O mais recente refrão da intoxicação social é o silêncio dos dirigentes. Em uníssono, os canais de televisão reúnem comentadores gratuitos (em ambos os sentidos, de à borla e vãos) para discutirem durante horas o silêncio do Primeiro-Ministro e do Presidente da República.
Parece que a quebra de silêncio que pedem a PM e PR teria a ver com os incómodos e ilícitos cometidos por alguns grupos excitados.
É uma dupla ilusão. Primeiro, a de que aquilo que interessa ao que aí vai de media é o que interessa verdadeiramente. Segundo, que PM e PR teriam algum interesse ou mérito ao reconhecer emergências inexistentes.
Vejamos:
a) grupos de algumas centenas de pessoas ocuparam espaços públicos em Lisboa e Porto e violaram insistentemente a lei;
b) autorizada pela tutela, a polícia interveio e repôs a ordem, enquanto as autarquias repunham a limpeza.
É a própria definição de «normal funcionamento das instituições».
A espécie de media que temos queria que PR e PM se pronunciassem sobre quê?!
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