segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Alô, alô imprensa

 Por causa do meu post de ontem, em que tinha um gráfico com a evidente subida do peso das pessoas de menos 35 anos no crédito à habitação, desde que o Estado criou uma garantia pública que permite comprar casa sem ter uma entrada, Nuno Gonçalo Poças chamou-me a atenção para outro dado interessante, a evolução da idade de saída de casa.


Os dados são o Eurostat, o boneco fui eu que o fiz às três pancadas, há uma indicação de corte de série em 2021 que não sei exactamente qual é, mas aqui está o gráfico da evolução da idade de saída de casa dos pais, em Portugal.

Em 2025, há seis países fortemente afectados pelo aumento da habitação em Portugal que têm idades de saída de casa dos pais mais altas em que em Portugal, o primeiro dos quais a Croácia.

Devia ter posto os valores para se perceber bem que sõ em 2018 e 2025 é que temos uma idade de saída de casa dos pais de 28,8 anos, de resto, é sempre daí para cima, apesar de, acreditando no que escreve a imprensa, estarmos numa situação desesperada que tem impedido a saída de casa dos pais como nunca se viu.

Admitindo que alguma coisa se passou em 2021 que até pode ser um mera artefacto estatístico, temos 2022 com um valor acima dos trinta anos e um valor em 2020 mesmo, mesmo antes dos trinta.

De resto, uma razoável estabilidade em torno dos 29 anos, com uma ligeira descida nos últimos dois anos.

"Nos últimos dois anos"?

Isso não pode ser, basta ler os jornais para perceber que não é assim e todos conhecemos pessoas com mais de 28.8 anos para saber que está tudo desesperado por sair de casa dos pais, mas não saem porque o preço das casas e o valor das rendas é incomportável.

O que interessa a informação, quando se pode ter a imprensa?

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