A recente polémica a respeito dos brasões dos Jardins da Praça do Império que já irreconhecíveis há muitos anos se deterioravam, releva-nos essencialmente para a indiferença generalizada de todos nós quanto à preservação do património. A atitude de Sá Fernandes nesta história toda é apenas um símbolo, espelho da nossa incapacidade de proteger e amar o que é nosso, alienados perante o déspota que decide o que é importante e o que não é importante preservar do legado que não fazemos por merecer. Facilmente manipuláveis, embevecemo-nos com eventos culturais, piqueniques de publicidade e festivais populares ou de vanguarda, periodicamente mimoseados pelo magnânimo edil, enquanto a cidade rendida à sujidade, ao abandono e à especulação imobiliária, acata um triste destino. Ora acontece que um Povo decente e civilizado, organizado e militante em associações cívicas, há muito que devia ter sido capaz da pressão necessária a pôr cobro à bandalheira já tida por natural. Mas como é uso e tradição firme nesta terra de ninguém, cada um se conformará por tratar da sua vidinha, entre a indiferença e um desabafo indignado nas redes sociais.
PS - Sobre este tema, o Nuno Castelo Branco vem prestando importante serviço público no blog Estado Sentido.
A respeito da conservação de monumentos, há cerca de 15 dias no Buçaco, ao verem o capim junto ao obelisco comemorativo da batalha, ouvi a dois emigrantes na Alemanha, já homens feitos: "é para isto que manda-mos dinheiro para cá...".
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