sábado, 4 de novembro de 2023

A questão da liberdade de expressão em Gaza

São frequentes os testemunhos de habitantes de Gaza.


Ao contrário do que acontece no resto do mundo, esses testemunhos são solidamente coerentes, não havendo grande disparidade de pontos de vista entre pessoas diferentes.


Em Israel há testemunhos com orientações muito variadas, com fortíssimas críticas ao governo e ao primeiro ministro, discussão de opções políticas, jornais, rádios e televisões com milhares de correspondentes estrangeiros que falam com quem querem e o que querem, mais ou menos onde querem.


Basta, aliás, ouvir Henrique Cymerman e os restantes jornalistas da SIC, ou de outro orgão se comunicação português que estejam em Israel, para constatar a normalidade da pluralidade de opinião.


Não assim em Gaza.


A razão é simples e conhecida: Gaza tem um governo de facto que é uma feroz ditadura de uma organização que desconhece, em absoluto, a separação de poderes, o Estado de direito e o direito internacional, defendendo que a única fonte de legitimidade é Alá e a unica lei legítima é a sharia.


Nestas circunstâncias, qualquer jornalista ocidental deveria ter sempre em atenção que os testemunhos que lhe chegam são testemunhos de uma população coagida, em que qualquer frase considerada inapropriada por quem detem o poder, pode conduzir a uma execução sumária, no caso dos homens, e à cadeia, no caso das mulheres, sendo o sistema prisional do território conhecido pela sua brutalidade e arbitrariedade.


Nenhum jornalista faria uma peça a partir do relato das condições de cativeiro de um refém que tem uma pistola apontada à cabeça, partindo do princípio de que esse testemunho traduz a realidade.


E, no entanto, é isso que é constantemente feito a partir dos testemunhos dos habitantes de Gaza.


Nem o mínimo de contexto objectivo é procurado, razão pela qual as contradições de alguns desses textos são evidentes, nomeadamente, a sistemática referência a bombardeamentos com dezenas de vítimas, partindo do princípio de que as áreas bombardeadas estão cheias de gente, ao mesmo tempo que se fala em mais de um milhão de deslocados.


Eu não sei quantos deslocados existem na Faixa de Gaza, as organizações da ONU falam em números à volta de um milhão, alguns falam num milhão em quatrocentos mil, eu não sei, mas vamos partir do princípio de que existe um milhão de deslocados e discutir o que isso significa.


A Faixa de Gaza tem cerca de dois milhões e picos de habitantes.


Desses, cerca de 400 mil vivem seguramente a Sul da linha de evacuação definida por Israel, sendo de esperar que o tal milhão de habitantes deslocados sejam de pessoas que se deslocaram do Norte dessa linha para Sul (aparentemente isso é confirmado pelo relato das condições de vida dos deslocados para Sul, no pressuposto de que essa informação é minimamente coerente com a realidade).


Dois milhões e duzentos mil menos 400 mil são um milhão e oitocentos mil, menos um milhão de refugiados, significa que Norte da linha de evacuação não estarão mais de oitocentas mil pessoas (todas estas contas são feitas da forma menos favorável possível aos meus argumentos).


Estas oitocentas mil pessoas estariam, de acordo com os tais testemunhos, maioritariamente refugiadas em hospitais, escolas, mesquitas, isto é, áreas consideradas mais seguras.


Assim sendo, como se continua a caractarizar as áreas bombardeadas como áreas habitacionais densamente povoadas, o que justificaria a enormidade dos números de mortos e feridos?


Eu não sei, limito-me a ter dúvidas a partir de indícios do tipo dos que descrevi acima e a saber da corrosão da verdade que resulta da falta de liberdade de expressão na Faixa de Gaza.


Aparentemente, ter dúvidas destas, expressá-las, fundamentá-las é, na douta análise de vários comentadores deste blog, apoiar o assassinato de crianças e estar, na questão da Palestina, na posição moral das tabaqueiras em relação à informação independente que ia sendo produzida pela ciência em relação aos malefícios do tabaco com o único objectivo de causar confusão para obter ganho de causa.


Que esse tipo de conversa, tal como a minha, não altere minimamente a realidade da barbárie imposta pelo Hamas a Gaza, e que apenas sirva para tentar forçar a equivalência moral dos dois lados em conflito, parece não ser relevante.

45 comentários:

  1. você é louco , louco varrido. dedique-se aos eucaliptos e deixe estes assuntos  para pessoas com 3 dedos de testa e , sobretudo, consciência.

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  2. "Aparentemente, ter dúvidas destas, expressá-las, fundamentá-las é, na douta análise de vários comentadores deste blog, apoiar o assassinato de crianças..."


    Tem sido essa a lógica nos últimos tempos. Quem tenta compreender o mundo em que vive e o porquê de o comportamento humano nunca surgir do nada é automaticamente rotulado de apoiante de terroristas. 

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  3. os depoimentos de palestinianos parecem de comediantes ou de mil e tantes do hámáis vestidos de diversas maneiras (até de médicos).
    tal como a retórica de hezebolá ou o boneco falante dos Aiatolas xiitas.
    com pena minha parece que só haverá Palestina no próximo milénio.

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  4. Pedem para deslocar um milhão de pessoas, cortam a água, a energia, deixam os camiões humanitários a conta gotas....arrasam a cidade de Gaza...fatos são fatos...o Hamas e o maluco do Bibi são faces da mesma moeda

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  5. O que será que motiva tanto este tipo de comentadores, verdadeiras ervas daninhas?. Pagos à peça?. Pura ignorância?. Incontrolado activismo?. A ingenuidade dos idiotas úteis?. Sinceridade woke?.


    Desta vez o comentador-mor até acertou. "quem vai à guerra dá e leva".

    Os 2 milhões de gazeanos  foram usados, enganados?. A repetida negação do Sr. Hezbola soa a uma assinatura.

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  6. Pensei ontem em pegar no cachecol e juntar-me a uma das claques. No local percebi que aquilo estava dividido por géneros,  ou sexos, homens à frente, mulheres atrás. Como gosto é de estar rodeado por mulherio, decidi abdicar. Ainda não é desta que vou à bola.
    Mas cuidado com as escolhas que fazem.

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  7. Claro que não há equivalência moral. De um lado está um Estado, do outro um grupo armado, chamem-lhe milícia, grupo terrorista ou defensores da liberdade.
    A responsabilidade é diferente. Já o grau de barbárie depende sempre do lado que se está em relação ao cano.

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  8. Doutos textos recebem doutos comentários. 
    Verdades absolutas só as conheço no interior de uma igreja ou outro qualquer complexo religioso. O que se calhar explica muito. Há quem viva entre quatro paredes com vitrais do Maomé ou do menino Jesus.
    Por mim, aquilo ficava bem era com um protectorado inglês. Assim coisa de 25 anos, para acalmar as hostes.

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  9. Números estimados. 6 a 9 milhões palestinians na diáspora global.
    Fora do território, Palestina:
        Jordan 3,240,000
        Israel 1,650,000
        Siria 630,000
        Chile 500,000 (a maior comunidade fora do Médio Oriente)
        Libano 402,582

        Arábia Saudita 280,245
        USA 250.000   

        Alemanha 80.000
        Canadá 50.000
        Austrália 45.000

    Quantos, novas gerações, já estarão em boa situação, radicados nos países de acolhimento, sem ligação real à Palestina?.

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  10. Perdoem o lugar comum :  " O óbvio ululante".
    O resto    propaganda, "clubite" demente e ignorante, indigência intelectual.
    Juromenha

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  11. Pedem para deslocar um milhão de pessoas, os outros atacam de surpresa as pessoas.
    Cortam a água que forneciam, os outros desviam a água fornecida para fins militares.
    Cortam a energia que forneciam, os outros desviam a energia para construir e operar uma infraestrutura militar que visa liquidar os civis que atacam de surpresa no lado dos que forneciam energia.
    Deixam os camiões humanitários a conta-gotas, os outros desviam a ajuda humanitária para as suas operações militares.
    Arrasam a cidade de Gaza, os outros escavam a cidade de Gaza para que não haja outra maneira de os combater que não seja arrasar a cidade de Gaza.
    E o camarada, que olha para estes factos que são factos, considera que é tudo igual

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  12. Tudo tem justificação vinda do povo eleito ...até às crianças são abençoadas se forem mortas pelos israelitas

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  13. Aquilo que o Henrique escreve sobre Gaza também é, em larga medida, verdade sobre a Ucrânia.
    Andam por lá jornalistas a entrevistar soldados ucranianos, os quais dizem sempre o mesmo - que a guerra está a ser dura mas que matam muitos russos e vencerão.
    Não se pode esperar grande liberdade de expressão num país em guerra.

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  14. O camarada falou em serem todos iguais, sobre isso, tem alguma coisa a dizer, ou vai continuar a assobiar para o lado perante as evidências?

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  15. Andam por lá jornalistas em Gaza? Não me lembro de nenhum

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  16. Mas o que quer que lhe diga, quando você justifica a destruição completa da cidade de Gaza, que não se entregue ajuda humanitária a 2 milhões e tal de pessoas fechadas em Gaza e que a mortandade de civis  que está a acontecer na prisão de Gaza são apenas danos colaterais....

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  17. Andam, andam. Por enquanto. Uns até já são danos colaterais.

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  18. E temos alguém que projecta o que talvez seja mas especialmente adepto da maldade palestiniana nos outros.

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  19. Quantos Judeus refugiados da expulsão dos países ditos àrabes a partir de 1941 do Iraque?



    Quantos Portugueses refugiados de Angola. Moçambique, Guiné, Cabo Verde , S.Tomé, 

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  20. Você é que justifica a destruição  de Gaza. 
    São pessoas como você que defendem os ataques contra Israel e depois querem não ser atacados para assim defender o Hamas. Como são apoiantes do Hamas a culpa nunca é deles.
    Querem guerra mas não querem a consequência da guerra.

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  21. A verdade é como o Azeite!

    https://twitter.com/ShimonLevit/status/1717804976800489865

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  22. A BBC mostrou uma mulher palestiniana a gritar que culpa era dos "cães do Hamas" meteram-lhe logo uma mão na boca.

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  23. O Henrique Pereira dos Santos faz parte daquelas (muitas) pessoas que são liberais e anti-Estado quando se trata de política interna mas que, em matéria de política internacional, adoram, positivamente, as atuações de alguns Estados. Sendo Israel, como se vê, um deles.

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  24. Para o Alberto Gonçalves, se o Irão expulsa refugiados, isso é uma deportação vergonhosa; se o Reino Unido faz o mesmo, está a legitimamente defender as suas fronteiras.

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  25. Sim, Netanyahu e o seu guia espiritual...

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  26. Sobre este post sem referência a fontes, sem links, e por isso sem fundamentação, onde impera o "vago como doutrina, o superficial como dogma", por uma questão de economia dou a palavra a Eça: 



    "Mas o que a Cidade mais deteriora no homem é a Inteligência, porque ou lha arregimenta dentro da 




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  27. Este teu comentário é triplamente absurdo.
    1) Tentares-me convencer do que eu penso é manifestamente idiota, em princípio, eu sei melhor que tu o que eu penso;
    2) Nenhum liberal é anti-Estado, pelo contrário;
    3) Não tenho qualquer opinião sobre o Estado de Israel ou a sua bondade

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  28. Tem alguma informação que eu desconheça sobre o interesse estratégico de Israel em matar indiscriminadamente civis ou destruir infraestruturas civis?

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  29. Estás bom da cabeça? Dá-me um exemplo, um único exemplo de deportação de refugiados por parte do Reino Unido, pode ser?
    Escusas, evidentemente, de responder com a deportação de migrantes ilegais.

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  30. Pode dar exemplos de jornalistas internacionais em Gaza?

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  31. Se eu achasse alguém tão estúpido como se depreende que eu seja por este seu comentário, manifestamente não perderia tempo a frequentar o seu blog.

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  32. Faltou acrescentar que esta "simbiose" quase perfeita entre as posições da esquerda e os terroristas radicais do Hamas é uma associação com interesses recíprocos, visto alimentarem-se uns aos outros com um propósito comum _que de resto não é apenas a destruição de Israel que interessa à esquerda. Israel é um pretexto.  Pretende, isso sim, desgastá-la, usando esta propaganda insidiosa do Hamas, para a descredibilizar e assim  arrasar as democracias. Nesse objectivo  todos os fanáticos estão do mesmo lado, bem comunados. Não é por acaso que as esquerdas defendem as políticas de migração desenfreada e sem controlo.  Agradecem, sem qualquer "inocência"  que todos os migrantes sejam "acolhidos" na Europa. 

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  33. O que são "jornalistas internacionais "? Alguma etnia em particular?


    A France Presse tem lá pessoal, é uma agência noticiosa internacional. 

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  34. A esquerda só se importa com a expulsão de "refugiados" se for a partir de um país europeu. Que fariam sem eles, sem eles? Não podem prescindir dessa preciosa ajuda: é preciso mantê-los dentro de portas,  para os auxiliarem nessa missão de descristianizar a Europa, corroer as suas raízes para aí instalarem uma nova ordem de regimes totalitários na Europa. Nem precisam de fazer grande coisa: basta conseguirem "descerebrar-nos" a tal ponto que já ninguém consiga ver esta evidência?! 

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  35. O texto é um hino ao pensamento religioso que alastrou às ditas guerras culturais, que vão desde ideologia de género até ao meio ambiente. 
    Uns são maus (e são), logo, os outros são bons, e tudo o que fazem é justificável e benevolente. Os qud estão do meu lado são bons e credíveis, os do outro são maus, e tudo o que dizem e fazem é mal intencionado, coagido ou fruto da ignorância. 

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  36. Pode-me dizer o nome desses jornalistas, por favor?

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  37. A sua resposta já não é precisa, a AFP responde: "

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  38. Bbc, cnn, não há lá ninguém?
    Ou só são credíveis jornalistas com nomes ocidentais?
    Já agora, a imprensa quer colocar mais gente  em Gaza, não entram porque...

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  39. A sua primeira afirmação foi cabalmente desmentida.
    Quer-me obrigar a ir ver quem são os jornalistas?
    Quanto à circulação na fronteira de Rafa, é controlada pelo Egipto e pelo Hamas, por exemplo, neste momento não sai estrangeiro nenhum porque o hamas só deixa sair quando houver cedências no transporte de doentes.

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  40. Estando de acordo com praticamente tudo o que diz (pena que não use um nome para se diferenciar ao menos de todos os anónimos que por aqui andam) só acrescento o seguinte; essa agenda multi cultural e racial de uma só via para o Ocidente (veja-se a realidade demográfica nos EUA também) é um plano gerido pelo liberal-globalismo que se serve dos outros grupos para concretizar seus planos sinistros. Começe pelo meu novomundo111, aqui no sapo, que vai entender até onde vai o "buraco do coelho"(usando da metáfora de Alice in Wonderland) .

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