"O ponto a que chegámos está a afectar a imagem do país, das empresas e a credibilidade do país cá fora. Portugal está a ser visto como um país de terceiro mundo. Como portuguesa, estou preocupada”, diz Estela Barbot, citada pelo site da Agência Financeira.
Acredite que sim.
ResponderEliminarAqui em Angola anda na boca do povo que "Portugal está mal, muito mal mesmo". Povo esse que ainda não tem água potável ou energia 24 horas por dia, portanto imagine-se a imagem que estamos a dar...
As televisões à vez, fazem gala em apresentar reportagens sobre a pobreza.
ResponderEliminarAcho uma pouca vergonha a maneira como são expostos aqueles que vivem com maiores dificuldades, as idas às lojas "solidárias", a comida que lhes é distribuída pelas organizações de caridade.
O despudor com que humilham famílias inteiras, crianças incluídas.
Não há ninguém que LHES explique que pobreza não tem nada a ver com falta de dignidade?
E, caro João, a notícia diz ainda, o que é da maior relevância, que "Estela Barbot, a única portuguesa conselheira do FMI, responsabiliza José Sócrates pela situação do país, pois “gastámos o que não tínhamos e vamos pagar esse preço”.
ResponderEliminarEu recomendaria alguma prudência neste tipo de posts, que tenho encontrado também em outros blogs.
ResponderEliminarA vergonha não está realmente na pobreza. Percebe-se esse mecanismo de pressão social, como forma de levar as pessoas a evitar cair na miséria ou a lutar para sair dela. Mas humilhar os pobres e os mendigos sem mais revela-se extremamente desumano.
Porque, como eu dizia, vergonha não é ser pobre. Vergonha é afundar-se na pobreza por culpa própria. Vergonha é não admitir que se está pobre e tudo fazer para dissimular esse facto. Vergonha é preferir ser mendigo profissional e encartado do que arregaçar as mangas e trabalhar.
Aliás, foi com o pretexto de que pedir ajuda é vergonhoso e de que não se podia pôr em causa a reputação do país, que se foi adiando aquilo que há muito tempo se sabia ser necessário e inevitável: o recurso ao auxílio internacional. O resultado foi termos agravado a nossa situação ao ponto do quase não retorno.
Vergonha não é ser pobre; vergonha é ser estúpido.