quinta-feira, 11 de junho de 2026

Dizeres presidenciais

A paginas tantas do seu discurso do 10 de Junho, o Presidente Seguro disse - e os jornais muito enfatizaram - ser precisa (a Portugal) «muita coragem para fazer escolhas difíceis sem ceder ao populismo». Ou muito me engano ou o alcance desta afirmação é o das reformas estruturais sempre prometidas e sempre adiadas. A Saúde, o Ensino, a Justiça e, já agora, o Fisco que nos estrangula em nome da voracidade estatal. Enfim, aquilo em que já ninguém crê mas dá para uns parágrafos de retórica.

E sim, tal implica coragem, opções duras e a sua consequente impopularidade. O que não se entende é onde entra o famigerado "populismo" em tudo isto. De resto, essa relativamente jovem locução - "o populismo" - filha de uma Esquerda manifestamente caduca e sem força eleitoral, sempre foi e continuará a ser, em substância, a política da referida Esquerda marxista, mais o seu megafone clamando por aumentos salariais impossíveis e o mais da demagogia que a caracteriza.

Habilmente, dando-se conta do crescimento eleitoral do Chega e dos excessos e histeria de Ventura, a Esquerda inverteu o ónus. Populistas passaram a ser os xenófobos, homófobos, racistas, a chamada extrema-direita - os "fascistas" de retorno - que, sem um mínimo de sageza governativa, lá vão pondo a nu evidências tão clamorosas como a anarquia instalada nos circuitos da imigração, a insegurança nas ruas e tudo o mais que os cidadãos (compreensivelmente) não gostam. Criaram o seu fetiche, um passa-culpas hoje, felizmente, falando por si mesmo, a avaliar pelo que se vai sabendo acontecer nas grandes cidades e suas gaiolas habitacionais, ou nos meios rurais, com a exploração da mão-de-obra estrangeira.

Foi a Esquerda quem atribuiu ao Chega o segundo lugar no ranking parlamentar. Que não subsistam dúvidas. E por muito que Ventura sonhe com esse dia, nunca ele advirá - um partido de protesto não consta venha a ser maioritário,  ou disponha de meios humanos idóneos para governar.

Daí o mau serviço do Presidente da República. É que tanto o PSD como o PS já deram provas de, no curso de tantas décadas, mais se empenharem em vitórias eleitorais do que em reformar. Razão porque se acusarão sempre, mutuamente, de conluios com os "populistas". O alerta de Seguro é inócuo e seria dispensável. Peca por politiquice. Vale o mesmo dizer, para o ano cá estaremos outra vez, ouvindo o mesmo discurso, no mesmo atraso de sempre. É a nossa sina... 

3 comentários:

  1. O Discurso do Presidente da República foi de circunstância e mais não se esperava, nem era preciso.

    Á Direita nada de Novo, André Ventura faz o que deve, honra lhe seja feita, mas o Chega esgota-se nisso e mais não diz.

    O PSD cumpre o calendário, com a criatividade da beata na ida diária á sacristia.

    As Esquerdas; acantonadas nas suas irrelevâncias fazem só o indispensável para flutuar, sem ambição, medíocres e sem grandeza.

    O PS parece estar só á espera que a coisa lhe caia no colo, embora se pressinta que os gatos se agitam no saco.

    Mas o ar está parado, pardacento e quase se pode dizer infeliz

    Uma miséria triste, sem esperança e deprimente como um beco sem saída

    Eu se fosse Presidente da República recusava fazer Discursos





    ResponderEliminar
  2. os meios rurais, com a exploração da mão-de-obra estrangeira

    Não tome a parte pelo todo. Há certamente muitos imigrantes explorados. Mas há muitos outros que não o são.

    Eu vejo com alguma frequência imigrantes a vender os produtos de quintas agrícolas das quais são empregados. Parecem-me pessoas satisfeitas e bem integradas, com uma boa interação com os seus patrões. Só o facto de estarem ali, a lidarem com o dinheiro os seus patrões, mostra que são pessoas em que os patrões confiam e que não tratam ao pontapé.

    ResponderEliminar
  3. Insisto. Falta vontade/coragem política para implementar, rapidamente e em força, reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.
    Como não há vontade/coragem política para implementar reformas estruturais, resta-nos o aumento da pressão financeira para a implementação dos ajustamentos intensamente suaves.

    ResponderEliminar

Dizeres presidenciais

A paginas tantas do seu discurso do 10 de Junho, o Presidente Seguro disse - e os jornais muito enfatizaram - ser precisa (a Portugal) « mui...