O título é justo, mas pouco comercial, diria que me parece demasiado burocrático.
Comecei o livro com curiosidade em saber se José Pimentel Teixeira teria escrito um texto burocrático sobre a resolução das ONU que considera o tráfico transatlântico de escravos como o maior crime contra a humanidade.
Uma resolução, note-se, que só teve três votos contra, dos EUA, de Israel e da Argentina.
Teve muitas abstenções, incluindo a de Portugal, provavelmente por se pensar que a resolução não vale um caracol (é um facto) e portanto mais vale não levantar ondas (não percebi em que é o que voto contra uma estupidez levanta assim tantas ondas, mas deixemos isso para outras núpcias).
Não, não escreveu um texto burocrático, pelo contrário, escreveu um texto bem interessante de contextualização, lê-se muito bem (até alguns arabescos de linguagem que aparecem noutras coisas escritas por José Pimentel Teixeira tiveram falta de comparência).
O livro é pequeno, no sentido de ter poucas páginas, mas tem um horizonte largo de contextualização da escravidão e das razões pelas quais alguns dos países que descendem dos escravizadores (como o Gana, que propõe a dita declaração) agora se fazem de vítimas (bem apanhado o uso de John Coltrane, na apresentação do livro, para mostrar como a qualidade da música, Dahomey Dance, não tinha correspondência com o conhecimento do assunto que a motiva. John Coltrane escolher o reino de Daomé para fazer uma afirmação anti-esclavagista é ignorar que essa era uma das grandes potências escravistas de África, fortemente implicada na captura e comércio de escravos).
Francamente, gostei do livro e aconselho-o a toda a gente que tenha um interesse, mesmo que vago, na exploração política actual da escravidão por parte de agentes políticos mais interessados nas suas agendas que na compreensão do passado.
Pensando bem, basta ter um bocadinho de curiosidade pelo mundo que nos rodeia para ser um gosto, e haver proveito, na leitura do livro.
Sem comentários:
Enviar um comentário