Acontece que estes modernos tempos de igualitária república "democratizaram" uma casta de gente mesmo “importante”, que se reproduz como coelhos de aviário, com supostas e ocultas ligações ao poder. Há momentos testemunhei aqui na rua aquela cena clássica que já todos um dia testemunhámos, em que um palerma enfarpelado, junto ao seu carro topo de gama mal estacionado, intimida um jovem polícia com um “você sabe com quem está a falar?!”.
Presumo que esta vulgar fórmula bem portuguesa da intimidação, atravessando os tempos até aos nossos dias, tenha origem no advento dos celebres “cidadãos limpos”, do devorismo liberal, cuja cartola, casaca e polainas não chegavam para os distinguir na sua intrínseca incorruptibilidade e inopinado poderio social.
Pela minha parte, que iniciei a minha vida profissional na hotelaria, mundo em que experimentei quase todos os papéis quase sempre em contacto com público, confesso que ainda hoje me revolta visceralmente este “guião” de profunda arrogância com que se identifica um tuga endinheirado… quase sempre um pobre diabo, afinal. Se não perante a lei, certamente perante Deus.
Caro João:
ResponderEliminarBravo!
Quando alguém faz essa pergunta, fica imediatamente identificado, pois encaro essa pergunta como mera pergunta retórica e, como tal, a criatura é identificada como lixo.
ResponderEliminarO que o polícia devia ter feito, era dizer "Tem toda a razão, é favor identificar-se para proceder à identificação, para saber que identificar como autor do crime de coacção sobre funcionário"!
ResponderEliminarÉ uma gente asquerosa, mas a espécie é mundial. Faz marte da (má) natureza humana, não é criação nacional.
ResponderEliminarPortanto, isso nasceu com a república, é? Curioso
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ResponderEliminarÉ realmente deplorável.
Um tal Valentim Loureiro, deixou escola, é uma conclusão lógica.
Há cerca de 22 anos, ainda podíamos estacionar o carro na Gulbenkian. Ia assistir a um espectáculo e caía uma chuva miudinha. Encontrei um lugar e lá deixei a viatura. Aproximando-me da porta de entrada do edifício, fui surpreendido por um fulano que corria em minha direcção e aos berros me dizia "vá já tirar o seu carro dali, vá já tirar o seu carro dali". Fiquei danado pela grosseria e com maus modos perguntei-lhe porquê:
ResponderEliminar- "Vem aí o carro oficial do sr. p.m.!" (berros)
- "Ah vem? Pois que venha! O lugar estava vago e eu cheguei primeiro. Ele que coloque o carro onde quiser e aliás, nem sequer devia usar uma viatura do Estado para passear e ver espectáculos!" (berros)
Nesse momento, o fulanóide que ainda "anda por aí", saiu do Mercedes e apercebendo-se da escandaleira (estava imensa gente a assistir à coisa), disse qualquer coisa ao criado de serviço e o carro lá partiu, mas não antes de advertir em alto e bom som:
- "Fique sabendo se algo acontecer ao meu carro, mando a conta para S. Bento!"
Em conformidade, arranjei logo umas testemunhas, todas satisfeitíssimas, claro.
É sempre um pungente acto de exibicionismo. Só existem mesmo nestas cenas patéticas. Basta dizer-lhes que sim, perfeitamente, sabemos que são sobrinhos do Dr Cavaco Silva e vão-se logo embora
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