Antes do escrito: Ana Sá Lopes tem hoje uma crónica delirante (o contrário é que seria de estranhar) no Público em que faz uma coisa habitual no jornalismo militante: pega na declaração de Montenegro de que não quer ser o pai da austeridade, que se refere, evidentemente, ao gasto público imprudente do governo de Sócrates, e diz que Montenegro está a chamar pai da austeridade a Passos Coelho. Logo que vi a declaração de Montenegro, apesar da sua interpretação ser linear e simples, disse para os meus botões que não tardaria a ser acusado de estar a chamar pai da austeridade a Passos Coelho. Delirantes, ainda vá, frequentemente até é divertido. Mas não podiam ser um bocadinho menos previsíveis?
Falemos então do genocídio em curso, levado a cabo pelos Israelitas para eliminar os palestinianos.
Comecemos num ponto arbitrário, o momento da fundação do Estado de Israel, em que haveria cerca de 630 mil judeus e 1,3 a 1,4 milhões de árabes a que poderemos chamar palestinianos (havia ainda uma minoria relevante de cristãos).
De acordo com os mais radicais defensores da ideia de genocídio em curso, desde esse momento que Israel vem executando um genocídio, que se traduz hoje na existência de cerca de 14 milhões de palestinianos em todo o mundo, incluindo os cerca de 1,7 milhões em Israel, três milhões e picos na Cisjordânia, dois milhões e picos na faixa de Gaza e três milhões e picos na Jordânia que anexou parte da Palestina histórica há uns anos largos).
Mas isto é contra a vontade de Israel, argumentar-se-á.
Talvez, mas dentro de Israel havia uns 150 mil palestinianos, depois da guerra da independência, e hoje são dez vezes mais e Israel reconhece-lhes todos os direitos cívicos e políticos.
A Faixa de Gaza foi administrada por Israel depois da guerra dos seis dias (nos trinta anos anteriores tinha sido administrada pelo Egipto), durante quase quarenta anos, até Israel retirar unilateralmente, entregando o governo da Faixa de Gaza a palestinianos.
Uma oportunidade de ouro para executar um genocídio como deve ser, visto que dentro das fronteiras de Israel o genocídio terá falhado: nestes quase oitenta anos a população árabe de origem palestiniana multiplicou-se por dez.
Pois bem, Israel ocupou uma Faixa de Gaza com cerca de 400 mil palestinianos e devolveu-a com cerca de 1,3 milhões de habitantes, um evidente fracasso do genocídio que multiplicou a população inicial por três, em vez de diminuir, como acontece num genocídio competente.
Argumentar-se-á que Israel mudou de ideias depois de tranquilamente suportar chuvas de projécteis lançados a partir de Gaza sobre os seus civis e ser atacado no seu território pelo Hamas, e agora é que está mesmo determinado a executar um genocídio.
Depois de dois anos de guerra, a população em Gaza terá diminuído uns 3%, sobretudo devido à migração dos que, tendo dupla nacionalidade, aproveitaram para procurar melhor vida fora daquele vespeiro, não parece um resultado à altura da maldade intrínseca de Israel, é certo, mas note-se que isto é só um começo.
Mesmo depois de um cessar fogo (que pressupõe o desarmamento do Hamas, pedido pela própria Autoridade Palestiniana, o Hamas não entregou nem uma fisga) Israel continua a matança: desde a assinatura do cessar fogo, o Hamas contabiliza umas cinco mortes diárias, em média, provocadas por Israel.
É a prova provada de que Israel prossegue um feroz genocídio, e nem o facto de nascerem 130 crianças todos os dias consegue compensar a morte diária de cinco combatentes do Hamas que Israel persegue na sua sede de genocídio.
O boneco acima, que sobrepõe a estrutura etária e por sexo da população de Gaza, com a estrutura etária e por sexo da mortalidade (sim, os dados são do Hamas) demonstra, de forma clara, para quem for cego, uma prática constante orientada para o genocídio.Como se pode ver, há um evidente desequilíbrio da estrutura etária e por sexo da mortalidade: as mulheres jovens morrem muito menos, tal como as verdadeiras crianças (neste caso, faixa etária até aos catorze anos), sejam homens ou mulheres.
Já as crianças a partir dos 15 anos, se forem do sexo masculino, morrem muito mais do que seria de esperar, apresentado um desequilíbrio especialmente relevante entre os 15 e os 50 anos, ou seja, a mortalidade afecta especialmente as faixas etárias e sexo dos combatentes, que incluem as crianças masculinas a partir dos 15 anos.
Que estranho genocídio está para ali em curso.

"1,3 a 1,4 milhões de árabes a que poderemos chamar palestinianos (havia ainda uma minoria relevante de cristãos)"
ResponderEliminarOs cristãos eram árabes tal e qual como os restantes.
Árabe é todo aquele cuja língua materna é um dos dialetos derivados do árabe clássico (a língua, já morta, na qual o Corão está escrito). Os árabes podem ter, e têm, diferentes religiões. Em Israel há judeus que se classificam a si mesmos, corretamente, como "judeus árabes".
Obrigado pela palestra. Na sua opinião, eu deveria ter escrito que havia 1,3 milhões de árabes, mais 630 mil árabes, mais uma forte minoria de árabes para ser mais rigoroso e mais claro, certo?
EliminarNa minha opinião deveria simplesmente ter escrito quantos árabes havia na totalidade, sem especificar de que religião eram.
EliminarAcontece, caro Anónimo, que naquela região, a religião determina tudo. Simplesmente, os árabes não muçulmanos, não são encarados como árabes pelos demais...
EliminarNa verdade Àrabe designa primariamente os originários da Arábia. O uso da palavra Àrabe só começou o seu uso moderno e a partir do Ocidente por via dos Orientalistas do Foreign Office que queriam acabar com o império Otomano. Isto ainda antes da I Guerra Mundial e depois se aproveitaram desta. Quando as tropas americanas ocuparam o Iraque ficaram surpreendidas pela quantidade de grafitis contra árabes, isto em cidades que para nós ocidentais são consideradas árabes como Bagdad.
EliminarÉ um conflito
ResponderEliminarEntre uma democracia e um grupo terrorista
HPS a fazer serviço público, sem ideologia ou preconceito
A Europa devia apoiar directamente Israel, com equipamento e meios humanos.
Há que escolher um lado
"A Europa devia apoiar directamente Israel, com equipamento e meios humanos."
Eliminar!!!
Israel não tem necessidade nem de uns, nem dos outros.
A Europa tem escassez tanto de uns como dos outros. E já está muito sobrecarregada com a guerra na Ucrânia.
Como é óbvio, é impossível nascerem 130 mil crianças todos os dias.
ResponderEliminarClaro, são 130, vou corrigir o disparate
EliminarQue trapalhada Henrique… Tenho pouco interesse na Ana Sá Lopes e no que ela pensa ou diz mas valha-o algum Deus!
ResponderEliminarEntão agora o genocídio só se dá se houver uma efectiva diminuição da população visada? É preciso um banho de sangue à Ruanda para satisfazer os seus exigentes critérios? O que marca o genocídio é a intenção de exterminar uma raça, credo ou etnia não a eficiência da mesma. Pode ser limitado em números e extraordinariamente cruel e brutal como foi Srebrenica…
Acho que basta ouvir o que quer que seja do fanfarrão do Ben Gvir para não ter dúvidas. O mesmo que apoiou e apoia publicamente o assassinato de Yitzhak Rabin enquanto era primeiro ministro. O mesmo que ameaçou publicamente retirar a cidadania aos realizadores israelitas que acabam de ganhar o Óscar com um documentário que expõe… o genocídio…
Estranha democracia aquela!
Fica a definição - https://diariodarepublica.pt/dr/lexionario/termo/crime-genocidio
A confusão é sua, o genocídio não é a intenção, é mesmo a destruição de um grupo (veja lá a definição "a prática de atos intencionais destinados à destruição, total ou parcial, de um grupo nacional, étnico, rácico ou religioso"). Ou seja, sim, é mesmo preciso que haja uma matança.
EliminarO argumento do Anónimo21 de setembro de 2026 às 15:16 sustenta a tese que são os Palestinianos estão a fazer um Genocídio dos Israelitas.
EliminarDesde os discursos do "Jordão ao Mediterrâneo" até á Carta do Hamas que diz que Israel deve ser destruído.
Ou os discursos em Àrabe da Fatah...
Vamos aos actos:
Os Palestinianos tentaram matar todos os Israelitas que conseguiram.
Os 20000 rockets voaram para qualquer cidade Israelita indiscriminadamente.
Já ao invés os Israelitas não mataram todos os Palestinianos que poderiam se o quisessem.
Por isso segundo a tese dos apoiantes dos Palestinianos há um Genócidio dos Palestinianos contra os Israelitas.
Bom - podemos ficar indefinidamente a tentar perceber o que cada um entende por isto ou aquilo ou perdidos em definições mas “a prática de atos intencionais destinados à destruição…” parece-me sem dúvidas que se refere a uma intenção. Raras vezes são admitidas por quaisquer líderes as intenções de matanças em contexto de guerra. Excepção se faça ao Ben Gvir e ao Smotrich que lá nisso são gente honesta… Anos mais tarde alguns, por descargo de consciência (e imagino que medo da danação eterna) cospem a verdade. O Robert McNamara fê-lo com especial sinceridade em relação à 2a Guerra Mundial e Vietnam no excelente documentário do Errol Morris - “The Fog of War”. Por acaso acho que também ganhou um Óscar. Mesmo com a confissão - coitado - lá deve estar a crepitar nalgum canto das profundezas tantos milhões de vidas inocentes ceifadas levou no saco
EliminarNão tenho especial interesse no que a Ana Sá Lopes escreve mas então agora o genocídio só se dá se houver uma diminuição da população visada? É preciso um banho de sangue à Ruanda para satisfazer os seus exigentes critérios?
ResponderEliminarO que marca o genocídio é a intenção de exterminar uma raça, credo ou etnia não a eficiência da mesma. Pode ser limitado em número de mortes e extraordinariamente cruel, brutal e condenável como foi Srebrenica.
Basta ouvir o que quer que seja do ministro da segurança nacional israelita Ben Gvir para restarem poucas dúvidas das intenções genocidas, não acha? Ele - o mesmo que apoiou e apoia publicamente o assassinato do Yitzhak Rabin enquanto era primeiro ministro. O mesmo que acaba de ameaçar publicamente retirar a cidadania aos realizadores israelitas que acabam de ganhar o Óscar com um documentário que expõe, pelos vistos claramente e com qualidade, o genocídio.
Estranha democracia que está para ali em curso!
Definição de Genocídio:
https://www.un.org/en/genocide-prevention/definition
"então agora o genocídio só se dá se houver uma diminuição da população visada?"
EliminarImpressionante você acabou mesmo de escrever que os Palestinianos estão a fazer um Genocídio dos Judeus pela sua bitola e você apoia?
Os nove filhos da medica Alaa al-Najjar, cujos corpos deram entrada na unidade de saúde onde a mãe estava a fazer um turno de urgência, eram bebés, crianças, adolescentes, jovens adultos? Eram combatentes?
ResponderEliminarDou-lhe uma pista que, com a sua peculiar procura de objectividade, decerto vai investigar: parece que mais velho tinha 12 anos.
Outra vez o mesmo comentário idiota a que já respondi no post anterior?
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