quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A esquerda raivosa


Na sua crónica de hoje no Público (peço desculpa, mas não tenho o link), Rui Tavares refere-se aos integrantes do 31 de Armada que colocaram a bandeira monárquica nos Paços do Concelho de Lisboa como uns "meninos-bem" a quem "na altura certa, os papás arranjam os melhores empregos". Além de extremamente confusa, a ponto de parecer que ele só queria justificar um título raivoso - "Monárquicos prestam vassalagem à República" -, a crónica revela bem a mentalidade de uma certa esquerda portuguesa (não toda, felizmente), cheia de ressentimentos sociais. Quem é que disse a Rui Tavares que se tratam de meninos-bem a quem os pais arranjam empregos? Conheço várias pessoas oriundas de famílias com nomes "sonantes" que trabalham muito mais e passam por dificuldades que seriam inimagináveis para vários "meninos-mal" que, esses sim, vivem à custa do trabalho dos pais ou até das suas posições políticas da esquerda enfeudada no actual sistema de poder existente em Portugal. O que talvez enraiveça Rui Tavares, e pessoas como ele, é que muitos desses "meninos-bem" (não todos, infelizmente), mesmo quando desempenham funções que não estariam à altura dos tais nomes "sonantes", são geralmente bem-educados e descomplexados, provando que é preciso saber ter dinheiro e poder e é preciso saber não ter. Talvez ele agora descubra isso no seu bem pago cargo no Parlamento Europeu. Que, aliás, conquistou com mérito e coragem.

11 comentários:

  1. Nem mais...
    a mania dos nomes e dos papás...as if...
    há muito esquerdalho por aí a mamar na teta da republica...
    à pala dos nomes dos papás e avós "fundadores" do 5 de outubro e do 25 de abril!

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  2. Eu gostei deste post.
    vai sendo tempo de se perderem os complexos de se revelar ser de direita ou de esquerda...
    E mais ainda acrescento:
    - É preferível ser e actuar com sendo de direita, do que, dizer-se que se é de esquerda e, actuar, desejar e ser de direita - à socapa.
    Neste país, desde o 25 de Abril, que o dizer-se que se é de esquerda, deu pão a ganhar a muita gente.

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  3. Não sei se é ressentimento social.
    Mas ouvir a direita falar de Mérito à boca cheia, enquanto é intransigente em tudo o que sejam politicas que permitiriam atenuar as desigualdades inerentes à hereditariedade do privilégio e da propriedade e a cristalização das classes, valorizando efectivamente o mérito individual e promovendo a mobilidade social...

    Digamos que chateia. Soa à falta de pior palavra, a hipocrisia.

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  4. Apesar de, por muitas e diversas vezes, ter-me sentido apontado e injustiçado, não pelo feitio, acto praticado ou palavras proferidas mas, tão somente, pelo facto de ter excesso de apelidos no meu BI, só estou de acordo com a última frase deste post .

    Com efeito, ao longo da minha vida aprendi bem a diferença entre educação e etiqueta. A última, é verdade, pode ser apanágio das famílias-bem " mas, sr . Duarte Calvão, não a confunda com a primeira. É que, esta, encontro-a transversalmente em todos os extractos sociais e, não raramente, mais patente entre aqueles que não têm o nome carregado de sonantes apelidos.

    Cumprimentos

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  5. Obrigado, Isabel (aparece mais vezes), Gaivota e editor69. Se não fosse o natural orgulho na ascendência, acho que muita gente trocaria o nome "bem" por um "papá" bem visto pela esquerda igualitária...

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  6. Não sei de que direita está a falar, l.rodrigues, mas certamente não pertenço a ela. Estou completamente de acordo, fcl, que a boa educação se encontra em todos os estratos sociais. E que em todos eles há quem a valorize e quem a julgue mera "etiqueta".

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  7. Não entendeu, não quis entender ou eu não me soube exprimir bem (opto pela última). O meu comentário pretendia separar "educação" de "etiqueta", noções que o Sr. Duarte Calvão me pareceu estar a confundir. E insiste em confundir, o que é pena...

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  8. Até parece que foram os meninos monárquicos/ de direita que tiveram direito às casas no Chiado aqui há uns anos. Infelizmente, a memória é curta...

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  9. Realmente não percebo o que o levou a depreender daquilo que escrevi que confundo boa educação com etiqueta, quando nem sequer abordei o assunto. Aliás, "etiqueta" é termo que não uso, mas sim "boas maneiras". E acho que elas têm também muita utilidade numa sociedade civilizada.

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  10. Ja' o Louça também tem a mania de usar desse não argumento, no entanto eh filho de um almirante da armada (que eh quase como se fosse de sangue azul) vivia ou vive na Duque de Loulé. Para quem esta' sempre a por-se do lado da pobreza....
    Sera' que ele alguma vez passou por reais dificuldades?
    Sera' que esta gente não se toca?

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