terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Ainda a propósito de jornais

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Talvez fosse importante perceber o que motiva o leitor na era digital a comprar um jornal. Confesso que, talvez por comodismo, há muitos anos que compro o Expresso, que, para lá de alguns colunistas que me habituei a seguir, cada vez menos me vem surpreendendo com algum trabalho de verdadeiro interesse. Já me tem acontecido comprá-lo e esquecer-me de o ler.


Dizia alguém há dias numa rede social que a razão da crise nos jornais em particular e no jornalismo em geral é que, perante a profusa circulação de informação, mediada ou não, que a Internet disponibiliza, já pouca novidade se encontra num jornal. Se esse dado parece inegável, o pior ainda é a perda de autoridade ou reputação das publicações quando veiculam trabalhos jornalísticos, a maior parte das vezes pouco sérios, e quase sempre parciais, sob a perspectiva da bolha intelectual do mainstream que nos apascenta a partir do Terreiro do Paço ou de Bruxelas – mera propaganda do status quo. O problema é não perceberem que, estando as audiências a minguar de dia para dia, os poucos que sobram merecem mais qualquer coisa do que o débito de preconceitos preguiçosos, pouco fundamentados e sem contraditório. Se tivermos em consideração que as gerações até aos 30 anos simplesmente não lêem jornais e não vêm televisão, percebe-se que é inexorável o fim do modelo de negócio das notícias como existiu durante o século XX, e por maioria de razão num mercado de consumidores exíguo como português. Pior, não perceberem que têm de tratar os poucos leitores como pessoas exigentes e informadas é um erro fatal.


Antes de terminar, confesso uma fraqueza: sempre gostei muito de jornais em papel, e tenho imensa pena que o seu tempo esteja a acabar. Por isso partilho aqui o exemplo do que não é admissível por parte dum jornal generalista como o Expresso, o recorte que aqui apresento no topo é retirado dum artigo publicado na última revista. Não se compreende que aquele semanário pretenda tomar parte na campanha eleitoral dos EUA, muito menos se entende como os leitores que pagaram 5,00€ pelo jornal não mereçam mais consideração, por exemplo no tratamento de questões complexas como as eleições americanas ou as alterações climáticas com um pouco mais de sofisticação. Ou então o Expresso pretende ser um mero panfleto publicado para os amigos, para contentar uma bolha cada vez mais pequena, envelhecida e… isolada da realidade.

15 comentários:

  1. Este título de notícia poderia estar em qualquer jornal português, o que quer dizer, como são todos iguais basta existir 1...
    Os jornais em Portugal são de esquerda e a única função é eleger o PS  e a esquerda, por isso é que o DN, JN, TSF já não são necessários, os outros têm demonstrado ser suficientes para esse serviço.

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  2. Olhando com olhos de ver a realidade...pouco falta para tal . Entretanto estou a ouvir a rádio Observador e (apesar de não estarem isentos de crítica) ainda é o meio de comunicação mais decente e rigoroso por cá no Rectângulo. 

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  3. De longe , mais inteligente, prático e útil os reputados produtos da  Fábrica de Papel Renova...
    Além de terem uma qualidade que os "esfregões" impressos não têm :   Integridade...
    Juromenha

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  4. O texto do Expresso é um conjunto de artigos publicado originalmente na revista "The Atlantic" e com o título genérico "If Trump wins", como se pode constatar no fim desse mesmo texto.


    "The Atlantic" é certamente um dos meios de CS americanos anti-Trump mais agressivos, o que diz muito sobre os cuidados do Expresso em escolher uma fonte minimamente fidedigna para nos instruir.

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  5. 100% de acordo. Eu já deixei, há mais de duas décadas, de comprar o jornal do regime... Gastar 5€ naquilo é puro masoquismo. 

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  6. Como já tenho dito, se o centro (PSD) ganhar não vai conseguir implementar nenhuma medida estrutural que não seja de esquerda que mude o funcionamento do país.
    Os protestos e "ofertas" serão tantas que nada se passará - como no Governo Durão Barroso - e isto sem contar sequer com o que afinal é esse  "centrismo"...

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  7. As palas ideológicas da maioria dos jornalistas impede-os de enxergar a realidade das coisas, e a verdade dos factos é vezes demais simplesmente omitida. Estão a dar cabo da cs tal como ainda é, Ju e, em consequência disso, dos próprios empregos. Valha-os Deus!

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  8. Já me tem acontecido [comprar o Expresso] e esquecer-me de o ler.


    Isso também me acontece com a prestigiada revista britânica The Economist. Compro-a, leio-lhe os títulos, depois esqueço-me de a ler. De facto, tal como o João com o Expresso, encontro nela cada vez menos que seja interessante, e cada vez mais propaganda.

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  9. não leio jornais nem revistas porque é 'merda embrulhada em papel cuchê'

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  10. Receberam 3 milhoes euro do Estado durante a pandemia e como tal podem dar-se ao luxo de serem parciais e insultar leitores. Alinhar com o poder que abomina quem vem de fora do sistema político como Trump, é a sua função, não vá acontecer o mesmo por cá. . Quando se acabar a mama é que vai ser bonito. 

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  11. Já são parciais há muito. 
    Deixei de comprar o Expresso quando em 2003 vinha com textos a dizer que os Americanos eram os grandes fornecedores de armamento a Saddam. Nem 1 % do exército Iraquiano tinha equipamento americano.

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  12. Já há muito que a The Economist não presta. Aconteceu o mesmo ás revistas americanas, Time, Newsweek, BusinessWeek que eu comprava para ler algo diferente.
    Quando os jornalistas escolheram passar a evangelizadores do progressismo  o jornalismo acabou. 

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  13. Curioso. Afirmam a pés juntos que a eventual vitória eleitoral do candidato a PR Trump, em Novembro, será ainda pior que o fim do mundo!. Dize-lo o actual PR Biden e a sua Vice-. Afirmam-o a pés juntos imensos "fazedores de opinão", a todos os níveis, nos EUA e até cá. O caos. Mas só não conseguem especificamente dizer o porquê, porque assim será!. 

    Provavelmente (tal como cá) referem-se, miopias, apenas ao próprio umbigo.

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