quinta-feira, 26 de julho de 2012

A bloguização dos Media

Nem a proletarização das redacções, nem o tempo de férias, nem a histriónica bloguização do noticiário político nas TVs justificam que durante quarenta e oito horas, boa parte da Comunicação Social, com a SIC à cabeça, tenha vivido agarrada a uma frase bombástica de Passos Coelho, não pela sua substância mas pela utilização de um plebeísmo, afinal tão vulgar e bem aceite entre os camaradas da revolução dos cravos e pelas "elites" da esquerda, pá! Sintomáticas me pareceram as quarenta e oito horas que a oposição socialista, pela voz de Zorrinho, demorou a apanhar boleia do coro da SIC com alguns blogues e "fecebooks".
A frase do primeiro-ministro "Se algum dia tiver de perder umas eleições para salvar o País, que se lixem as eleições. O que interessa é Portugal" reflecte uma legítima preocupação de uma parte dos portugueses que têm consciência de como o clientelismo e a demagogia eleitoralista dos partidos conduziram, de promessa em promessa, de concessão em concessão, o país ao abismo da bancarrota.
De facto nunca foi tão pertinente como nestes dias, a máxima do Nobel da literaturade Anatole France “Não há governo popular, governar é criar descontentes”. Não estou nada certo de que o primeiro-ministro tenha a noção profunda deste paradigma, mas tenho a certeza de que a matéria que urge  utilizar para as manchetes e ser debatida com bons especialistas nos Media são assuntos difíceis, como as máfias e os lóbis que sequestram o Estado e a política, o próprio sistema que tarda a reformar-se, o desmantelamento do sedento monstro que sufoca a economia e a iniciativa privada, ou a Justiça inoperante que apenas serve os mais poderosos. Aquilo em que uma "comunicação social responsável" se devia empenhar era no confronto dos governantes com as promessas que tardam cumprir e com as quais sustentavam uma suposta diferenciação de políticas com os seus antecessores.


O jornalismo, como a governação, deveria ser tido como coisa séria, e a sua orientação entregue a gente erudita, íntegra e sem agendas ocultas. No caso dos Media exige-se redobrada responsabilidade porque estes detêm demasiado poder que não pode ser fiscalizado nem é sufragado. 

4 comentários:

  1. Será que sou só eu que acho aquela afirmação de PPC do mais básico populismo? Vejo uns a tecerem-lhe loas de estadista, outros a amaldiçoarem-no como anti-democrata. 
    Eu só vejo um tipo que diz o que um povo cansado dos políticos (ele próprio incluido) quer ouvir...

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  2. Se leu bem o que escrevi, não lhe custará acreditar que considero legítima a sua dúvida I rodrigues. Uma notícia não deve (não pode) ser construída com base num juízo de intenções. Para isso bastamos nós cá nos blogs. 

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  3. Meu caro João Távora
    Tudo o que diz compreendo, sinto e aplaudo. contudo, a cultura morreu e já não há "gente culta" - nem no poder, nem fora dele, muito menos na comunicação social - que estabeleça critérios, que cultive o gosto e, até que garanta o respeito elementar pela língua. Ora, quem nunca leu e quem não conhece o português, não pode pensar. As universidades estão cheias de catedráticos que mal sabem assinar o nome. Não é de estranhar, pois, que os mendigos-jornalistas pensem de outra forma que não a de insectos.

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  4. Hoje como ontem muita há gente boa e de bem. Acontece que evitam o esterco, protegem-se. É simples, caro Miguel.

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