Terminou o acampamento de Outono do Bloco de Esquerda e dos kéfiés, em Lisboa, após impecável intervenção da Polícia. A Polícia interveio com notável serenidade, pondo fim a diversos ilícitos, além do ruído e da sujidade, e levando as tendas que atravancavam e conspurcavam o Rossio.
Em admirável sintonia, equipas da CML intervieram logo a seguir, para retirarem o lixo, lavarem a praça do Rossio, e apagarem os cartazes e pinchazos diversos que vandalizavam a estátua. (A competência era tal que não me surpreenderia que tivessem espalhado desodorizante.)
Estiveram bem as forças policiais. Estiveram bem as equipas da CML. Estiveram o que são os bloquistas. Estiveram péssimos os jornalistas.
Títulos como um rodapé da cmtv, "Horror...", aquando do avanço das forças de intervenção rápida, não são apena contra-informação. São estúpidos, porque o mesmo canal estava a dar as imagens. O mesmo vale para muitos comentários ao vivo feitos nos restantes canais.
Longas entrevistas ao deputado Pureza - que suponho que devamos considerar representante dos manifestantes - são lamentáveis, mais quando não lhe é feita a pergunta evidente: "Defende, portanto, que os cidadãos devem desrespeitar ordens da Polícia?". E nenhum repórter se interessou em saber o que tinha a "Palestina" a ver com imóveis? E nenhum microfone os interrogou sobre por que razão queriam acabar com "o capital"?
"Relatos" como os ouvidos aos repórteres de todos esses canais deveriam envergonhar qualquer profissional. Fornecer tempo de antena a longos exercícios de imbecilidade por parte dos bloquistas e kéfiés (erros, mentiras puras, baixa propaganda) sem contraditório, sem uma dúvida, deveria envergonhar e confranger qualquer profissional, mesmo um principiante.
Continua péssimo hoje o jornalismo, oferecendo tempo de antena a gente que tem escassíssima representatividade, e cuja escassíssima representatividade se deve ao facto de as poucas propostas que avançam serem bem conhecidas e lamentadas.
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