terça-feira, 9 de junho de 2026

A visita papal a Espanha

Tenho andado pela Catalunha nos dois últimos anos. Visitei Montserrat, ao que soube agora - outros saberiam, entretanto, mas a Imprensa disso não fez eco - um coito de pederastas a que, circunstância terrível, - soa agora na tal Imprensa - o Papa Leão XIV deu como coisa menor, inoportuna e sem dignidade para uma explicação (por estas e por outras coincidências de tempo e lugar é que não retiro o avental da malfadada Imprensa); e andei um tanto por Barcelona onde a basílica da Sagrada Família é uma incontornável visita.
Tem uma história única no mundo ocidental: está em construção desde 1883 até ao presente em que dizem as gruas serão retiradas finalmente e a obra dada como conclusa.
Esse século e meio de história e arquitectura e engenharia, confesso, é o que nela vejo de mais significativo. São, contas por alto, quatro alongadas gerações tentando simbolizar a eternidade da Divina Criação, e a persistência, ou resistência, do Homem. Mas isto é a visão de um católico, que sou e serei, e o CF não é uma aula de catequese; por isso, o apontamento vale apenas como lembrança do acaso ou do propósito da visita papal neste derradeiro momento do monumento finalizado.
Antes não descuraria (como católico) reflectir sobre o que é a Espanha actual. Talvez comparando-a com a dos tempos de Suarez ou de Gonzalez. Tempos de belicismo basco e de conseguidos equilíbrios nas restantes regiões, sempre prontas a alevantarem-se contra Madrid. Mas havia políticos, a Casa Real era uma referência incontestada e o mundo woke nem sequer se sonhava. A Espanha em nada diferia dos mais países da Europa meridional.
Hoje não é assim. A Espanha desgasta-se em modernismos, desmoraliza-se, deixa impunemente a sua História recente ser desvirtuada pelas mais conseguidas fórmulas maniqueístas; levou aos limites o laicismo e é possessão de discursos incendiários e fragmentadores de natureza diversa. O que Puigdemont disse do Papa não o disseram os mais inflamados islamitas. 
Talvez por isso tudo, a visita de Leão XIV. Uma coisa é certa: bastou a presença de Felipe VI para lhe conferir, discreta e simplesmente, o estatuto (ao menos) de uma visita de Estado.
Por supuesto. Na remota hipótese de o Reino ter o seu fim, a Espanha envergonhar-se-á da sua sul-americanização. E a Europa acarretará nova carga de problemas às costas, povoada de Sanchez's e similares.

 

6 comentários:

  1. "A Espanha desgasta-se em modernismos, desmoraliza-se, deixa impunemente a sua História recente ser desvirtuada pelas mais conseguidas fórmulas maniqueístas; levou aos limites o laicismo e é possessão de discursos incendiários e fragmentadores de natureza diversa."

    A estadia de Sanchez no poder é mais uma vitória das forças revolucionárias.
    Sanchez tem demolido o que consegue demolir, tanto economicamente, como socialmente e moralmente.
    Quando os conservadores estiveram no poder, faltou vontade/coragem política para implementar, rapidamente e em força, reformas estruturais, a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais.

    Não é Papa Leão XIV, é Robert Francis Prevoust.

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    1. Concordo com quase tudo menos (sobretudo) com a sua nota final. Perante o mundo (católico e não só) é Leão XIV.

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    2. Comunistas, Marxistas, etc, não são católicos.
      Se não é católico, muito menos é Papa (apesar de estar onde está), tal como Bergoglio.
      Compete aos católicos, perceber a situação através do estudo da teologia católica, ou, pelo menos, ter uma maior cultura geral que permita analisar esse tipo de situações.

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    3. Caro Silva, nessa discussão não entro. Fé e fidelidade para mim são a mesma coisa. Quer quer? Outro cisma?

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  2. Acredito que tarde ou cedo a Espanha se reencontrará.

    A Espanha está despedaçada e fragmentada entre um desejo desesperado e masoquista de querer ser e parecer moderna e avançada e ao mesmo tempo, ser a Espanha que sempre foi.

    A Espanha sofre de uma espécie de complexo de culpa particularmente visível nas touradas;
    Está -lhes na massa do sangue e eles deliram com o sangue e a morte do animal
    mas sabem também, que a coisa é condenada pelo mundo civilizado e isso deixá-los desconfortáveis e doentes.

    A Espanha tem de ir ao psiquiatra






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  3. A Guerra Civil, ressuscitada por um canalha como Zapatero e alimentada, por mero instinto de sobrevivência ( além do temor ao banco dos réus ) por outro como Sanchez , preside nos dias de hoje à política espanhola.
    E, na hipótese inverosímil "de o Reino ter o seu fim" , de quantos milhares de mortos estamos a falar?...

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