoradas crónicas de Alberto Gonçalves. Muito pouco para um jornal com tanta história, cujos dados mais recentes apontam para um acelerado declínio de vendas, apesar das diversas restruturações e operações de cosmética efectuadas nos últimos anos.
Tenho para mim que uma marca antiga e com tanta história como a que ostenta o Diário de Notícias possui, só por isso e apesar da crise, uma incalculável vantagem competitiva no mercado da comunicação social. A não ser que dentro daquelas paredes se não tenha sabido preservar e transmitir o capital de saber acumulado que deveriam conferir 150 anos de experiência. E que os seus actuais gestores não saibam merecer esse legado: o Diário de Notícias não é uma marca qualquer. 


 


Texto adaptado, publicado originalmente aqui

2 comentários:

  1. E gozando da fama de terem sido ao longo do tempo a voz do dono, o marmanjo de plantão ali para a Estrela, fosse ele qual fosse que o palato não é esquisito. Este é de certeza um dos fundamentos da sua perenidade.

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  2. Perfeitamente de acordo quanto à capacidade de devorar instituições que uma boa mão cheia de modernaços tem e que é transversal ao espectro partidário nacional. Estou a lembrar-me do Instituto de Odivelas, que por péssimas razões querem destruir. Será que é possível parar este crime? Eu tenho a certeza que sim, mas outros valore$ se levantam... e isto é o que dizem as más línguas, claro. A desculpa de mau pagador, isto é, a oficial? Essa é uma desculpa de contornos marxistas, na sua vertente feminista. Vindo de quem veio, é absolutamente cínico.

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