quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Nós portugueses (1)



Os portugueses dizem à boca cheia que a culpa do seu atávico conformismo e da sua proverbial mediocridade é da inveja (dos outros), sentimento que pelos vistos (os outros) são especialmente atreitos. 
Ora, quanto mais ambicioso é um desempenho, maior será a “reacção” alheia (inveja) e essa coisa até poderá causar algum incómodo ou inquietação.
É assim que, como profilaxia ao conflito, o português prefere então não fazer nada: é usual escutarmos lamentos dos derrotados, vítimas da inveja. O fenómeno, que  actua nos portugueses como se de uma praga se tratasse, amputa-lhes pela raiz a quaisquer resquícios criatividade ou ambição. O sentido de responsabilidade é a cedência final da vítima, vencida pelos envenenados olhares dos seus colegas,  adversários ou concorrentes.
Sendo "a inveja", como "o ódio" ou "o amor", um inevitável sentimento humano, transversal a todas as raças ou credos, pergunto-me afinal como agem os indivíduos de outros povos mais bem sucedidos, onde a iniciativa, o empreendedorismo ou a excelência são propósitos vulgares e por tantas vezes compensadores? Presumo que o que os distingue de nós é o pragmatismo e a coragem com que se empenham nos seus projectos, em contraste com a nossa proverbial pieguice e... o nosso medo, o mais perverso dos sentimentos. O medo é que nos tolhe: afinal somos é uma cambada de medricas.


 


Texto reeditado.


9 comentários:

  1. Esta posta não foi escrita ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico.

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  2. O nosso mal é que aqueles que sabem resolver os problemas estão demasiado ocupados a conduzir taxis, cortar cabelos ou participar nos fóruns da TSF...

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  3. O problema do português é que tem um pais pequeno, onde todos nos conhecemos e não é possível dar um tiro sem ferir um pé de um amigo... e ninguem gosta de ferir amigos. Assim só nos resta dar tiros para o ar... O teu texto é mais um exemplo disso mesmo.

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  4. Nós, portugueses

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  5. anónimo fleumático24 de agosto de 2011 às 20:53

    o remédio para isso será tomar o banho de são Bartolomeu do mar.

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  6. Também há mesquinhices e invejazinhas nos outros povos (nomeadamente aqueles pretensamente mais bem sucedidos, dentro dos quais, por acaso, até nasci, vivi e outros etcs até decidir ser tempo de ser portuguesa e... algo ainda inadapatada), o que se passa é que no meio do sucesso as coisas são muito bem dissimuladas e o impulso de fazer e querer sempre mais não deixa brechas por onde invejazinhas e mesquinhices se vejam tão bem.
    Enfim... quem é que é perfeito?

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  7. Vou dar um exemplo de uma profissão que há anos que tem sido objecto da mais pura inveja.
    Os magistrados.
    Como tudo, há os bons e os maus.
    Eles aplicam a lei que certos cidadãos dizem na sua função legisladora. Leis mal construídas como é unânime. Atiram-se a eles jornalistas, advogados, tiranetes da rua, boçais de ocasião, e...calados. Nos jornais aparece o nome deles, e eles calados. Uns aparecem na tv é verdade, mas na legitima função sindical (orgão de soberania...mas com uma carreira profissional...e é tudo muito bonito mas...há direitos que têm).
    E não é que durante 4 anos aturam o Marinho e Pinto, e durante 6 o Sócrates. Não me venham com a treta da lentidão, respondo-vos com o Vale e Azevedo, 12 vezes adiado, e na Inglaterra não se vê os jornais sérios a dizerem o juiz isto e aquilo. Respondo-vos com a Itália ou a Bélgica a marcarem julgamentos a 3 anos.

    Num país que ninguém é educado a cumprir a lei e não discutir, de invejazinha porque ganham com 7 anos de serviço 2300 euros líquidos, ...gabo-lhes a pachorra.

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  8. Gostei de ler um texto seu até ao fim, nesta minha incursão por este blog, onde agora venho pouco e que abandono à primeira consoante em falta.

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  9. Dos magistrados é difícil falar, porque se tem de dizer muito mal e, também, muito bem.
    E o mal dos magistrados é grave: vêem-se como altos funcionários (até se proveram de um sindicato!!!) e são juízes numa democracia, o que é coisa bem diferente. Aproveitaram a iliteracia política e confundem independência das decisões judiciais com autogestão do poder judicial, que não existe nas democracias avançadas.
    O problema essencial reside nisto.
    Depois, são dedicados, profissionais, etc? A grande maioria é-o. Tanto aqui como em Inglaterra, onde 85% das decisões judiciais é tomada pelos magister, que nem sequer são pagos...

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