A paginas tantas do seu discurso do 10 de Junho, o Presidente Seguro disse - e os jornais muito enfatizaram - ser precisa (a Portugal) «muita coragem para fazer escolhas difíceis sem ceder ao populismo». Ou muito me engano ou o alcance desta afirmação é o das reformas estruturais sempre prometidas e sempre adiadas. A Saúde, o Ensino, a Justiça e, já agora, o Fisco que nos estrangula em nome da voracidade estatal. Enfim, aquilo em que já ninguém crê mas dá para uns parágrafos de retórica.
E sim, tal implica coragem, opções duras e a sua consequente impopularidade. O que não se entende é onde entra o famigerado "populismo" em tudo isto. De resto, essa relativamente jovem locução - "o populismo" - filha de uma Esquerda manifestamente caduca e sem força eleitoral, sempre foi e continuará a ser, em substância, a política da referida Esquerda marxista, mais o seu megafone clamando por aumentos salariais impossíveis e o mais da demagogia que a caracteriza.
Habilmente, dando-se conta do crescimento eleitoral do Chega e dos excessos e histeria de Ventura, a Esquerda inverteu o ónus. Populistas passaram a ser os xenófobos, homófobos, racistas, a chamada extrema-direita - os "fascistas" de retorno - que, sem um mínimo de sageza governativa, lá vão pondo a nu evidências tão clamorosas como a anarquia instalada nos circuitos da imigração, a insegurança nas ruas e tudo o mais que os cidadãos (compreensivelmente) não gostam. Criaram o seu fetiche, um passa-culpas hoje, felizmente, falando por si mesmo, a avaliar pelo que se vai sabendo acontecer nas grandes cidades e suas gaiolas habitacionais, ou nos meios rurais, com a exploração da mão-de-obra estrangeira.
Foi a Esquerda quem atribuiu ao Chega o segundo lugar no ranking parlamentar. Que não subsistam dúvidas. E por muito que Ventura sonhe com esse dia, nunca ele advirá - um partido de protesto não consta venha a ser maioritário, ou disponha de meios humanos idóneos para governar.
Daí o mau serviço do Presidente da República. É que tanto o PSD como o PS já deram provas de, no curso de tantas décadas, mais se empenharem em vitórias eleitorais do que em reformar. Razão porque se acusarão sempre, mutuamente, de conluios com os "populistas". O alerta de Seguro é inócuo e seria dispensável. Peca por politiquice. Vale o mesmo dizer, para o ano cá estaremos outra vez, ouvindo o mesmo discurso, no mesmo atraso de sempre. É a nossa sina...
O Discurso do Presidente da República foi de circunstância e mais não se esperava, nem era preciso.
ResponderEliminarÁ Direita nada de Novo, André Ventura faz o que deve, honra lhe seja feita, mas o Chega esgota-se nisso e mais não diz.
O PSD cumpre o calendário, com a criatividade da beata na ida diária á sacristia.
As Esquerdas; acantonadas nas suas irrelevâncias fazem só o indispensável para flutuar, sem ambição, medíocres e sem grandeza.
O PS parece estar só á espera que a coisa lhe caia no colo, embora se pressinta que os gatos se agitam no saco.
Mas o ar está parado, pardacento e quase se pode dizer infeliz
Uma miséria triste, sem esperança e deprimente como um beco sem saída
Eu se fosse Presidente da República recusava fazer Discursos
Confesso, concordo por inteiro com o ilustre anónimo
Eliminaros meios rurais, com a exploração da mão-de-obra estrangeira
ResponderEliminarNão tome a parte pelo todo. Há certamente muitos imigrantes explorados. Mas há muitos outros que não o são.
Eu vejo com alguma frequência imigrantes a vender os produtos de quintas agrícolas das quais são empregados. Parecem-me pessoas satisfeitas e bem integradas, com uma boa interação com os seus patrões. Só o facto de estarem ali, a lidarem com o dinheiro os seus patrões, mostra que são pessoas em que os patrões confiam e que não tratam ao pontapé.
Claro que sim tal qual há migrantes citadinos bem instalados. A alusão é a situações repetidas e extremas
EliminarInsisto. Falta vontade/coragem política para implementar, rapidamente e em força, reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.
ResponderEliminarComo não há vontade/coragem política para implementar reformas estruturais, resta-nos o aumento da pressão financeira para a implementação dos ajustamentos intensamente suaves.
Um regime que diz que caminha para o socialismo, em que a dívida publica está perto dos 100% do PIB apesar da inflação desenhada para a baixar, os seus dois maiores partidos são o socialista e o social democrata, e no qual os seus jornalistas dizem e escrevem que algo é grátis quando na verdade é pago pelos contribuintes e ou pela divida publica é um regime populista.
ResponderEliminarJá controlar as fronteiras, deixar entrar só quem se quer não é populismo.
"É que tanto o PSD como o PS já deram provas de, no curso de tantas décadas, mais se empenharem em vitórias eleitorais do que em reformar"
ResponderEliminarPor outras palavras, são o cúmulo do "populismo" - apenas servem para "caçar" votos. Não é novidade...
Caro Senhor
ResponderEliminarNão se esqueçade que o actual presidente -Seguro, não é mais do que uma partida dos deuses clássicos, ao anterior presidente - Marcelo., Apretensa dimensão intelectual dele( e outras; todas!) , comparada com a total ausência dela do actual .
É seguro que Marcelo foi apenas uma primeira parte de uma anedota acerca da pretensiosidade humana. Marcelices ...
Cumprimentos