sexta-feira, 25 de setembro de 2026

De debaixo de uma pedra, uma comentadora saiu

 A RTP transmite algumas imagens da visita do Papa a França. Como sempre, as imagens actuais são breves, embora, surpreendentemente, sejam sobre a visita do papa a França. [Sim, foi uma coincidência feliz, e nas nossas televisões essa coincidência não está garantida: há dias, um canal ilustrava a conversa sobre a visita de Xi Jiping a Washington com imagens da visita de Xi Jiping a Pequim]. Adiante. As imagens da visita do Papa traziam, no entanto, um desconforto: a existência de multidões - multidões de tela inteira, multidões onde quer que se visse, multidões que não dava para reduzir a umas centenas, como quando o tema não agrada às vozes off da RTP.

Ora, sendo assim, depois de 2 minutos com imagens reais, a RTP entregou generosos minutos a uma comentadora [a notícia, pensa a RT, é só uma porcaria duma notícia, o comentário é que é o contexto, e com o contexto é que a gente opera, compreendem?], que «explicou» que as multidões eram constituídas por pessoas que eram [citação literal] «católicos de baptismo». 

Não há comentário para as ideias da senhora mais elucidativo do que as palavras da senhora. Uma observação apenas, a de que ela matou dois coelhos duma cajadada: provou que os impostos estão tão altos que dão para pagar gente desta; e que a ignorância compete em atrevimento com a sobranceria da estupidez.

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