Uma das bases ideológicas do, actualmente agonizante, movimento ambientalista é a oposição ao eucalipto, a tal ponto que, num incêndio em que podem ter ardido zimbrais (não confirmei), haja organizações ambientais a falar de eucaliptos, a propósito de fogos em Valpaços (um mosaico com 30% de área agrícola, de Espanha e de França, onde a espécie está virtualmente ausente).
Uma das principais razões para esta agonia e falta de enraízamento social e, consequentemente, capacidade de influência social, é exactamente o desfazamento completo entre as organizações e a realidade, potenciado por organizações em que dirigentes e funcionários se confundem, com financiamento proveniente de projectos, do Estado ou privados, e não dos sócios, ou seja, da confusão entre empresas de prestação de serviços ambientais e organizações de pessoas com interesses ambientais comuns.
Porque a realidade é irrelevante, o absurdo da oposição ao eucalipto mantém-se como marca identitária dos movimento ambientalista, pese embora a relativa moderação de muitos ambientalistas actuais, que já não são contra o eucalipto em si, só são contra o eucalipto em nós.
Um dos mitos fundadores dessas ideologia está nas campanhas de arranque de eucaliptos ali pelos anos 80 do século passado, quando a rápida expansão do eucalipto, como resposta ao abandono e ao fogo, foi confundida com obscuras jogadas de interesses eles próprios obscuros.
O mito da Veiga de Lila vai emergindo periodicamente (eu próprio só reparei que estava a fazer um post exactamente com o título de um anterior quando quis verificar uma coisa qualquer), e esta seria uma boa altura para emergir.
Veiga de Lila não ardeu, está relativamente longe do fogo que começou em Valpaços e já vai nuns largos milhares de hectares, mas o que ardeu em Valpaços tem as mesmas características que o resto do concelho, incluindo Veiga de Lila, portanto, quando vos disserem que o arranque de eucaliptos há uns 40 anos resultou na ausência de fogos, não acreditem, é treta.
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