segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O paradoxo do fogo explicado às criancinhas

Como era de prever, face às previsões meteorológicas (incluindo trovoada no Nordeste), vão uns dias agitados na gestão de fogos florestais, mas contidos pelo facto do vento não ser muito forte.

Veremos o que acontece hoje a amanhã, incluindo eventuais chuvas esporádicas aqui e ali mas, no essencial, tudo corre como previsto.

Depois muda o vento e as coisas tenderão a ficar mais calmas, até ao próximo episódio meteorológico favorável à progressão do fogo.

A generalidade do país, descontando as áreas que arderam há menos de cinco anos e as áreas com alguma intensidade de actividade agrícola e pecuária, tem uma grande acumulação de combustíveis finos, tendendo a reduzir a diversidade de circunstâncias à medida que o fogo passa e a gestão enfraquece.

Quanto mais insistirmos numa doutrina de supressão do fogo como a que temos, quanto mais eficiente for essa doutrina - aparentemente tem sido razoavelmente eficiente em 98% dos casos, mas os 2% restantes dão origem 90% da área ardida, provocados por fogos complexos a que a doutrina de supressão existente não consegue dar resposta razoável - quantos mais fogos evitarmos em dias de risco baixo a médio, maior é a acumulação de combustíveis nas áreas não ardidas e de baixa gestão.

Chama-se a isto o paradoxo do fogo, quanto mais eficientes formos na supressão, sem gestão de combustíveis, maior é o risco associado a grande fogo que fugir de controlo.

Seria tempo de compreender isto, esquecer as eternas discussões sobre propriedade, meios, comandos únicos, voluntariado, abnegação, entrega, ordenamento do território, transformação da paisagem, alterações climáticas, negócios do fogo, corrupção, etc., etc., etc., para nos concentrarmos em duas coisas.

Como aumentar a gestão de combustíveis de forma sustentável e eficaz, e como mudar a doutrina de supressão para opções mais eficientes e mais baratas, que tiram partido do fogo como parceiro, e não como inimigo.

E, já agora, uma terceira coisa: como tirar do ar as horas e horas de directos sem qualquer valor informativo (não é estando numa estrada ao pé das chamas que se sabe o que se passa num fogo, é usando informação complexa adequadamente combinada, que está nos computadores dos postos de comando) e infectados pelos preconceitos de jornalistas que não sabem, nem querem aprender, rudimentos de ecologia do fogo e gestão da paisagem.

6 comentários:

  1. Quanto á "terceira coisa" (acabar com os directos Informativos, incompetentes, mal feitos e sem interesse nenhum) bem pode tirar o cavalo da chuva.

    E nem é porque os Jornalistas vivem disso, é porque simplesmente não conseguem fazer melhor.

    Esgotam-se naquilo e por mais que insistam, não sai melhor

    Não é má vontade, preguiça ou escassez de iniciativa

    E a matéria cinzenta; Não há




    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah sim...
      Temos um caso de homicídio a ser tratado diariamente nos noticiários como uma série do Lei e Ordem svu em modo low cost, e era mesmo nos fogos que se iam comportar bem

      Eliminar
  2. Como se explicam os recentes surtos de fogos florestais em Bélgica, Holanda e Alemanha?
    Não sendo alterações climáticas um factor, houve alguma inflexão poltrona ou social nesses países em termos de ordenamento, política de combustíveis ou resposta?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Qual é a questão? Houve condições meteorológicas favoráveis ao fogo, e eles apareceram, como em qualquer lado em que haja disponibilidade de combustíveis

      Eliminar
    2. Existem fogos porque, acima de tudo, há combustível disponível. No deserto, há todas as condições para haver fogo, tempo quente (muito quente), e ar seco. Mas, não há combustíveis disponíveis, logo, não arde. Nos países que refere (e mesmo mais a norte na, Suécia, por exemplo, de vez em quando, há condições climatéricas propícias a incêndios e, como há combustível disponível, há fogos florestais. Tal e qual se passa nas florestas boreais, no Canadá e na Sibéria, onde os fogos são uma ocorrência habitual de verão.
      Percebeu agora, caro troll citadino??

      Eliminar
    3. O fogo tem a ver com os meios disponíveis, sobretudo os aéreos, para a sua extinção, tipo branco é galinha o põe.

      Em havendo meios disponíveis o fogo aparecerá mais cedo que tarde.

      O Governo devia iniciar um programa sério, digamos 30 anos, sem disponibilizar um cêntimo de ajuda para o Combate a Incêndios.

      Ao fim dos tais trinta anos deveria avaliar os resultados e decidir em consequência





      Eliminar

O paradoxo do fogo explicado às criancinhas

Como era de prever, face às previsões meteorológicas (incluindo trovoada no Nordeste), vão uns dias agitados na gestão de fogos florestais, ...