A comissão de utentes do hospital Garcia de Orta faz e acontece, dizia a televisão.
Como já sei qual é a estrutura destas notícias, esperei pela altura em que aparece alguém a dizer o mesmo que o jornalista disse antes.
Geralmente é identificada pelo nome e pela sua qualidade de comissão de utentes ou seja qual for o rótulo que lhe puseram para, a partir daí, a jornalista saltar para os utentes isto e os utentes aquilo.
E fiz o que me é habitual, escrevi no google esse nome e, à frente, candidato (porque estava distraído, desta vez até saltei logo para CDU, em vez de candidato).
Bingo!
A senhora da comissão de utentes, que de acordo com a jornalista representa os utentes, tinha sido deputada municipal em Almada, eleita pela CDU (é inacreditável como um partido com 3% dos votos representa tanta gente, os utentes dos hospitais, dos transportes públicos, do ginásio da esquina, tudo).
Já Miguel Alçada Baptista, um destes dias, comentava o facto do Público ter dado palco a uma menina de 25 anos, activista desde os 17, entrevistando-a a propósito de qualquer coisa, dizendo que tinha sido detida por plantar sobreiros no local do futuro aeroporto (a senhora é da Climáximo, uma criação do genro de Francisco Louçã, especialista em metanarrativas sobre alterações climáticas).
Como explicava o Miguel, é evidente que ninguém, em Portugal, é detido por plantar sobreiros, bastava ir à procura de informação que está à mão de semear para ver que a senhora foi detida por invasão de instalação militar, diferença que boa parte da imprensa não quer nem saber, o leitor que se amanhe, se quiser ter informação minimamente rigorosa.
Hoje de manhã já perdi uns minutos a perceber o que realmente tinha dito Ben Gvir a propósito da campanha de assassinatos selectivos de Israel em Gaza.
Já agora, as acções de eliminação de responsáveis do Hamas, formalmente, parecem-me ser assassinatos selectivos porque o direito condena o terrorismo e os terroristas, mas implica processos judiciais formais.
Logo, a menos que se prenda uma pessoa, se leve a tribunal, o tribunal a condene à morte e a pessoa seja executada, todas as outras acções de defesa de um país atacado por organizações terroristas que não respeitam o direito, não havendo guerra declarada formalmente a que se apliquem as regras da guerra e implicando a morte deliberada de alguém, são assassinatos.
Até a mim, que sou contra a pena de morte, me faz confusão esta arquitectura do direito, que o Irão tem explorado amplamente, ao dar uma vantagem inexcedível ao atacante, desde que não cumpra uma única das regras aplicáveis à guerra (separação de combatentes de civis, uniformização de combatentes, separação de infraestruturas militares das zonas civis, tratamento digno dos prisioneiros, etc., etc., etc.), como é o caso do Hamas.
Fechado este devaneio pelas minhas perplexidades, o que tinha visto por toda a imprensa é que Ben Gvir defendera a morte de 30 a 40 palestinianos por dia, coisa a que não liguei nenhuma porque sei quem é Ben Gvir e não ligo nada ao que ele diz.
Mas vi um comentário contestando essa transcrição da imprensa, e lá fui dar uma vista de olhos sobre o que realmente ele tinha dito.
É claro que ele estava a falar da divergência expressa que tem em relação ao primeiro ministro do governo de que ele próprio faz parte, porque o governo de Israel, de que ele faz parte, adoptou uma doutrina de eliminação das ameaças eminentes, e Ben Gvir defende que se eliminem os responsáveis do Hamas, 30 a 40 por dia, mesmo antes de se considerarem ameaças imediatas.
É evidente que Ben Gvir está a falar de combatentes do Hamas, mas a generalidade da imprensa gosta de aplimentar a relação com a verdade, de maneira que fala de palestinianos, como se ele estivesse a falar de abates indiscriminados de palestinianos.
É muito cansativo andar sempre a verificar o que a imprensa diz ou escreve, em vez de pagar à imprensa para me dar informação em que possa confiar minimamente.
Sem comentários:
Enviar um comentário