quarta-feira, 26 de abril de 2023

Minorias

"É aí que nos podemos juntar todos", é como acaba o post anterior do Corta-fitas, escrito pelo João Távora.


E é um bom ponto de partida para saber como chegámos ao circo de ontem, no 25 de Abril (com direito a intermezzo cómico no momento em que Santos Silva declara, enfáticamente, que "chega de degradar as instituições", o que vindo de quem vem, só pode mesmo ser piada).


A questão central é a do respeito pelas minorias, aquilo em que nos podemos juntar todos.


Eu sei que se dirá que é o Chega que se quer pôr de parte, e isso é parcialmente verdade.


Mas por que razão um partido que se quer pôr de parte tem sucesso eleitoral?


Porque há gente suficiente que está farta de ser excluída do sítio onde nos podemos juntar todos.


O caso de Lula é um bom exemplo disso.


Se não há precedente, se há um partido que se opõe veementemente a uma opção meramente simbólica (na verdade, não apenas um, porque a Iniciativa Liberal também se opôs e o PSD não apoiou, embora aceitasse institucionalmente), sem nenhum efeito real na vida concreta das pessoas, por que razão a maioria insiste em impor uma acção simbólica às minorias (com argumentos de treta, se alguém convidasse Bolsonaro para discursar no 25 de Abril com o argumento de que era o presidente do país irmão, o resultado seria evidente, portanto o que está em causa não é a figura institucional do Brasil, mas a pessoa concreta de Lula, a que a esquerda atribui um valor simbólico diferente do que lhe é atribuído pelas minorias actuais)?


Simples, porque pode (é maioria) e acha que não tem a menor responsabilidade na procura do chão comum, considerando que se os seus adversários querem que as coisas sejam de maneira diferente, então que ganhem as eleições.


No momento em que os seus adversários ganharem as eleições, é bem provável que o ressentimento das minorias que agora são maioria as empurre para a falta de respeito pela anterior maioria e actual minoria e, nessa altura, a nova minoria vai passar a defender o respeito pelas minorias que não praticou enquanto foi maioria.


Se este processo for continuando, vai-se degradando o regime e aumentando o número de pessoas que não se reconhecem no chão comum.


Infelizmente, por razões conjunturais e de mercearia eleitoral, o primeiro e terceiro partidos em expressão eleitoral, têm todo o interesse em aprofundar estas clivagens e nenhum interesse em procurar o sítio onde nos podemos juntar todos.


O que não augura nada de bom, do ponto de vista do reforço das instituições.

19 comentários:

  1. Se por-se de parte significa denunciar e rejeitar o nepotismo e a corrupção desta classe politica dominante, então faz muito bem. O que incomodou ontem a classe politica dominante e o jornalismo subserviente não foram as pateadas do Chega . Foi o discurso do Ventura a alertar para a prescrição do processo Socrates e a corrupção larvar do estado socialista. Até aqui eles abafavam tudo mas agora há uma voz que os incomoda e os põe loucos de fúria. 

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  2. o ps é a única instituição que conheço nesta ditadura marxista

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  3. Pôr-se de parte é exactamente o que acabou de fazer: procurar a clivagem em vez de procurar o chão comum, insistir no nós contra o mundo, passar o tempo a inventar que só nós dizemos ou fazemos isto e aquilo porque os outros estão todos feitos com sistema e por aí fora.

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  4. (https://pt.wiktionary.org/wiki/se_non_%C3%A8_vero,_%C3%A8_ben_trovato)

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  5. ditadura cor-de-rosa cheia de espinhos

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  6. Insistiram que Lula tinha que ir à Assembleia da República no dia 25 de abril porque a sua agenda muitíssimo ocupada não permitia outras datas nenhumas. Mas o facto é que Lula chegou a Portugal na manhã de sexta feira e passou todo o resto desse dia sem nada na agenda (OK, talvez estivesse a curar o jet lag adquirido na viagem), e passou todo o domingo em Portugal sem nada na agenda (OK, talvez seja um cristão obediente e se recuse a trabalhar ao domingo).
    E o facto é que há múltiplos Presidentes da República de muitos países que visitam Portugal sem se deslocarem à Assembleia da República e sem discursarem lá. Não havia qualquer necessidade de Lula lá ter ido.
    Enfim, o PS lançou um chamariz ao Chega para ver se ele mordia o anzol. O Chega mordeu. Tanto o Chega como o PS colhem agora os louros das suas bravas ações.

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  7. Simone Weil escreveu sobre democracias fracas e fim dos partidos

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  8. A bitola é a marxista, da qual fazem parte todos os partidos do meio do PSD para a esquerda.
    É mais que evidente que os que não fazem parte da corrente são para meter de parte, são os de direita, onde os seus apoiantes são rotulados de fassistas, xenófobos e racistas e não são esses partidos que não querem entendimentos conforme se vê.
    Mas o burgo estava mal habituado e daqui para a frente vai ter de conviver com os fassistas, eu sei que é difícil, eles são chatos, andam em cima de tudo, mas é a vida.

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  9. Parece que muitos não conhecem esse autor pois só leêm as cartilhas anti-fassistas. 

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  10. Pois é, é a vida já dizia aquele sr que fugiu do Pântano para o pantanal global da O-nu. 

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  11. Entretanto, e depois da festa e daquela vergonha na Assembleia, temos esta reportagem bem no centro de  Lisboa https://imagenssem.blogs.sapo.pt/26-de-abril-no-centro-de-lisboa-29172

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  12. O Henrique não percebeu. Não percebeu nem procura perceber o fenómeno do Chega.  Nas próximas eleições elegerão mais 2 ou 3 deputados e nessa altura muitos continuarão sem perceber. Ouça o Telmo Correia hoje . Ele explica melhor que eu.

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  13. "...é bem provável que o ressentimento das minorias que agora são maioria..."


    A realidade nua e crua é que nem o PS, nem o PSD, nunca tiveram uma maioria dos eleitores a apoiá-los.

    Uma distorcida Lei Eleitoral coloca na AR deputados ao molho, oriundos, eleitos dentro dos partidos.

    Representam o chefe de esse partido. Pior, a distorção é tanta que nas votações na AR "levantem-se os deputados a favor" uns valem 1/3 dos votos de outros!. Maioria?.

    Na última eleição "legislativa/governativa" o PS teve a seu favor 1/4 do eleitorado. Contra o PS o outro 1/4 do eleitorado.

    Metade do eleitorado já não vai a semelhante jogo. Uma Lei Eleitoral, nunca sufragada, digna dos seus autores.

    Apenas a "santa bovina estabilidade" nos seus cargos políticos e noutros.

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  14. Minorias e sistema eleitoral.


    Com um sistema eleitoral baseado em listas fechadas, são os partidos 






    Acrescente-se o facto da actual CRP, nunca referendada tal como as anteriores, ser o resultado do cheque em branco que os eleitores emitiram e que os partidos preencheram.

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  15. Dois ou três senão forem 5 ou 6,e depois o st Montebranco vai dizer que se equivocou ou então faz um novo bloco de urgências...perdão, bloco central com o futuro grande chefe do largo do Rato. 

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  16. A crise da Democracia.


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  17. Não é possível qualquer chão comum com o PS. O PSD infelizmente faz parte do problema. Está demasiado cristalizado para mudar. Está absolutamente minado. Não há líder que consiga alterar alguma coisa naquele partido.
    Têm que se fazer escolhas e pedir aos portugueses para as fazer. Não se trata de colocar a esquerda contra a direita mas sim todos contra a corrupção, pelo menos como princípio de chão comum... Com o panorama actual, não há.

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