Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus estavam destinados a não se entender. Era tão evidente como inevitável.
Cristiano Ronaldo fez bem em deixar a selecção?
Fez o que não poderia deixar de fazer. Cristiano Ronaldo é uma marca, é um multimilionário que se fez com a sua inteligência, talento e trabalho; foi o melhor jogador do mundo; tem um avião seu que o leva à sua casa no país que lhe apetecer; tem investimentos financeiros, na hotelaria, na comunicação social, etc., e é o rosto de várias marcas. Quando joga futebol pode algum treinador dizer-lhe que depois lhe diz como vai ser? Obviamente não pode; claramente ele não tem idade nem estatuto para destratos e brincadeiras. Inevitavelmente virou costas, meteu-se no avião, e foi para a sua casa de Madrid. Nada a obstar.
Jorge Jesus fez bem em não pôr "o Cris" a jogar?
Fez bem em não pô-lo a jogar e faria se o tivesse posto; fez o que não poderia deixar de fazer. Jorge Jesus é um treinador premiado, vencedor de competições UEFA, de campeonatos e taças em Portugal, Brasil, Turquia e Arábia Saudita. É dos melhores treinadores do mundo. E quando joga futebol não tolera nem poderia tolerar que algum jogador - nem mesmo um jogador multimilionário que já foi o melhor jogador do mundo - lhe diga se joga ou não, quanto tempo, com quem e quando. Inevitavelmente, pôs os pés no prato, e ficou ali onde está. Nada a obstar.
Mas e então o futebol?! Mas e então a Selecção?!
Ora, o futebol e a Selecção que vão dar uma curva. Nada disto tem a ver com "a bola". Tem tudo a ver com pessoas e relações. Se a malta "da bola" não previu isso, tanto pior para "a bola", fiquem para aí a torcer-se, enquanto a vida continua.
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