A Casa para Viver é uma plataforma que junta (ou juntava, que estas coisas são muito dinâmicas) as seguintes entidades:
Lisboa Invisível | PORTA A PORTA - Casa para Todos | Habita! Associação pelo direito à habitação e à cidade | Clube Estefânia | 1.º Esquerdo - Direito à habitação digna | Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social | Associação dos Inquilinos Lisbonenses | SOS Racismo | Casa do Brasil de Lisboa | Kosmicare | Taxem Casas Vazias | A Coletiva | Mulheres Negras Escurecidas | Luta pelo Socialismo | Coletivo Tektonika | Associação do Património e da População de Alfama | Djass- Associação de Afrodescendentes | Movimento Erradicar a Pobreza | Trabalhar com os 99% | Mirantense Futebol Clube | Climáximo | Tirem as mãos do Litoral Alentejano | ACP-Pi Associação de Combate à Precariedade - Precários Inflexíveis | Outro Modo, Cooperativa Cultural | ODET - Oficina de Democracia e Ecologia Tecnológicas | CIVITAS Braga | HabiRizoma | Movimento Morar em Lisboa | Vida Justa | Núcleo Feminista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa | Interjovem | Por Todas Nós - Movimento Feminista | HCAC A Casa Habitação colaborativa CRL | Associação Farol Andante | Rede Co-Habitar | Projecto Ruído - Associação Juvenil | Largo Residências |
Não fui verificar o que fazem e o que representam cada uma destas associações, com excepção das Mulheres Negras Escurecidas porque gostei do nome ("Pretendemos criar um “espaço” no qual as suas integrantes possam partilhar as suas experiências e vivências, como mulheres negras em Portugal. Temos o objetivo de desmistificar discursos, criar de proximidade e partilha de informações."), algumas conheço, como o SOS Racismo, outras não tenho interesse em conhecer.
Tanto quanto percebo, a principal actividade desta plataforma é promover manifestações, como a que terá havido no dia 18 de Outubro no largo de São Domingos, ao Rossio, a concentração frente ao Parlamento na véspera da aprovação do Orçamento de Estado, a 27 de Outubro, e a próxima será a 14 de Novembro, na Alameda Afonso Henriques.
As reivindicações para esta manifestação que vai haver a 14 de Novembro são variadas e partem de uma constatação: "A vida já está difícil. Com a nova lei da habitação que o governo quer aprovar (suponho que sejam as alterações ao regime de arrendamento), vai ficar muito pior".
"Despejos antes do tribunal decidir se são justos" (a mim parece-me bem, não vejo a utilidade de ter de ir a tribunal pôr na rua quem não cumpre o contrato que estabeleceu comigo).
"Vais para a rua se te atrasares três vezes num ano a pagar a renda - mesmo com salário em atraso" (a mim parece-me bem, o senhorio não é responsável pelo atraso no salário).
"Contratos cada vez mais curtos e precários" (a mim parece-me uma invenção, em qualquer caso, parece-me bem que haja liberdade contratual, se eu quiser alugar a minha casa por dois dias, devo pode fazê-lo e ter a certeza de que tenho a protecção da lei se um mané qualquer resolver que não sai, depois do contrato terminado).
"Cauções sem limite: arrendar pode custar tanto como a entrada de uma casa" (a mim faz-me confusão que se ache isto um problema, se assim é, pode sempre não se aceitar ou comprar uma casa, não percebo por que razão o senhorio não deve poder estabelecer a caução que entender).
"Rendas novas sem limites: preços a subir sem controlo" (a mim parece-me bem, o sistema de preços é um sistema de informação sobre o ponto de equilíbrio entre a procura e a oferta, e é bom que não tenha controlo, doutra forma dá informação errada a todos).
"Tratamento desumano: nem os mais velhos estão a salvo de ser expulsos de casa" (treta).
Concluo que são manifestações que promovem a ignorância, portanto não tenciono ir.
Claro que para quem pensa que propriedade é roubo, todas as casas são de todos e o sistema de preços é inútil.
Para quem acredita que o capital não é acumulação de poupança, mas a mais valia que o capitalista rouba ao trabalhador, todas as casas são de todos e não é preciso mobilizar o capital para que haja mais casas, é só distribuir por todos o capital actualmente imobilizado em casas.
Já se experimentaram estas ideias vezes sem conta, em especial aplicando-as ao mais básico dos bens, a alimentação, e a coisa não correu bem, exactamente porque capital é acumulação de poupança e a fixação de preços deu indicações erradas a todos.
O resultado foram mercados informais mais eficientes (exactamente porque não é possível controlar preços no mercado negro), e escassez no fornecimento de bens e serviços pelos canais oficiais.
Ainda beneficiei disso, quando um dos meus irmãos vivia em Moscovo, no tempo da transição do Brejnev para o Andropov, o consumo de caviar na nossa família tinha um nível muitíssimo moderado, é certo, mas muito maior do que havia antes e do que houve depois dessa altura.
E era, seguramente, muitíssimo mais alto que o consumo de caviar por parte dos moscovitas, apesar do caviar ser comprado em Moscovo pelo meu irmão.
Casa para viver, não para especular é apenas a enésima versão das ideias que me puseram a comer caviar, quando as sociedades que o produziam nem lhe punham a vista em cima.
Era só caviar, foi bom enquanto durou mas ninguém foi para a rua gritar que o caviar era um direito fundamental quando parou o fluxo de caviar para Lisboa.
Suspeito que com casas é melhor ser um bocado mais prudente, antes que acabe tudo em barracas, porque nenhum capitalista investe em casas.
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