sábado, 27 de junho de 2026

A invasão de "sociais-democracias"

 

Vem este apontamento a propósito de uma entrevista televisiva de ontem, na qual, uma vez mais, uma senhora do Livre se proclamou de esquerda, social-democrata, ecologista, etc, etc. 

Recordei, então, um certo desembarque meu em Santa Apolónia, nos primeiros dias de Junho de 2011, seguido de uma caminhada até ao Terreiro do Paço, onde fui dar de caras com uma "arruada" do PSD. Estava-se em plena campanha eleitoral, Sócrates tinha levado o País à bancarrota e Passos Coelho, à frente do PSD, abalançara-se à imbricada missão de nos reerguer.

Um aparte: tenho de Passos Coelho uma impressão sobejamente positiva. A circunstância  de Massamá forever contribui para tanto. Penso que reagiu desastradamente à habilidade de Costa - a Geringonça - e perdeu com isso. Politicamente, e na perspectiva partidária vigente nesta pobre e achincalhada Nação. Mas tenho-o na conta de um verdadeiro social-democrata, um genuíno defensor da social-democracia em que acredito.

Ainda outro aparte: fui encontrar, nas hostes acompanhantes de Passos, um antigo administrador de uma empresa de que eu era advogado avençado. - Então, você por aqui? - Sim, imagine que esta malta nos quer tirar na reforma, que desgraça... - Nem retorqui. Para quê? Como era possível o cavalheiro não ter percebido o que vinha aí?! E segui caminho, ainda apanhando no retrato Passos Coelho imergindo na multidão.

Houve eleições, logo após, e o resto todos sabem. A Esquerda - então jamais social-democrata - tomou conta dos megafones e tudo fez para, em seu proveito, escangalhar o pagamento dos árduos encargos de uma herança socrática em que o passivo descaradamente ultrapassava o activo.

...

Assim tornamos ao presente, em que é devida uma palavra de louvor ao PCP, tão-só pela sua congruência: ainda é comunista! Os antigos leninistas, estalinistas, trotskistas, unidos e manhosos, são agora... sociais-democratas!!!

Evidentemente, um país dotado de educação política rir-se-ia, apenas. Mas Portugal não é bem isso. O recado vai subliminarmente passando, mesmo sendo transparente que o comportamento político desses "sociais-democratas" de fresca data em nada foi modificado. Vale dizer: barulho, demagogia, as tramoias que inventam, a rua (que não lhes pertence) como palco da sua política maniqueísta, os chamados "temas fracturantes" de que se socorrem, como meio de manter a tensão social.

Quem se desse ao trabalho de ir à fonte... conheceria que a questão vem do tempo do "socialismo utópico" versus "socialismo científico", dos mencheviques massacrados pelos bolcheviques, do pacto de não agressão celebrado entre Hitler e Estaline.

Tal qual Karl Marx dogmatizou o programa da evolução histórica, e relativizou os argumentos utilizáveis para alcança a sua sociedade-modelo.

7 comentários:

  1. "Mas tenho-o na conta de um verdadeiro social-democrata, um genuíno defensor da social-democracia em que acredito."

    Marxistas, por isso, PPC não foi a lado nenhum, governou 4 anos sem fazer praticamente nenhuma reforma estrutural e sob alçada do FMI e foi corrido pelos canalhas dos eleitores ao não conseguir votos suficientes para ter maioria absoluta.
    O comunista Costa, formou a geringonça e continuou a enterrar o país, tal como os eleitores escolheram.

    Contra estas canalhices, só poderemos contar com o aumento da pressão financeira (foi esta que levou a que Pinócrates se demitisse, pois já não conseguia financiamento externo em lado nenhum).

    Acreditar na social-democracia é simplesmente patético, tanto que os sistema de reformas da segurança social não passa dum esquema em pirâmide, que depende do financiamento externo e não das contribuições dos trabalhadores e empresas.

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  2. Respostas
    1. Há aí uma falta de argumentos para sustentar essa ideia.

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    2. É mais falta de tempo e paciência....

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    3. Tem aí uma notícia fresquinha que conta como mais um argumento.

      https://www.jornaldenegocios.pt/economia/financas-publicas/detalhe/defice-das-contas-publicas-agrava-se-para-1-762-milhoes-de-euros-ate-maio

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    4. O mau desempenho do Governo da República não serve de argumento; só se quiser sustentar que um governo liberal, fosse qual fosse, obteria melhores resultados.
      Não o creio capaz dessa "façanha"

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    5. O argumento que eu estava a referir-me é apenas que o défice referido significa um aumento da pressão financeira.

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