Agora parece que os santinhos e as beatas se chamam wokes, mas a mudança de linguagem não altera a substância.
Lá aparece Ana Sá Lopes "Uma grande reparação que a Europa poderia fazer pela exploração das colónias durante séculos seria trabalhar em políticas que funcionassem (até agora, nada funcionou) para uma melhor integração das pessoas que hoje aqui vivem, principalmente porque no passado existiram impérios, e no combate ao racismo estrutural e xenofobia dos países europeus".
Lá aparece Luísa Semedo, citando aprovadoramente Cristina Caetaneo: "Imaginemos, por um segundo, que um avião cheio de italianos se despenha num outro continente, que os corpos sejam repescados, enterrados, mas ninguém se ocupa de os identificar. Não o aceitaríamos. Então porque aceitamos quando são "estes" estrangeiros que morrem? Porque é que não se fez nada".
Exactamente porque o Estado italiano, e a sociedade italiana, se interessa e cuida dos italianos, não os abandonando noutros continentes, mas os estados de onde provêem "estes" estrangeiros não só não cuidaram deles em vida para diminuir o seu desespero, levando-os a arriscar a vida a atravessar o Mediterrâneo, em condições precárias, como não cuida dos seus corpos quando se afogam.
Somos todos iguais, o Estado, e a sociedade, italianas deveriam tratar humanamente toda a gente, não apenas os italianos.
Sim, em tese é assim, mas da mesma forma dou mais atenção aos meus netos que aos netos da vizinha do 5º Esquerdo, também Luísa Semedo, ou Ana Sá Lopes dão mais atenção ao que lhes é mais próximo que ao que lhes é mais distante, faz parte da natureza humana.
Há muito que evoluímos protegendo a nossa vida, protegendo o nosso grupo, protegendo a nossa comunidade e por aí fora, de forma cada vez mais distante.
A ideia de que temos a obrigação de tratar todas as pessoas por igual é uma ideia que faz parte do fino verniz da civilização (aquele verniz que fez com que houvesse uma percentagem de mortes de homens muito mais alta que de mulheres no naufrágio do Titanic, porque as pessoas que se mantiveram civilizadas, mesmo naquelas condições extremas, seguiram a regra de ocupar os salva-vidas primeiro com mulheres e crianças, e só depois com homens), verniz esse que estala ao menor abalo.
Vir argumentar que quem tem a responsabilidade pelos desacatos em França é a França e a Europa, porque não tratam bem os descendentes dos antigos impérios (francamente, Ana Sá Lopes está mesmo convencida de que os europeus dominaram África durante séculos, nunca ouviu falar das grandes expedições do século XIX, por áreas imensas que nunca tinham visto um europeu?), e não os desordeiros, ou que são os europeus que têm de dar protecção aos cidadãos de outros países que os tratam mal, omitindo quer a responsabilidade de cada pessoa pelos seus actos, quer a responsabilidade das elites dos países africanos, não serve para rigorosamente nada a não ser para a exibição de virtude.
Uma coisa é a discussão sobre se é possível fazer mais e melhor pelos deserdados da vida (de todos os que realmente o são, independentemente de pertença a grupos e não apenas os dos grupos que escolhemos tratar como deserdados), outra coisa é passar o tempo a desculpar cada indivíduo por ser uma vítima, quer os ocupantes actuais do poder em países com claros problemas de respeito pelos outros.
Já agora, falar de reparações às elites e países africanos por causa da escravatura não tem ponta por onde se lhe pegue, os descendentes dos escravos estão no Brasil, no Caribe, em Cuba, nos Estados Unidos, os que ficaram em África são os descendentes dos que os escravizaram e os venderam aos traficantes europeus, nada de confusões.
Se eu me encher de ouro e for passear para uma zona de Lisboa que é conhecida pelos assaltos que lá ocorrem, e for assaltado, eu sou uma vítima - o facto de eu me passear cheio de ouro não dá o direito a ninguém para mo tirar -, mereço protecção do Estado enquanto vítima, tenho direito as que as forças policiais procurem encontrar o meu outro roubado para mo devolver e punir os responsáveis pelo roubo, mas nada disso altera um facto essencial: fui completamente irresponsável em ir passear carregado de ouro para uma zona onde os assaltos são frequentes.
Pode-se ser vítima e ter responsabilidades ao mesmo tempo, camaradas.
Inteiramente de acordo. Estes jornalistas militantes não têm tempo para pensar, tão convencidos estão de que esta sua "religião" está certa, que os seus seguidores descobriram a Verdade e que quem assim não pensa é fascista, é racista, etc., etc.. Estamos lixados.
ResponderEliminarEsta gentinha é hipócrita até ao tutano. Falam dos europeus ocidentais mas esquecem muito facilmente o que os próprios povos africanos faziam entre si, ignoram o que os turcos fizeram em regiões como a Arménia, o que os russos fizeram a vários grupos étnicos da Ásia siberiana, o que os chineses fazem ao dia de hoje aos uigures, os inúmeros abusos em vários países do oriente médio, norte de África e asiáticos(incluindo aqueles mais ricos dos petro dólares) sobre as mulheres e sobre os trabalhadores estrangeiros tratados abaixo de escravo na construção civil, as várias contendas e ódios viscerais entre etnias no continente africano, etc,etc, para esta canalha os europeus são os culpados de todos os males do mundo e devem abrir os bolsos para pagar tudo o que os coitadinhos que nunca foram escravos de ninguém, quiserem (sim estes rapazes nunca foram escravos de ninguém, quanto muito os seus avós). E claro criar regimes especiais para os coitadinhos vingarem na vida, passando-lhes com isso um atestado de menoridade pois assumem que precisam de regimes e de ajudinhas para serem alguém (se isto sim, não é em si racismo nem sei o que é).
ResponderEliminarSó ninguém desta gente me conseguiu até ao dia de hoje explicar porque, sendo a Europa um lar de gente tão vil e má e sendo tanto coitadinho cá mal tratado, porque é que se esfolam e fazem tudo para vir para cá!? Só pode ser porque são idiotas, os rapazes woke é que sabem!
ResponderEliminarEste é um parágrafo precioso. Devia ser dado nas escolas. História, factual, da boa.
Em África (e não só) as populações LOCAIS praticaram durante séculos (e praticam hoje em dia) uma relação entre tribos em que o vencedor impunha "ou vassalagem/ou escravatura/ou morte". Ambos, vencedores e derrotados, preferiram escravatura. Por razões económicas de rendimento e trabalho, uns. E por pura sobrevivência, outros.
Os vencidos, pobres, ou trabalhavam ou também eram vendidos, pelos vencedores, como mercadoria a outras tribos ou a comerciantes.
No Sul de África negociaram Árabes, Malaios (islão), mais tarde Portuguêses, Holandezes, Ingleses (cristãos)...
Os vencidos ricos eram resgatados por boas somas. Assim aconteceu ao Rei de Portugal D. Sebastião.
Os destribuidores, comerciantes da, ao tempo, marcadoria foram comerciantes, não foram esclavagistas. O seu a seu dono. Conservaram bem,mal ou pior a sua mercadoria?. Não tinham interesse em estragar a, ao tempo, mercadoria.
Não estivemos lá, ao tempo, em nenhuma capacidade: marinheiro, capitão, armador, feitor....
Os governos devem indemenizar o quê, a quem, com que fundamento?.
E não estavam lá, ao tempo, estes exigentes wokes muito dentro das modas, por muito tolinhas que elas sejam.
ResponderEliminar"Lá apareceu" o dentinho mas ficou embasbacado, a debitar um mantra imbecil fora de contexto quando, repetidamente, a hábil e calma entrevistadora lhe perguntou sobre a famosa "integração". A agressividade do Islão não se compadece com líricas integrações, percebeu?.
Esta gente não cresce?.
ResponderEliminar"Pode-se ser vítima e ter responsabilidades ao mesmo tempo"
Estupenda síntese
E continua a não perceber.
ResponderEliminarO que passa é a guerra da Esquerda pelo poder no Ocidente criando pecado, culpa.
Essa tropa fandanga dá um exemplo concreto do conceirto abstracto "indigência mental"...
ResponderEliminarJSP
Lampedusa, ilha com população sem vida própria e que em breve se afundará sem ajuda do aquecimento global doa polos.
ResponderEliminarde repente desapareceram os microclimas
o estudo da escravatura leva a situações fora de moda
(https://open.spotify.com/track/6w8rbuXxh5f68RybIFLbmS)
ResponderEliminarO debate político foi tomado de assalto pelas minorias (maiorias?) religiosas.
As ideias, opiniões e factos não interessam.
O que realmente conta é a convicção pessoal, e o conceito de virtude.
Os wokes trazem consigo um cilício, pois cristão que se preze tem de aceitação a flagelação como penitência pelos seus pecados passados e futuros.