... mas o assunto é sério.
João Miguel Tavares defende hoje, no Público, a tese com que titula a sua crónica: "A violência israelita está a desproteger os judeus no mundo".
É a tese da esquerda israelita que detesta o actual governo de Israel, amplamente alinhada com a propaganda do Hamas.
Partindo do princípio de que não é simples sinalização de virtude, vale a pena olhar para o texto escrito, ponto por ponto, mesmo deixando de lado alguns pontos, por economia de argumentação.
"O governo de Benjamin Netanyahu entrou numa absurda espiral de violência, quer em Gaza quer na Cisjordânia, que já não tem qualquer justificação moral".
Comecemos por parafrasear Guterres: a violência israelita não nasceu do vácuo, nem parece ter grande coisa de específico neste momento, desde que Israel foi invadido pelos seus cinco vizinhos árabes, com apoio da Liga Árabe, no dia seguinte à criação do Estado de Israel, que os que sempre se opuseram a um Estado judeu repetem esta acusação de violência imoral (na verdade, a acusação é anterior à criação do Estado de Israel, no tempo da guerra civil larvar que se tentou resolver com a criação de dois Estados, solução sempre rejeitada pelos inimigos do Estado de Israel e defensores de um Estado árabe "from the river to the sea", já essa acusação era usada).
Mesmo quando Israel retirou unilateralmente de Gaza e o Estado de Israel, à força, obrigou os colonatos judeus de Gaza a serem desmantelados, não se ouviu ninguém dizer o contrário do que é dito, que a violência israelita tem uma base moral de legítima defesa.
"Esta brutalidade descontrolada" é a afirmação seguinte, naturalmente sem qualquer facto que demonstre a existência de brutalidade descontrolada, apesar das evidências da existência de avisos, da política de deslocação voluntária das populações civis (contrariada, a tiro, pelo Hamas, que disparava sobre o seu povo para o impedir de se proteger fugindo das zonas de conflito) e de uma cautela extrema na contenção dos danos colaterais em civis (das setenta mil a oitenta mil mortes palestinianas do conflito de Gaza, cerca de 50 mil são combatentes a cujas famílias o Hamas pagou pensões de sangue, uma proporção entre civis e combatentes mortos que não se encontra em mais nenhuma guerra, menos ainda nas que são travadas em contextos urbanos densamente povoados, com os combatentes a usar os civis como escudos humanos, como é o caso).
"alimenta sentimentos anti-semitas", é uma frase extraordinariamente antissemita, é uma frase que atribui a responsabilidade pelo antissemitismo aos maus governos judeus, o antissemitismo passa a ser resultado da perfídia dos judeus, e não dos antissemitas, absolvidos pelo julgamento moral da acção do governo democrático de Israel.
"A impiedade do governo radical de Netanyahu desrespeita a memória do holocausto e desprotege todos os judeus que vivem fora de Israel", diz João Miguel Tavares com o mesmo impudor, é o governo livremente escolhido pelos israelitas (que inclui 20% de população árabe, não judia, já agora) que desrespeita o holocausto e desprotege os judeus de todo o mundo, não são nem os terroristas que fazem atentados, nem os vândalos que atacam símbolos judaicos, nem mesmo o governo do Irão, que financia toda uma constelação de pessoas e organizações violentas, que fazem ataques em todo o mundo, que desprotegem os judeus, é mesmo o governo eleito de Israel que tem essa responsabilidade.
"uma fatia significativa da comunicação social a ignorar ostensivamente aquilo que se passa em Gaza e na Cisjordânia" é um dos sinais de erosão das liberdades cívicas em Israel, e não um sinal da vitalidade dessas liberdades cívicas, em que uns criticam o governo e outros não, mas todos escrevem o que entendem. João Miguel Tavares, aparentemente, fica muito incomodado por, em Israel, haver pluralidade de ponto de vista sobre o que se passa em Gaza e na Cisjordânia, em vez do jornalismo de rebanho português, em que apenas um ponto de vista está autorizado a entrar nas redacções.
"Na semana passada foi exibido em Veneza o documentário Naza ... Abraham e Szor falaram com 24 militares e ex-operacionais dos serviços secretos acerca da "fábrica de matar" em que se viram envolvidos", lembra João Miguel Tavares, sem lembrar que os autores do documentário são militantes políticos, com uma agenda política, que dizem que falam com pessoas que não identificam, que não verificam os factos relatados e, consequentemente, produzem um documentário cuja credibilidade é impossível de verificar. A questão não é saber se o que está no documentário é verdade ou não, a questão é que, da forma como as coisas são apresentadas, não há qualquer forma de verificação minimamente sólida.
Para João Miguel Tavares, as dúvidas sobre a credibilidade do documentário despacham-se rapidamente com o facto de ser de esperar que as forças armadas desmintam o que foi apresentado, mas isso não resolve o problema base: se alguém disser que eu estou comprado pelos israelitas, não é a mim que me cabe demonstrar que não é verdade, é a quem acusa que cabe demonstrar que é verdadeira a acusação, e o documentário em causa não tem qualquer demonstração de que o que apresenta seja rigorosamente como é apresentado.
"o ministro da cultura do país foi para as redes sociais ameaçar os realizadores de perda de nacionalidade israelita", abespinha-se João Miguel Tavares.
Independentemente de perder a nacionalidade ser uma coisa bem menos desagradável que perder a vida, que é o que acontece a quem, nas respectivas áreas de inluência, se atreva a fazer um documentário semelhante sobre o Hamas, o governo iraniano, o Hezbollah e todos esses antissemitas que João Miguel Tavares isentou de responsabilidades porque estão apenas a reagir à violência imoral de Israel, qual é mesmo a questão?
O governo israelita tomou alguma decisão? Ou à falta de argumentos para as acusações apresentadas sobre o governo de Israel, já passam a servir as declarações inconsequentes dos ministros dos partidos mais radicais que apoiam o governo israelita?
Se é isso, sugiro um pequeno estudo sobre a declarações da miríade de apoiantes do governo de Pedro Sanchez, só para dar um exemplo próximo, que devem dar para crónicas até ao fim do ano, baseadas na mesma indignação.
"Ao mesmo tempo que se arrasa Gaza e fatia a Cisjordânia para alegadamente proteger Israel".
Talvez tenha sido mesmo esta frase que me fez escrever este post, apesar de gostar e ter consideração por João Miguel Tavares.
Para não recuarmos muito, ao tempo em que a faixa de Gaza era gerida pelo Egipto, comecemos no momento em que Israel retira unilateralmente de Gaza e entrega o governo da faixa de Gaza à autoridade palestiniana, apoiada por toda a comunidade internacional (a ONU gasta mais recursos com os refugiados palestinianos que com todos os outros refugiados do mundo).
O que se segue é um curto período que antecede umas eleições, uma pequena guerra civil palestiniana ganha pelo Hamas (que faz uma limpeza sistemática dos seus adversários), que impõe um governo férreo a toda a população, financiado pela comunidade internacional, armado, financiado, treinado pelo Irão e outros, que transforma a faixa de Gaza num plataforma de lançamento de projécteis sobre civis israelitas.
O governo israelita opta por defender os seus civis com um sofisticadíssimo (e caríssimo) sistema de intercepção e defesa anti-aérea, até ao momento que o eixo da resistência promovido pelo Irão acha que Israel está cercado e manietado pela opinião pública ocidental, lançando um ataque brutal e sanguinário cujo objectivo era desencadear a ofensiva final de destruição do Estado de Israel.
Israel responde militarmente, numa das campanhas militares mais delicadas do mundo, contra um exército irregular que usa os civis para proteger os seus combatentes, num território propositadamente infraestruturado para poupar combatentes maximizando as baixas civis.
A isto, João Miguel Tavares chama "arrasar Gaza para alegadamente (alegadamente? A sério, João Miguel?) defender Israel" porque, na sua opinião, Israel abandonou a decência e com isso faz os judeus de todo o mundo pagar um preço alto em desprotecção.
Eu chamo a isto outras coisas que me abstenho de explicitar.
Excelente análise
ResponderEliminarAo contrário de JMT, sem ideologias ou condicionantes políticas, apenas factos. Análise crua de dados, conclusões factuais.
Impossível discordar de uma linha.
Já uma vez havia comentado aqui que a JMT aplica- se perfeitamente o ditado beirão: de onde come, de la reza!
ResponderEliminarIsto de viver na côrte mediática e dela depender tem os seus quês.
JMT, se quer continuar a ter onde escrevinhar, e ganhar prá sopa, tem de estar com o rebanho.
Agora, não deixa de ser curioso ver nazis, socialistas,comunistas e esquerdistas em geral, unidos no òdio aos judeus. Na realidade, este tipo de atitude é o canário na mina de carvão. Diz muito sobre o carácter desta gente. Estão dispostos a vender-se por um por um prato de sopa....
Cuidado com os JMT's da vida. Gente perigosa.
A má fé dos media "de referencia" ou pior porque não é ignorância histórica, JMT sabe bem o que os aliados só pararam a violência da Segunda Guerra Mundial. depois da Rendição Incondicional da Alemanha e Japão.
ResponderEliminarO que se passa desde os anos 60 é a tentativa dos jornalistas ocidentais destruírem a Leis da Guerra porque não ganha quem eles querem que ganhe.
Quando o Abbas da AP/ Fatah disse ao Hamas para se render, o que se ouviu dos jornalistas ocidentais foi um silencio ensurdeçor.
Ou seja principal medida para acabar a guerra os jornalistas recusaram .
Jornalistas que note-se estariam a gritar para a rendição próprio país por muito menos.
Excepto se o atacante fosse os EUA....
Vemos, ouvimos e lemos …
ResponderEliminarExcelente. Desmonta ponto por ponto o delírio de JMT.
ResponderEliminarBravo, Henrique, vou partilhar
ResponderEliminarComentários como este, dão-me a satisfação de saber, que felizmente ainda há pessoas com bom senso e coragem, para por os pontos nos is e dizer que o rei vai nu.
ResponderEliminarTavares é mais um pavão, que anda por aí, a abrir o leque, pensando cativar a esquerda.
O Ministro da Cultura de Israel não é "dos partidos mais radicais que apoiam o governo israelita". É do Likud. E, apesar de concordar muitíssimo mais com este post, do que com o artigo do JM Tavares, tenho de concordar com a conclusão deste último, que é indiscutível: o cinismo político de Netanyahu e a sua cooptação de Ben-Gvir e Smotrich, ou seja, dos racistas em geral e dos colonos em particular (que não totalizam 10% da sociedade israelita, mas se permitiu que fossem o "rosto" do país), reavivou o anti-semitismo latente no ocidente e "desprotegeu os judeus no mundo". JPT
ResponderEliminarSeja de que partido for, disse uma coisa qualquer que, até hoje, não teve qualquer consequência, ao contrário das barbaridades das autoridades responsáveis de vários países à volta, que são aceites sem convulsões e têm efeitos práticos na vida de terceiros.
Eliminar"reavivou o anti-semitismo latente no ocidente e "desprotegeu os judeus no mundo""
EliminarNem vou neste post ligar á substancia do que afirmam justifica o argumento. Vou só ligar ao vosso argumento para demonstrar a vossa desonestidade.
Nem JMT nem a você vos passou pela cabeça escrever que os ataques de 11 de Setembro e Bataclan entre muitos outros ataques muçulmanos justificariam a perseguição aos muçulmanos.
E estes foram ataques directos aos EUA e Europa, não foram a terceiros.
O fanatismo cega. Como se fosse preciso o documentário da dupla israelita para revelar ao mundo o genocídio em curso. São depoimentos anónimos? O que não falta são depoimentos com nome em inúmeros documentários e reportagens aos longo destes 3 anos, vídeos feitos pelos próprios e publicados nas redes sociais, actos e declarações dos próprios ministros (inconsequentes, diz? Desde quando as declarações de membros dos órgãos de soberania podem ser descritas como inconsequentes? E dissociar o que se passa na Cijordânia das declarações dos ministros é mesmo querer tapar o sol com uma peneira esfacelada. Tenha pudor.
ResponderEliminarNoto que pretende substituir a verificação de factos pela multiplicação de testemunhos igualmente inverificáveis. Tenha pudor.
EliminarEntão já não é o anonimato, afinal, até a confissão, ainda que em modo vitorioso ou delirante, tantas vezes tendo como cenário os próprios actos também de nada valem porque "inverificáveis". O testemunho de médicos, de ong internacionais, inclusive israelitas, as imagens em directo, tantas vezes captadas e transmitidas pelos próprios soldados, a total destruição, o bloqueio do acesso e os constantes bombardeamentos, até ao dia de hoje, nada abala a sua fé. Como disse, o fanatismo cega.
EliminarO anonimato é uma das componentes que impedem a verificação dos factos. Em si mesmo, não demonstra que é verdade ou mentira o que é dito, apenas impede que a pessoa que o diz seja confrontada com o que diz.
EliminarO problema é mesmo as coisas serem inverificáveis.
O testemunho de um médico a dizer que viu crianças baleadas na cabeça permite verificar que há crianças baleadas na cabeça (como em qualquer conflito do mundo), não permite concluir que houve intenção deliberada de matar essa criança, como conclui o relatório da ONU sobre o assunto.
Pode-se dar um passo mais longe e ouvir os familiares da vítima sobre as circunstâncias em que ocorreram os tiros e as mortes mas, mais uma vez, isso não demonstra nada, porque as famílias têm interesse em que a morte da criança não seja considerada um acidente, mas sim um martírio (quer por razões de prestígio social, quer por razões bem materiais porque são atribuídas pensões de sangue às famílias dos mártires).
As ONG internacionais não têm fontes de informação directas, dependem das mesmas fontes dos outros todos: o Hamas.
O resto é conversa.
Exactamente
EliminarSo podemos confiar em fontes credíveis
O governo democraticamente eleito de Israel tem credibilidade, o Hamas não.
As reputações ao hps nesta thread têm zero fiabilidade.
O Hamas parece ser todo-poderoso: por um lado, das 70 a 80 mil vítimas 50 mil eram do hamas (qual é a fonte?), por outro, todos os números e toda a informação que temos continuam a ter como fonte "o Hamas". É incrível. O bombardeamento constante ao longo de 3 anos da faixa de Gaza visou a destruição das suas instalações e equipamentos e os seus líderes foram sendo sucessivamente eliminados. Israel controla o território, as entradas e saídas e até organiza visitas aos antigos túneis da organização terrorista. Porque não há então agora informação mais fiável? Por que motivo Israel não permite a entrada de equipamento para que as pessoas possam procurar e enterrar os seus familiares que permanecem sob os escombros? Isso não ajudaria também a ter-se informação mais fiável? Se fossem seus familiares, como lidaria com isto? Não consigo compreender tanta indiferença. Ainda hoje morreram 20 pessoas, incluindo crianças, com a derrocada de um edifício, o que voltará a acontecer, como é evidente, se o bloqueio continuar. Não compreendo como é possível continuar a fechar os olhos perante os desmandos do governo israelita.
Eliminar"genocídio em curso"
EliminarComeça logo por demonstrar a sua desonestidade. Morreu proporcionalmente mais população Alemã na Segunda Guerra que em Gaza. E o combate em cidade na 2GM foi uma parte muito menor dos combates.
Por isso os Aliados fizeram um genocídio na 2GM ?
Além disso ainda não existia o jornalismo moderno, bárbaro, violador dos direitos humanos que recompensa politicamente quem usa civis para a guerra.
Na 2GM os 2 lados tinham de proteger os civis.
Hoje já no século XXI o lado que está contra o Ocidente sabe que não só não precisa como não o deve fazer.
Por causa do jornalismo.
A isso chama-se desconversar, sem prejuízo de os aliados também terem cometido autênticos crimes de guerra, como o bombardeamento de Dresden.
EliminarComo é possível cometer um crime de guerra quando nem há leis de guerra?
EliminarVocê é que desconversou e essa é a opção benévola..
EliminarA outra opção é que você como boa parte dos que avançam com o "genocidio" estão a construir a legitimidade para fazerem um do "Rio ao Mar."
Se Israel quisesse matar 1000000 palestinianos poderia faze-lo numa semana. As baixas Palestinianas são proporcionalmente menores que as alemãs na 2GM.
E foram os Palestinianos que bombarderam as cidades Israelitas com mais de 15000 misseis/rockets indiscriminadamente para lá do7 de Outubro.
"O governo israelita opta por defender os seus civis com um sofisticadíssimo (e caríssimo) sistema de intercepção e defesa anti-aérea,"
ResponderEliminarOutro ponto que quero aflorar e que aponta ainda mais á venalidade da maioria dos jornalistas. .
O lado que protege os seus civis é punido sistematicamente pelos jornalistas por ter menos baixas.
Tão diferentes e tão iguais aos Nazis são estes socialistas. Unidos no ódio aos judeus (Marx, o vosso guru era judeu, seus idiotas ignorantes) e no ódio aos não conformes con o pensamento pensamento solidário socialista...
EliminarMarx apesar de ter antepassados Judeus odiava Judeus. Note-se não no sentido racial, mas no sentido cultural.
EliminarPara Marx todas as culturas e religiões deveriam ser exterminadas e substituídas pelo Socialismo.(1)
No entanto devido ao facto de os Judeus terem sobrevivido culturalmente quase 2 milénios apesar de não terem um estado irritou especialmente Marx, é um obstáculo á implementação do Socialismo, que depois os atacou no seu artigo "O problema Judeu".
Judeu que substituísse o Judaismo pelo Socialismo ok, Judeu que mantivesse a cultura Judia, para exterminar
*Faz de Marx o genuíno Nacional Socialista.
A nação de Marx era o Socialismo.
Hitler era mais um Nacionalista Teutónico.
"Talvez o post seja longo..." É bem pior. É um não post que vem tomar ainda mais claro que há um problema com o povo. Um não post e um não assunto, tem vários comentários. Tudo isto para "encher chouriços". Não há quem pense e diga; pura perda de tempo e diversões. Os portugueses são tão racionais, que quando deviam estar a discutir os nossos problemas, discutem o que acontece noutros países quando isso não serve para nada.
ResponderEliminarOs políticos fazem parte do povo. Queriam que eles fossem diferentes?!