terça-feira, 9 de agosto de 2011

A viabilidade duma Nação

 


A sobrevivência de qualquer comunidade, da mais circunscrita como a família, à mais alargada como o caso duma Nação depende, de entre outros factores, de uma cultura de serviço e altruísmo, ou noutra palavra, de “amor”. É sobre esta perspectiva que eu descreio profundamente na viabilidade duma Pátria sustentada em contas de mercearia, na disputa de interesses individuais ou corporativos, assente numa cultura de conflito permanente com a sua História, na desconstrução sistemática dos seus símbolos e tradições. Atingida a Idade do sacrossanto indivíduo, democratizado o hedonismo, o grande desafio da democracia, para a sua própria sobrevivência, é a restauração da mística desse “amor”, cimento último de qualquer tribo. Reduzidos por estes dias à figura de Consumidores, com existência circunscrita às estatísticas e sondagens, para toda a sorte de duvidosos interesses, tal metamorfose só será possível através duma inspiradora metapolítica que nos resgate uma causa comum, para voltarmos de novo a ser um Povo.


 


Texto reeditado


6 comentários:

  1. Temos de inspirar-nos no que se passa em terras de Sua Majestade...

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  2. Sugestão para causa comum: “vontade geral” que o cidadão aceita (e aos seus deveres e sacrifícios) em defesa da viabilidade da comunidade de cidadãos.

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  3. Aproveito o seu texto João, para relembrar que estamos no ano Europeu do voluntariado. Muitas tarefas importantes para o bem estar dos outros podem ser e são, efectivamente, executadas por voluntários. É uma forma de podermos contribuir para o bem de todos e sobretudo dos que mais precisam. Há voluntariados para todos os gostos, tipos de experiência, características pessoais tempo disponível. Além dos mais conhecidos, há imesas pequenas associações que sobrevivem sobretudo do trabalho voluntário. Para quem acha que não pode mudar nada, aqui fica a sugestão.

    http://www.bolsadovoluntariado.pt/ (http://www.bolsadovoluntariado.pt/)

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  4. Mais um pouco civilizado, recusa os números. 
    Mais um que é capaz de tecer loas ao Renascimento e ao mesmo tempo recusar os números da
    contas de merceeiro.
    Ou seja é mais um Aristocrata seja de Esquerda ou Direita tanto faz, apenas quer dizer que espera que outros as paguem.


    Quando alguém despreza contas de merceeiro cuidado com a carteira.

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  5. Caro João Távora, goste-se ou não, foram as contas de merceeiro, que salvaram o país da bancarrota no início da ditadura militar. Quanto à democratização do hedonismo, (considero esta sua frase particularmente inspirada), as opções para terminar com ele não são muitas e todas elas têm preço, uma, será pura e simplesmente, o progressivo empobrecimento de toda a população em geral, que obrigará por necessidade imperiosa a escolhas que excluam tudo o que for supérfluo para a simples sobrevivência, isto levará a um profundo descontentamento e revolta que poderá terminar com violência urbana e talvez com revoluções. A outra teria que passar por uma tomada de consciência profunda dos agentes políticos, quanto à obrigatoriedade de começar a expurgar das mentes da população, os mais de sessenta anos de crescente apelo ao consumismo, que termina nos nossos tempos com a mensagem permanentemente martelada e avidamente acreditada,  de, você também pode ter tudo aquilo que desejar no campo material, ou seja as pessoas acreditam (porque assim foram convencidas) que o "eu quero o mundo e quero-o agora", está mesmo ao seu alcance, para alterar esta percepção perniciosamente errada, terá que começar algo de dimensão semelhante e de sinal contrário à espiral consumista,que consiga penetrar nas mentes da população e a convença, de que realmente o seu lugar ao sol, só será conquistado com muito trabalho e grande sacrifício, isto, além de ter a imediata oposição de todos os agentes económicos e financeiros, levará a um profundo descontentamento e revolta que poderá terminar com violência urbana e talvez com revoluções

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  6. Eu não retiro importância às contas de "mercearia". É como aquele que gaba de "ser honesto" no seu curriculum... trata-se de um atributo meramente pressuposto. 

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