sexta-feira, 26 de junho de 2026

Um comunicado

Tencionava (na verdade, tenciono, o que nem sempre se materializa depois), ainda voltar à discussão sobre a prevalência das opções individuais sobre as opções familiares, mas chamou-me a atenção o comunicado conjunto dos Estados Unidos e grande parte dos países do Golfo Pérsico.

Primeiro, o Irão deixou de falar de Gaza, dos palestinianos e agora são estes países árabes que, nos limites da ambiguidade diplomática, vêm dizer que é preciso virar a página, ao mesmo tempo que Israel vai eliminando dirigentes do Hamas, sem grande controvérsia, enquanto o Hamas se recusa a depor as armas.

Depois estes países árabes não falam da ameaça sionista mas da ameaça iraniana, deixando claro que contam com os Estados Unidos para se defender da ameaça iraniana.

Acrescentam ainda a necessidade de cessar-fogo no Líbano, que todos sabem que quer dizer que o Hezbollah deixa de se entretar a mandar rockets e mísseis para Israel, na prática, a forma de obter um cessar-fogo no Líbano é o Hezbollah deixar de atacar Israel, e isso representa uma viragem brutal do Irão, a verificar-se.

Por fim, falam da Síria e reforçam a ideia de que é preciso acabar com os grupos armados não estatais, o principal instrumento usado pelo Irão para impor alguma hegemonia da região.

Resumindo, eu não sei o que realmente se passa, o que sei é que o que se consegue perceber destes movimentos diplomáticos é que a relação de forças no médio-oriente parece estar a mudar e não é no sentido que o regime iraniano defendia até há muito pouco tempo.

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