Os negócios activos de um primeiro ministro em funções não dizem respeito à sua vida privada, devem ser claramente escrutinados, ao contrário do que tem sido prática em Portugal.
Felizmente, no caso de Montenegro, essa prática foi abandonada e houve escrutínio à séria.
Conclusões?
Sim, o primeiro ministro em funções teve participação, por via do seu regime de casamento, num negócio privado activo.
Não, o primeiro ministro em funções não participa na gestão nem tem qualquer cargo nessa empresa.
Não, o primeiro ministro em funções nunca recebeu pagamentos dessa empresa, embora pudesse estar a beneficiar da sua potencial valorização, em função da política de distribuição de resultados da empresa.
A inovação de se considerar que todos as receitas da família do primeiro ministro em funções devem ser tratadas como receitas do próprio primeiro ministro corresponde a um retrocesso social brutal, em especial no que diz respeito à independência e respeito pelos direitos dos cônjuges (que, como é o caso, são frequentemente mulheres a quem se pretende negar a sua autonomia dentro do casamento) e não tem qualquer base legal ou ética.
Na dúvida, a sua mulher, com o seu consentimento como é de lei, em função do regime de bens do casamento, doou a sua parte aos filhos, deixando, portanto, de ter qualquer ligação com a empresa e eliminado qualquer benefício potencial que pudesse existir da valorização da empresa.
Esta é a situação base, mas faz algum sentido avaliar o histórico da empresa para perceber em que medida poderá haver conflitos de interesses potenciais.
Os conflitos potenciais de interesses não são matéria exclusiva da vida empresarial, por exemplo, uma das questões mais relevantes do processo influencier, mas poderia ser de um eventual processo sobre a gestão da renacionalização da TAP, é saber se Diogo Lacerda Machado intervém nos processos meramente pela sua actividade profissional, ou se usou a sua pública amizade e proximidade com o então primeiro ministro em funções para obter vantagens (mais uma vez, as vantagens não são apenas vantagens materiais, a vantagem política não tem mais dignidade que a vantagem financeira, por exemplo) para si, ou para terceiros, incluindo o primeiro ministro em funções que o nomeou, independentemente de haver, ou não, qualquer vínculo empresarial formal entre os dois.
A empresa foi fundada pelo actual primeiro ministro em funções, baseada em grande parte no seu círculo de relações, como acontece com qualquer pequena empresa que se lança neste mercado, com actividades nas áreas da consultoria empresarial, incluindo na protecção de dados, tendo o actual primeiro ministro em funções envolvido a mulher e os filhos na empresa.
Quando, por via da sua eleição para manda-chuva do PSD - que pressupõe a possibilidade de um dia ser primeiro ministro, desde que aguentasse internamente os quatro anos de oposição que seria de esperar da maioria absoluta do PS na altura - o actual primeiro ministro se desliga da actividade da empresa, a empresa perde praticamente toda a actividade de consultoria empresarial fora da protecção de dados, área em que entretanto tinha criado uma posição tranquila no mercado, ao contrário do que acontecia nas outras actividades da empresa, fortemente baseadas no actual primeiro ministro.
Resumindo, nada de relevante e condenável resulta do escrutínio profundo da avaliação aos negócios activos de um primeiro ministro em funções.
A única coisa relevante, do ponto de vista do processo político, foi a adopção, pelo PS, das habituais posições do PC, BE e Chega em relação a este tipo de matérias, que consiste em tomar cada suspeita como uma certeza, independentemente da solidez dessa suspeita, fazendo sistemáticamente potenciais ligações a interesses escondidos, para demonstrar a iniquidade dos outros, sobretudo em contraste com a pureza moral desses partidos.
Essa é a única novidade neste processo e, infelizmente, não é uma boa novidade, que se espera que se altere depois das eleições, em função da luta fratricida dentro do PS entre os demagogos que o dominam actualmente e as pessoas decentes que lá existem.
Se está tudo bem e nada há a apontar, para quê tanta defesa, até a múmia saiu do sarcofago para defender o chico esperto de Espinho.
ResponderEliminarO que é que o homem terá para dar que tantos não lhe largam a porta.
nada me admira nesta republiqueta cuja CRP me obriga a caminhar para «a sociedade socialista»
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ResponderEliminartodos as receitas da família do primeiro ministro em funções devem ser tratadas como receitas do próprio primeiro ministro
Bem, se as pessoas se casam com comunhão de adquiridos, e se as pessoas têm contas bancárias em comum, e se as pessoas fazem declarações de rendimentos em comum, então é normal que se identifique as receitas da família como sendo receitas de cada um dos membros dela.
Não há dúvida que o efeito de halo é óptimo para tirar conclusões sérias (?). Eu só imagino se por acaso o pato-bravo fosse do PS e recebesse as mesmas avenças se o escrutínio continuava a ser irrelevante e nada condenável.
ResponderEliminarSeja isento, não seja manipulador, a política quer-se séria e não com joguinhos da treta.
ResponderEliminarO eixo da questão continuará a ser a Assembleia da República e o dever que esta tem de fiscalizar as acções do PM e dos Governos, via Comissões Parlamentares de Inquérito.
Entretanto, Constituição da RP. Art. 178, nº 2.:
"A composição das comissões corresponde à representatividade dos partidos na Assembleia da República."
Portanto tudo bem, tudo constitucional, só que como bem sabemos os deputados foram previamente escolhidos (e serão futuramente escolhidos) pelos líderes dos partidos. Já assistimos a como tudo ocorre nas CPIs. Agora, mais uma vez, veremos o poder político exercido ao contrário. Os constitucionalistas de Abril lá sabiam o que escrever e aprovar.
Dois acontecimentos com autores completamente diferentes:
ResponderEliminarA Revolução no dia 25 de Abril.
A Constituinte, a elaboração e a consequente aprovação da Constituição.
Lacerda Machado é apenas um _ entre muitos exemplos _ que nos traz à memória o clima do(s) "reinado"(s) socialista(s). Ainda bem que lembrou o caso. Bastante oportuno por comparação ao que se passa hoje na nossa CS.
ResponderEliminar"Eu só imagino se..."
ResponderEliminarNão precisa de imaginar. Os seus pêiesses não são escrutinados e se fossem nada haveria de irrelevante ou condenável. É sempre tudo uma cabala, uma perseguição.
Deixe-se e joguinhos da treta.. .
"Até a múmia saiu do sarcófago para defender o chico esparto de Espinho" só por esta frase se consegue avaliar a sua falta de idoneidade e principios. A pessoa a que depreciativamente se refere como múmia felizmente está bem viva e deve ser respeitado como qualquer outro independentemente das suas ideias mas para além disso respeitado também, porque nos cincoenta e um ano da democracia portuguesa foi o único ter em eleições quatro maiorias absolutas por vontade expressa dos portugueses o mostra bem o seu valor e verdade seja dita (esta é a minha ideia)Portugal hoje seria bem pior se isso não tivesse acontecido.
ResponderEliminarQuanto ao resto resto também podemos perguntar quanto é que se ganha pelas opiniões que se escrevem contra Luis Montenegro como é o seu caso?
Palpita-me que há sobreviventes daquele "exército de bots" que os socialistas pagaram por 40 Mil euros a uma agência para fazerem a campanha das legislativas. O "trabalho" consistia em criar 300 perfis falsos para disseminar mensagens favoráveis ao partido socialista e de ataque ao principal partido opositor.
ResponderEliminarbots
Se há alguma coisa a apontar, aponte.
ResponderEliminarAcha que sim?
ResponderEliminarSuponho que saiba que isso depende de família para família, havendo famílias em que os rendimentos das diferentes pessoas são tratadas, pela família, como caixas estanques, até famílias que põem tudo num bolo comum que é gerido de forma igualmente comum.
O que manifestamente não existe, nem legal, nem fiscalmente, é a ideia de que o dinheiro recebido (nem é os lucros, são as receitas, o que é extraordinário) por uma empresa é dos donos da empresa, e não da empresa.
As "encomendas" eram feitas em reuniões na sede do PS.
ResponderEliminarVale a pena ler o artigo na íntegra aqui:
O que acontece é que quem recebia avenças, por trabalho comprovadamente feito, era a empresa, e não os seus donos, logo, Montenegro não recebeu coisa nenhuma da empresa, ao contrário do que está a dizer.
ResponderEliminarPoderia beneficiar com a valorização da empresa (o que, evidentemente, não é nem ilegal, nem imoral), mas essa efeito potencial acabou no momento em que doou a sua quota.
ResponderEliminarisso depende de família para família
Sem dúvida.
Porém, é como digo: se as famílias não querem ser unas do ponto de vista financeiro, então devem começar por, ou não se casarem, ou então usarem o casamento com separação de bens, e depois não terem contas bancárias conjuntas nem declarações fiscais conjuntas.
Devem também ter o cuidado de não formarem empresas em conjunto. Se a mulher quer ter uma atividade empresarial, pois que tenha, mas o marido não tem nada que ser também dono da empresa (e vice-versa).
Se as famílias não seguem estes preceitos elementares, então é expectável que o mundo em redor as encare como sendo financeiramente unas.
Independentemente dessas opiniões sobre o que devem ser as famílias, isso é completamente irrelevante: quem recebeu dinheiro foi a empresa, não a família.
ResponderEliminarMOntenegro irá contra os interesses instalados, alguns dos quais emanando do seu próprio partido, pelo que esta campanha é necessária e fundamental para o manter afastado do Poder.
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ResponderEliminarquem recebeu dinheiro foi a empresa, não a família
Isso é verdade.
Mas o dinheiro que uma empresa qualquer recebe, alguma forma haverá de ele sair dela para ir remunerar os seus proprietários (como é legítimo e adequado).
Não vi as contas da Spinumviva (e, mesmo que visse, como não sou contabilista não as entenderia), mas é para mim evidente que o dinheiro que diversas empresas lhe pagaram terá acabado, em boa parte, por ter ido parar aos bolsos de Luís Montenegro e/ou da sua mulher (ou mais provavelmente a uma conta bancária conjunta de ambos).
Doou a cota aos filhos, sendo um ainda adolescente. Se isto não é a defenição de um testa de ferro, não sei o que será.
ResponderEliminarPode ser evidente para si que, como disse, não viu as contas.
ResponderEliminarPara quem viu as contas, não é nada evidente: a spinumviva nunca pagou nada aos seus proprietários, tem uma lógica de reforço de capitalização que implica não distribuir os resultados.
Isso não é uma definição de testa de ferro, isso é mentira.
ResponderEliminarMas, ainda que fosse verdade, é irrelevante a quem doou a quota, o facto é que deixou de ser dono da empresa.
Adolescence mas com crédito e formação na área de negócio
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ResponderEliminar"...foi o único" a "ter em eleições quatro maiorias absolutas" na AR, mas com apenas metade dos votos expressos.
Na verdade não convenceu 3/4 dos portuguêses (a maioria). Uns que até votaram contra. Outros que o ignoraram, sabe-se lá porquê.
Os bots do PS ainda estão activos e recomendam-se. Descobriram 300 mas deve haver outros tantos. E, ainda, há os bots vivos, digamos assim, os tais a quem já nem faltam as penas, como são casos dos Carlos Sousas, Balios, Lavouras e Anónimos de vários flavours, que continuam a enxamear as caixas de comentários por todo o lado.
ResponderEliminarE depois, têm estes tipos do PS a distinta lata de vir com leis para combater a desinformação nas redes.
Acho que quem vota nesta gentalha é bem pior que eles.
Bem dito.
ResponderEliminarA lógica da empresa sempre foi a de reinvestir, o que prova uma estratégia de crescimento a longo prazo.
Continuam fortes na campanha anti montenegro.
ResponderEliminarNão tinha carisma e estava a prazo, agora o pecado é ter sudo empresário. Empresário. Ainda se tivesse sido consultor da galp depois de ter sido ministro, ou assessor da comissão observadora, tudo bem, agora empresário?
Felizmente há vozes esclarecidas em sua defesa. Espero que o esforço valha a pena, e que Portugal seja recompensado com o seu DOGE.
A indigência (pobreza intelectual) e desfaçatez desta sua resposta provocatória e mentirosa mostra bem a falta de idoneidade e de principios que lhe notei, obrigado!
ResponderEliminarMas tu estaras bem da cabeça? Achas mesmo q e tudo parvo?
ResponderEliminarNão, não acho, alguns são parvos, e outros não.
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