O problema dos portugueses não está na incapacidade de grandes feitos e gestos nobres, está na falta de feitos médios, por gente média. Para sermos mesmo grandes falta-nos massa crítica na intervenção média, na cidadania média, na iniciativa empresarial média. Não é só devido às "gerações de fome" que pesam no nosso ADN que em pleno século XXI Portugal se mantém endemicamente pobre. É também porque temos a mania das grandezas, contradição em que tropeçamos todos dias para nos rendermos à inércia da maledicência de café.
Um dia destes, numa reunião dum grupo político em que milito com alguns amigos, eu disse um lugar-comum ao qual deveríamos porventura dar mais atenção: para cumprirmos o nosso ideal não é obrigatório sermos todos Deputados, Ministros ou Secretários de Estado. O espaço intermédio de atuação é imenso. Assim como para (nos) salvarmos (d)a economia portuguesa, não podemos ser todos grandes empresários ou executivos de topo. O que falta ao português médio é deixar-se de lamúrias e meter mãos à obra, com coragem, arte e engenho. Porque uma crise é por natureza o fim de qualquer coisa e o início de uma nova, que por definição comporta sempre oportunidades inexploradas.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Levantar a cabeça
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Caro amigo, concordo, desde a morte de el-Rei D. João II ficamos na mão de gente sem capacidade, um Manuel I inseguro que fez tudo para ser recordado na história e acabou por expulsar a força anímica do país; um D. Sebastião levado no canto da sereia de África e da Cruzada; um D. João V e D. José que gastaram mais do que deviam e podiam, o resto foi mau de mais.
ResponderEliminarFaltou-nos a burguesia industrial e mercantil, faltou-nos a burocracia honesta e integra (as ordenações até previam a corrupção como forma de pagamento da A.P.).
Faltou-nos uma aristocracia empreendedora e capaz de abandonar as ideias tacanhas.
Faltou-nos uma vitória da Monarquia do Norte contra a República corrupta.
E falta-nos um povo diferente, daquele que temos, o qual desde a antiguidade não faz outra coisa se não explorar os outros: os lusitanos não eram mais que meros salteadores de estrada; os visigodos roubavam e pilhavam; exploramos a reconquista, exploramos os templários, exploramos a Índia, o Brasil e Angola; vivemos às custas da Europa e hoje tentamos viver às custas da Troika... mas ainda vamos ter que pagar a factura!
Faltou-nos mais homens como o Conde da Ericeira.
ResponderEliminarAvisada (e serena) reflexão.
Grande estadista, o terceiro conde da Ericeira. É injusto que a nossa memória colectiva o tenha olvidado: merece tanta homenagem como o marquês de Pombal.
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