sábado, 22 de agosto de 2026

Que cansaço

A comissão de utentes do hospital Garcia de Orta faz e acontece, dizia a televisão.

Como já sei qual é a estrutura destas notícias, esperei pela altura em que aparece alguém a dizer o mesmo que o jornalista disse antes.

Geralmente é identificada pelo nome e pela sua qualidade de comissão de utentes ou seja qual for o rótulo que lhe puseram para, a partir daí, a jornalista saltar para os utentes isto e os utentes aquilo.

E fiz o que me é habitual, escrevi no google esse nome e, à frente, candidato (porque estava distraído, desta vez até saltei logo para CDU, em vez de candidato).

Bingo!

A senhora da comissão de utentes, que de acordo com a jornalista representa os utentes, tinha sido deputada municipal em Almada, eleita pela CDU (é inacreditável como um partido com 3% dos votos representa tanta gente, os utentes dos hospitais, dos transportes públicos, do ginásio da esquina, tudo).

Já Miguel Alçada Baptista, um destes dias, comentava o facto do Público ter dado palco a uma menina de 25 anos, activista desde os 17, entrevistando-a a propósito de qualquer coisa, dizendo que tinha sido detida por plantar sobreiros no local do futuro aeroporto (a senhora é da Climáximo, uma criação do genro de Francisco Louçã, especialista em metanarrativas sobre alterações climáticas).

Como explicava o Miguel, é evidente que ninguém, em Portugal, é detido por plantar sobreiros, bastava ir à procura de informação que está à mão de semear para ver que a senhora foi detida por invasão de instalação militar, diferença que boa parte da imprensa não quer nem saber, o leitor que se amanhe, se quiser ter informação minimamente rigorosa.

Hoje de manhã já perdi uns minutos a perceber o que realmente tinha dito Ben Gvir a propósito da campanha de assassinatos selectivos de Israel em Gaza.

Já agora, as acções de eliminação de responsáveis do Hamas, formalmente, parecem-me ser assassinatos selectivos porque o direito condena o terrorismo e os terroristas, mas implica processos judiciais formais.

Logo, a menos que se prenda uma pessoa, se leve a tribunal, o tribunal a condene à morte e a pessoa seja executada, todas as outras acções de defesa de um país atacado por organizações terroristas que não respeitam o direito, não havendo guerra declarada formalmente a que se apliquem as regras da guerra e implicando a morte deliberada de alguém, são assassinatos.

Até a mim, que sou contra a pena de morte, me faz confusão esta arquitectura do direito, que o Irão tem explorado amplamente, ao dar uma vantagem inexcedível ao atacante, desde que não cumpra uma única das regras aplicáveis à guerra (separação de combatentes de civis, uniformização de combatentes, separação de infraestruturas militares das zonas civis, tratamento digno dos prisioneiros, etc., etc., etc.), como é o caso do Hamas.

Fechado este devaneio pelas minhas perplexidades, o que tinha visto por toda a imprensa é que Ben Gvir defendera a morte de 30 a 40 palestinianos por dia, coisa a que não liguei nenhuma porque sei quem é Ben Gvir e não ligo nada ao que ele diz.

Mas vi um comentário contestando essa transcrição da imprensa, e lá fui dar uma vista de olhos sobre o que realmente ele tinha dito.

É claro que ele estava a falar da divergência expressa que tem em relação ao primeiro ministro do governo de que ele próprio faz parte, porque o governo de Israel, de que ele faz parte, adoptou uma doutrina de eliminação das ameaças iminentes, e Ben Gvir defende que se eliminem os responsáveis do Hamas, 30 a 40 por dia, mesmo antes de se considerarem ameaças imediatas.

É evidente que Ben Gvir está a falar de combatentes do Hamas, mas a generalidade da imprensa gosta de aplimentar a relação com a verdade, de maneira que fala de palestinianos, como se ele estivesse a falar de abates indiscriminados de palestinianos.

É muito cansativo andar sempre a verificar o que a imprensa diz ou escreve, em vez de pagar à imprensa para me dar informação em que possa confiar minimamente.

11 comentários:

  1. Mark Twain dizia, há mais de um século, que não ler jornais, era não estar informado. Ler era estar mal informado. Hoje, está frase pode ser actualizada para: [...] ler (jornais) é estar desinformado.

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  2. Ben Gvir é um Patriota.

    Tem um cargo de grande responsabilidade, e Luta pela Sua Pátria, Israel, o melhor que sabe e pode, como aliás antes dele, o fizeram Ben Gurion, Golda Meyer, Moshe Dyan e tantos, tantos outros desde a Fundação.

    A Esquerda e os seus comandados, na Comunicação Social, não gostam de Ben Gvir, nem de Israel, como de um modo geral, não gostam de ninguém que tenha coluna vertebral e cabeça própria.


    No caso de Israel não lhes vai servir de nada, porque se há coisa que não tem que ser demonstrada, de tão evidente,
    é que os Israelitas, sabem muito bem o que lhes interessa e convém, não se deixam tourear e sabem muito bem para onde vão.




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  3.  Afirmações de Ben Gvir, para que conste: “Creio que deveriam ser realizados assassinatos seletivos em Gaza, eliminando entre 30 e 40 pessoas por noite”.
    “Há pessoas ali que não merecem viver. Não deveriam viver. Nem sequer são pessoas.”

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    1. Obrigado por confirmar que ele não disse palestinianos, como diz a esmagadora maioria da imprensa que ele disse, e é evidente, no contexto em que é feita a afirmação, que está a falar de pessoas do Hamas.

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    2. Refere-se a combatentes do Hamas. Terroristas.
      Quem conhece o percurso político sabe que esta é a leitura correcta. Pintá-lo como xenófobo de extrema direita é maus jornalismo e propaganda, como expõe o texto publicado.

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    3. Defender “assassinatos seletivos” em números quantificados é revelador de um estranho fenómeno: a nazificação da extrema-direita israelita. Mais estranho, ainda, são os argumentos na sua defesa. Certo que sempre houve, e haverá, gente para tudo. Tinha razão Hannah Arendt. É a banalização do mal.

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    4. Banalização do mal é você defender o Hamas.
      Nada surpreendente pois a maior parte dos apoiantes da Palestina estão-se nas tintas para os Palestinianos, é como os ditos apoiantes de Cuba também se estão nas tintas para os Cubanos...

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  4. Excelente texto.
    Serviço público

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  5. Gvir defende eliminação de ameaças eminentes, enquanto que o Governo se foca nas ameaças iminentes. É a diferença.
    Devia pesquisar sobre Gvir. Perceber o indivíduo e o político.

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  6. Ben Gvir disse o que entendeu dizer, fe-lo sem papas na língua, não mastigou, e ao contrário de muito boa gente, não pretende, parecer aquilo que não é

    Acho Ben Gvir um verdadeiro Patriota, um Judeu Integro e Corajoso, como tal e ao contrário de muita gente fina não esqueceu e manifestamente não pode esquecer, aquele massacre covarde e nojento, também não esquece os túneis e toda a preparação, feita em Tempo de Paz e Boa Fé pela rapaziada do Hamas

    Lamento muito, mas foram eles que á socapa prepararam a Emboscada e semearam as Tempestades que agora se estão a levantar










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