quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A importância da razão de ser

O Benfica apresentou ontem no jogo com o Trabzonspor, pela primeira vez na sua história, uma equipa sem um único jogador português. O facto em si é de pouca monta face aos desafios que o País enfrenta, mas definitivamente constitui um terrível sinal dos tempos, além duma radical reviravolta no Clube, se tivermos em conta o extremo nacionalismo que ele ostentava orgulhosamente nos anos 70.
Sobre o tema da internacionalização das equipas e selecções, há dias o Daniel Oliveira opinava na sua coluna do jornal Record que a questão não o incomodava. A coisa percebe-se do ponto de vista do pensamento dominante, com raízes na interpretação da História sob a perspectiva da Luta de Classes numa dinâmica “internacionalista”… ou simplesmente “desconstrutiva”.
Indo ao fulcro da questão, pela parte que me toca, continuo a atribuir grande importância ao conceito de Nação, por estes dias uma maldição inflamada por um tarado Norueguês. Pela simples razão de que entendo o Homem como um Ser essencialmente gregário, e cuja civilidade emerge duma lógica fundada numa diversidade hierarquizada de associações interactivas, complementares e concorrentes. Como aqui defendi em tempos, considero como núcleo fundamental desta dinâmica a família alargada, que quando alicerçada em sólidos valores constitui o garante duma diversidade estética e cultural da sociedade: cada uma possuidora do seu legado de informação transgeracional, a família resulta num insubstituível microcosmos, plataforma insubstituível de mediação dos seus elementos com a Polis e com o Mundo, sem a qual os cidadãos se tornam mais vulneráveis, qual papel em branco fácil de ser preenchido e doutrinado por qualquer sinistro poder exógeno.
Com todos os seus defeitos, as diversas formas de organização comunitária das pessoas, constituem em si e entre si, pelos factores e carismas que os constituem, elementos que promovem a autodefesa, promoção e competitividade dos grupos. Não é por acaso que a Cidade, Vila ou Aldeia de origem é usualmente considerada com orgulho na apresentação das pessoas. Tal como uma família desfeita ou Nação desvirtuada dos seus valores, gentes e costumes, uma equipa de futebol sem referências da comunidade em que se insere está fragilizada, tornada um bando mercenário, numa lógica mercantil, sempre assim exposta à desagregação. A cor de uma camisola, ou duma bandeira sem consubstanciação numa determinada (definida) cultura ou carisma, é definitivamente fraca inspiração para a superação dos indivíduos, logo do grupo e dos seus apoiantes, tornados órfãos da sua razão de ser. Estas fragilidades, parece-me, influenciam a decadência das Nações. 

2 comentários:

  1. Que se lixe o pontapé na bola5 de agosto de 2011 às 09:51

    Eu já andava meio afastado do mundo do futebol, mas o que se passou este ano em matéria de transferências de jogadores leva-me a um afastamento radical e definitivo. Tudo isso enoja e repele, e tanta negociata escura em tempo de crise que a todos toca, então, é o cúmulo.

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  2. http://inimigo.publico.pt/Noticia/Detail/1506221 (http://inimigo.publico.pt/Noticia/Detail/1506221)

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