Ao fim de um ano de balbúrdia de máquinas, camiões e buldózeres, encontram-se finalmente em fase de acabamentos os trabalhos de remodelação da estação de comboios de S. João do Estoril, obra megalómana que hoje oculta sob grades, estruturas de aço, pladur e muretes forrados a azulejos sintéticos, o modesto mas elegante edifício que tão bem servia a gare desde o início do século 20. Também aqui nas minhas redondezas prosseguem dezenas de pequenas obras de escavação e acomodação de uns sofisticados e graciosos ecopontos. Já vi algum deste magnifico equipamento operacional: é definitivamente um luxo para o lixo.
Entrecruzado o país das mais modernas autoestradas, temos bombas de gasolina verdadeiramente ostentosas, shoppings, estádios, bancos e farmácias sempre remodelados, com o equipamento e tecnologias da última moda. Desgraçadamente, tal como as vilas e aldeias bárbaras de colmo e argila crua que se implantaram sobre as ruinas do Império Romano, a maior parte destes equipamentos não perdurarão mais de uma geração nem deles se fará História.
Portugal lembra-me o “menino queque” que na escola se pavoneava artilhado com os assessórios mais requintados e marcas mais dispendiosas, dos quais nunca tirará partido… porque não passa dum um reles madraço.
domingo, 14 de agosto de 2011
A herança da adolescentocracia
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Ao mesmo tempo que temos estas obras de luxo deixamos muitos edifícios, de grande interesse, a cair. A semana passada visitei o Observatório Astronómico de Lisboa, que celebra agora os 150 anos, e é uma pena ver este belo edifício e o jardim em redor inaugurados no tempo do rei D. Luis I, no estado em que estão.
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ResponderEliminarSim, é uma vergonha desgraçada o estado do Observatório. Visitei-o há dois anos ou mais, e certamente nada mudiu desde então.Perante um caso desses, até pela importânciacientífica que teve, só nos resta desesperar. Nem pelo telescópio se encontra uma explicação ou solução para tamanho descaso e incúria.
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