quinta-feira, 2 de julho de 2026

O sexo e a maternidade

Longe de mim negar a estreita relação entre sexo e maternidade, o que me interessa é apenas fazer notar que o que é muitas vezes descrito como uma diferença entre mulheres e homens, nomeadamente a diferença salarial, tem muito menos relação com o sexo e muito mais relação com a maternidade.

Claro que isso depende das culturas e dos países, mas nos países ocidentais a diferença salarial entre mulheres e homens é hoje bastante mitigada, nos grandes números (há profissões específicas em que os homens ganham mais, em média, e outras em que as mulheres ganham mais, em média).

O que parece acentuar diferenças é a maternidade (ver Claudia Goldin, em caso de dúvidas), mas como só há mães que sejam mulheres, é frequente a confusão que permite atribuir à condição de mulher coisas que são, essencialmente, dependentes da condição de mãe.

Estritamente do ponto de vista do mercado laboral, poder-se-ia dizer que é provável que, do ponto de vista remuneratório e de dificuldade de carreira, uma mulher mãe esteja mais próxima de um homem que decide acompanhar o pai com Alzheimer, que de mulheres sem filhos.

É uma observação simples, provavelmente sem grande interesse, o problema está em que a desvalorização social da maternidade, e a hipervalorização da carreira, condicionam políticas públicas que em vez de terem como objectivo garantir a igualdade entre mulheres e homens (um objectivo social meritório, mas grandemente alcançado), deveriam ter como objectivo aligeirar o peso e o custo que a maternidade representa profissionalmente para uma mãe.

E, ideologicamente, é fortíssima a oposição à ideia de que realmente há diferenças entre homens e mulheres, uma das quais o efeito profissional da maternidade, que não só é ineficaz tentar anular, como nos desvia do essencial: se o Estado, os políticos e os eleitores não querem estar quietos em relação a essa diferença, ao menos que não confundam a necessidade de olhar para a maternidade num contexto profissional como uma mera sub-secção da grande luta das mulheres.

É para a maternidade que vale a pena olhar, de maneira geral as mulheres são capazes de tomar conta delas sem precisar de ninguém, não precisam de políticas para se impor profissionalmente, embora as que são mães agradeçam que se reconheça o valor social da maternidade.

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