As brigadas do políticamente corretcto
"A mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos". Foram estas as declarações do novo Cardeal português D. Manuel de Castro que, numa reacção pavloviana incendiou os ânimos das brigadas do politicamente correcto. De resto, hoje, até Ferreira Fernandes na sua coluna do Diário de Notícias (que sigo com gosto), "engalinhou-se", alinhando com esse ululante cacarejar de puritana indignação. Pela minha parte, fico de braços cruzados, mesmo sob o risco de ser irradiado para a invisibilidade da "frente russa”. Mas também eu, se ficar pasmado a olhar para o dedo que aponta a lua, direi que a frase não foi feliz: sem que D. Manuel me tenha negado algum direito, como esforçado pai e padrasto de quatro crianças também me senti preterido. A diferença é que eu não ponho em causa a boa-fé nas declarações Cardeal, cujas palavras levadas à letra são pertinentes, um alerta para a esterilidade do ocidente decadente, rendido aos valores do niilismo e do pragmatismo capitalista. E para urgência duma Ecologia do Homem, que se deseja realizado em toda a sua dimensão.
Baixe lá o seu braço então, caro Ferreira Fernandes, que não perde amigos por isso, antes acentuará a sua inegável inteligência. E olhe que não é só o Bispo das Forças Armadas que tem “Dom” no tratamento.
A maioria do corpo discente nas faculdades é do sexo feminino, e claro que é tudo gente com a firme ambição de não ser mais que mãezinhas em casa a educar a filharada.
ResponderEliminarEngraçado é que volta e meia se noticia que, em Portugal, mulheres ministras, deputadas, em lugares de chefia, etc, são muito menos que nos países que nos emprestam o móni.
Só juízas é que há mais que muitas...
num primeiro momento fiquei sem perceber muito bem as palavras do novo Cardeal. depois, pensando um bocado, dei por mim a pensar que gosto de estar em casa, gosto de férias, gostava de poder não ter que trabalhar...
ResponderEliminaro que se passaria em Portugal se a propósito de uma troika qualquer se quisesse diminuir o tempo da licença de maternidade?
quem consegue discordar que a mãe é a melhor pessoa do mundo para educar o seu filho? quem lhe consegue negar tempo para respirar?
mesmo enquanto pai, chateia-me que uma mãe saia de casa antes do sol nascer e chegue depois da lua já ir alta... não me parece correto...
não sei quem é o senhor ferreira fernandes, não sei mesmo. mas tenho uma teoria:
é mais um dos que pensa como twitta, ou seja, sempre e só com muito poucos caracteres. se tentarmos dialogar sobre o tema notamos que já está a olhar para uma terceira coisa enquanto comenta a segunda que entretanto (ou tão pouco!) se cansou de olhar... resumindo: será um vanguardista!
concordo com o joão távora. tenho ideia que falta que o discurso se estenda aos pais... talvez conseguisse entrar na cabeça da gente que não tem tempo para respirar de tanto ter que comentar.
parabéns joão por este post. dá um orgulho tremendo saber-me entre os que estão do seu lado no corta-fitas e... no resto que seja.
O curioso é que, quando convém, invocam-se exemplos escandinavos de redução de horário e de subsidiação forte para que as mães fiquem mais tempo em casa com os filhos.
ResponderEliminarMas as "boas práticas" só são boas quando postas a circular pela central de propaganda socialista.
Este foi o "escandalo" do dia.
Amanhã vão aparecer com outro escandalo.
A RTP noticiou que o cardeal tinha referido que a "educação dos filhos devia ser a ÚNICA função da mulher"... é o jornalismo nauseabundo costumeiro.