O problema dos portugueses não está na incapacidade de grandes feitos e gestos nobres, está na falta de feitos médios, por gente média. Para sermos mesmo grandes falta-nos massa crítica na intervenção média, na cidadania média, na iniciativa empresarial média. Não é só devido às "gerações de fome" que pesam no nosso ADN que em pleno século XXI Portugal se mantém endemicamente pobre. É também porque temos a mania das grandezas, contradição em que tropeçamos todos dias para nos rendermos à inércia da maledicência de café.
Um dia destes, numa reunião dum grupo político em que milito com alguns amigos, eu disse um lugar-comum ao qual deveríamos porventura dar mais atenção: para cumprirmos o nosso ideal não é obrigatório sermos todos Deputados, Ministros ou Secretários de Estado. O espaço intermédio de atuação é imenso. Assim como para (nos) salvarmos (d)a economia portuguesa, não podemos ser todos grandes empresários ou executivos de topo. O que falta ao português médio é deixar-se de lamúrias e meter mãos à obra, com coragem, arte e engenho. Porque uma crise é por natureza o fim de qualquer coisa e o início de uma nova, que por definição comporta sempre oportunidades inexploradas.
Texto reeditado.
Diz o ditado que no meio está a virtude, mas em Portugal somos 8 ou 80, tudo ou nada.
ResponderEliminarE essa massa crítica de que fala, o português médio, não faz para chegar ao topo, antes desdenha do topo para que este desça ao seu nível. E assim vai a nação...
Claro está, foi ignorado após essa intervenção, durante o tempo restante dessa mesma reunião, não é verdade.
ResponderEliminarOu então todos concordaram "que sim, está certo", mas rapidamente esqueceram.