quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Itamar Ben-Gvir

 Apesar de já ter escrito sobre uma questão concreta relacionada com Itamar Ben-Gvir (sobre a manipulação habitual de declarações, o senhor fala em matar trinta a quarenta combatentes do Hamas por noite, em vez da política oficial do governo israelita de apenas matar os que representam uma ameaça iminente e gera-se uma onda deturpadora insinuando que o senhor está a falar de matar trinta a quarenta palestinianos quaisquer, uma maneira estúpida de exterminar os palestinianos quando todos os dias nascem cerca de130 a 150 pessoas em Gaza), para fazer este post tive de ir ver qualquer coisa sobre o senhor na Wikipedia, de tal maneira tenho pouco interesse no senhor e no que diz.

Mas insistem em saber a minha opinião sobre o senhor, apesar de eu não ter nem opinião, nem interesse, no senhor.

Foi ao ler o artigo de José Manuel Fernandes no Observador, hoje, achei que fazia sentido lembrar o que tem acontecido quando os partidos moderados e maiores resolvem ostracizar os extremos.

Tanto quanto sei, o senhor é um radical que representa menos de 10% do eleitorado (duplicou a sua votação nas últimas eleições), sendo por isso para mim um mistério por que razão alguém sensato deverá ligar alguma coisa ao que diz.

Se um dia representar um eleitorado muito maior, o problema não será ele, o problema está nas condições de contexto que favorecem o crescimento dos radicais.

Um radical estar ou não no governo (Francisco Louçã, que era do Conselho Geral do Banco de Portugal, apesar de ser um radical anti-capitalista, garantia que Mariana Mortágua seria um dia ministra das finanças, o que pode vir a acontecer, de facto, mas não só não parece provável nos próximos tempos, como essa possibilidade não me parece assustadora) é mais ou menos irrelevante.

Quando António Costa dependia do apoio do radicais do BE e do PCP, isso não levou à saída de Portugal da Nato, apesar das declarações desses partidos sobre a Nato serem o que são.

Até que o senhor Itamar tenha real peso para influenciar, de forma determinante, o governo de Israel, não vejo outra razão para lhe ligar alguma coisa que não seja tentar perceber o que leva o seu eleitorado a crescer.

O que ele diz não me interessa, como acontece com a generalidade dos políticos, aos políticos espero que façam coisas para eu ter opiniões sobre eles.

Aproveitar as barbaridades que o senhor possa dizer (parece que diz algumas, mas como não tenho vontade de as ir verificar, nem afirmo que as diga, acho provável, mas não afirmo) para tentar demonstrar que o governo de Israel pretende ou faz isto ou aquilo, demonstra mais a fragilidade dos argumentos existentes para criticar o Governo de Israel do que acrescenta alguma coisa à crítica séria ao governo de Netanyahu.

O relevante é que há a possibilidade de Netanyahu deixar de ser primeiro ministro de Israel nas próximas semanas, se perder as eleições.

Coisa impossível de acontecer em toda a região nos outros países e grupos armados, em que os dirigentes só correm o risco de ser substituídos pelas armas, não através de eleições.

O que diz Itamar Ben-Gvir não altera um átomo o curso dos acontecimentos.

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