sábado, 31 de outubro de 2026

"O vício dos fundos europeus"

 Antes de entrar no assunto que aqui me traz, gostaria de fazer notar, a propósito do meu artigo que saiu hoje o Observador, que das coisas que mais me divertem é ver pessoas, como Susana Peralta, indignadas com a violência da polícia, demonstrada pela presença de cães e, depois, verificar que o único ferido por ataque de um cão é um polícia, que foi atacado pelo cão de um dos manifestantes.

Não sei o suficiente de economia para fazer uma recensão, ou mesmo uma crítica minimamente sustentada do livro de Nuno Palma "O vício dos fundos europeus", que acabei de ler.

O que sei é que grande parte do que li sobre o livro e os pontos de vista de Nuno Palma deve ter sido escrito por pessoas que não leram o livro, de tal forma lhe são atribuídas ideias que não estão no livro, ou que estão, mas de forma completamente diferente do descrito.

Mesmo para leigos, como eu, o livro lê-se bem (li-o mais lentamente que estou a ler agora o "Senhor Ministro", de Camilo Castelo Branco (uma "empada etnológica", classifica-o ele), mas a verdade é que acho Camilo o escritor mais divertido que conheço) e percebe-se bem.

Há coisas ali e aqui que não acho especialmente fundamentadas, são interpretações possíveis, mas aqui e ali eu não daria o passo que leva às conclusões a partir das mesmas premissas, mas de resto, a tese central do livro, parece-me bastante bem fundamentada e convincente.

Nuno Palma não discute, também discute, mas não tem isso como tese, a eficácia da política comunitária de coesão, o que discute como tese vai para além disso, vai para o seu efeito negativo, em especial em questões institucionais.

O que o preocupa, se li bem, nem é o dinheiro mal gasto, era melhor que não fosse, mas esse não é o maior problema, o grande problema é que, em algumas circunstâncias (é impressionante como o que se escreve sobre o livro esquece, frequentemente, a questão das circunstâncias institucionais), a abundância de dinheiro mascara os erros e más opções, contribuindo, quando não promovendo, o mau desenho institucional do processo de decisão em políticas públicas.

Não sei se Nuno Palma tem razão, faltam-me bases para ter certezas sobre isso, o que sei é que tem um argumento fundamentado e convincente sobre a política de coesão europeia e o mal que nos (a nós, portugueses) nos tem feito.

1 comentário:

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