quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Os mercados não são o paraíso

Eu bem queria evitar falar das medidas do governo sobre habitação porque sei que aquilo corrresponde ao que é costume em António Costa: muita parra e pouca uva.


Mas como aparentemente se continua a olhar para o conjunto de medidas anunciadas pelo governo como se fosse uma coisa para levar a sério, vamos lá então escrever sobre isso, começando com um boneco:


casas.jpg


Legenda: número de habitações em função da data de construção


O boneco existe em vários sítios, mas eu fui buscá-lo a uma newsletter do Observador que José Manuel Fernandes faz regularmente.


Nesse texto há um conjunto de informações sobre o mercado habitacional, algumas coerentes com o que escrevi recentemente sobre rendas da habitação em Portugal.


Não tinha a menor intenção de perder tempo com patetices com as que escreve Carmo Afonso sobre o assunto, nem com a extraordinária interpretação do problema feita por David Pontes, que assina um editorial do Público com uma esdrúxula concepção do que é a intervenção do Estado no mercado da habitação.


Constatando que o Estado só tem 2% das casas em Portugal, conclui que o problema é o mercado não funcionar porque deve achar que o Estado não tem responsabilidade nenhuma no condicionamento das rendas, no licenciamento da habitação, nas exigências na construção, nos custos de transação, na fiscalidade, etc., concluindo ainda que o problema não são as propostas do governo mas o tom das críticas da oposição (Manuel Carvalho subscreve hoje esta tese de que o problema do país não é o governo ser mau, é a oposição ser pior, o que justifica que o Público se concentre na escrutínio do que faz a oposição, em vez de escrutinar o que faz o governo).


É assim, por exemplo, que o Público publica, sucessivamente, entrevistas com responsáveis governamentais sobre o assunto, sendo a entrevista de hoje com a Senhora Ministra da Habitação (uma aparelhista filha de um notável do PS de Caminha, que nunca teve actividade profissional fora da esfera do governo e do partido) especialmente deprimente, quer na candura com que explica que não faz ideia da realidade sobre a qual está a tomar decisões, quer na descrição de palimpsestos de regras sobre o sector que também não deve fazer a mínima ideia de como funcionam na prática nem dos seus efeitos secundários.


Há por aqui, no Corta-fitas, um comentador que quando questionado sobre quais os exemplos de resolução do problema da habitação foi conseguido pelo Estado, resolve dizer que como há problemas onde existem mercados funcionais, não vale a pena discutir o papel do Estado e do mercado na resolução do problema.


Os mercados não são o paraíso na terra.


Em primeiro lugar, não existem mercados perfeitos a não ser nos livros de economia e gestão, em segundo lugar, não se pode pedir aos mercados aquilo que eles não podem dar.


Os mercados são um mero mecanismo de cooperação entre as pessoas que decidem usar um acordo de preço para resolver interesses divergentes sobre alguma coisa em que ambas têm interesse e não se pode pedir aos mercados que sejam mais que isto e resolvam todos os problemas da humanidade.


Nalgumas coisas em que preço não é o instrumento mais adequado para garantir a cooperação entre as pessoas, como na segurança ou na defesa, na medida em que um ladrão não tem o menor interesse em cooperar com a sua vítima, mas em impor-lhe a sua vontade pela força, o Estado é imprescindível.


Pelo mesmo tipo de razões, o Estado é útil na regulação dos mercados, quer na definição de regras gerais e abstractas a que todos ficam obrigados para limitar o poder dos mais fortes, quer na aplicação dessas regras e no sancionamento dos que as violam (por exemplo, impedindo ou limitando os monopólios que conferem a um, ou poucos, agentes uma posição dominante, obrigando a transparência de informação que limite as assimetrias de informação entre comprador e vendedor, etc.).


E é aqui que volto ao Público, agora para um artigo de Helena Roseta, que é bem exemplificativo de como funciona uma cabeça estatista num sector como este.


Helena Roseta, ao contrário da Ministra, não chegou aqui ontem sem curriculum digno desse nome, e por isso é muito mais cautelosa que a Ministra, dizendo explicitamente: "Temos em Portugal um mau hábito que é preciso combater - anuncia-se muito, legisla-se mal e avalia-se pouco. A informação real sobre os resultados dos vários programas públicos na área da habitação é escassa ou inexistente. Há programas com muito sucesso que foram descontinuados sem se perceber porquê, outros sem qualquer resultado que continuam a figurar" (ler a entrevista da Senhora Ministra da Habitação para confirmar, acrescento eu, mas fazendo notar que os jornalistas que fazem a entrevista falam de programas completamente falhados como se fossem a coisa mais normal do mundo e sem perguntar à Senhora Ministra por que razão toma como referências, para as novas medidas a adoptar, programas públicos que não funcionam).


Note-se que Helena Roseta diz que Portugal atravessa uma grave crise de habitação num momento em que há mais casas que famílias, por contraponto ao que acontecia há 50 anos, em que havia mais famílias que casas.


Há muitos sem-abrigo, pergunto eu? Sim, há mais do que deveria, mas é um problema bem mais relacionado com a saúde mental que com a falta de habitação.


Há milhares de casas clandestinas, como já houve em tempos? Não tenho essa ideia.


Há barracas em toda a periferia de Lisboa e ilhas no Porto, como havia há uns anos? Há mais do que deveria, estamos de acordo (sobretudo nos municípios governados por câmaras do PC durante muito tempo), mas fez-se um longo caminho e hoje há muito menos barracas que as que havia.


Em que consiste então essa grave crise de habitação?


No facto de ser impossível a classe média ter uma casa onde quer, pelo preço que quer (como diria a Senhora Ministra da Habitação há tempos (Setembro de 2022, não numa roda de amigos depois de uns copos, mas numa audição na Assembleia da República) "“toda a gente tem o direito a viver nas zonas mais caras de Lisboa e do país” e que “isso faz-se também com respostas públicas”. “Cabe ao Estado dar essa resposta”").


Helena Roseta diz, com acerto "nunca a política de habitação dispôs em Portugal de recursos públicos tão elevados". E acrescenta mais à frente: "Sabemos que o Estado não pode fazer tudo".


Sendo tudo isto verdade, por que razão escolhe Helena Roseta esquecer o boneco que está no princípio deste post, uma escolha consciente do seu artigo de opinião: "deixando de lado as múltiplas razões que explicam como foi possível chegar aqui"?


Porque se não fizer essa opção, teria de admitir que na raiz do problema está a queda do investimento privado em habitação, que não é compensado pelo aumento do investimento público porque o Estado não tem recursos suficientes para isso, que resulta tanto de regras anti-mercado, como da quebra permanente de confiança que o Estado promove.


E isto não é uma questão da Senhora Ministra da Habitação a quem, digo eu, António Costa se terá limitado a pedir o impossível, como é o seu costume, responsabilizando-a por pôr vacas a voar.


António Costa reverteu a privatização dos transportes públicos e da TAP, porque lhe era politicamente conveniente, e responsabilizará a esquerda do seu partido e a esquerda à esquerda do seu partido quando as coisas correrem mal, defendendo a privatização da TAP com a mesma bonomia e irresponsabilidade com que defendeu a reversão da privatização já feita.


António Costa liquidou os mecanismos de cooperação com os privados na educação, porque lhe era politicamente conveniente, e responsabilizará a esquerda do seu partido e a esquerda à esquerda do seu partido pelo crescimento das inscrições no ensino privado e consequente aumento do fosso social entre os que podem pagar e os outros.


António Costa liquidou as PPP da saúde, porque lhe era politicamente conveniente, e responsabilizará a esquerda do seu partido e a esquerda à esquerda do seu partido o que se passa no SNS, com a mesmo bonomia e irresponsabilidade com que defenderá, quando lhe for conveniente, a cooperação com os privados.


E prepara-se como reforçar a política de destruição do sector da habitação, com os costumados embrulhos de boas intenções e pormenores equívocos, provocando um ainda maior problema no investimento no sector que aquele que já é visível no boneco acima.


Helena Roseta conhece, evidentemente, o CRUARB, Comissariado para Renovação da Área da Ribeira-Barredo, cujos primórdios assentam em estudos dos anos 60 e que existiu entre 1974 e 2003.


Durante anos a fio o Estado despejou dinheiro neste projecto, em que foram ganhos inúmeros prémios de arquitectura e etc., mas que na verdade nunca conseguiu resultados muito relevantes na renovação urbana da sua área de intervenção, em especial nas casas das pessoas (no espaço público houve resultados mais interessantes).


Depois, os privados, com base nas alterações das regras das rendas e do alojamento local, recuperaram, em muito menos tempo, muitos mais edifícios e casas na zona histórica do Porto, com as Cassandras do costume a falar de gentrificação, como se a ruína e as casas indignas em que viviam os pobres que não conseguiam fugir da miséria fosse uma situação preferível.


Lembrar estes pequenos factos, lembrar que as barracas foram eliminadas ou reduzidas através da cooperação entre o Estados e os privados, com o Estado a cobrir custos sociais que não cabe aos privados cobrir, está para lá da capacidade de aceitação da realidade da esquerda que predomina nas redacções e na intelectualidade dominante no espaço público.


E, por isso, o autêntico emaranhado de coisas em forma de assim que António Costa inventou para retomar iniciativa política, mesmo que à custa da erosão da confiança dos investidores no Estado e consequente agravamento futuro do problema da habitação, continua a ser discutido como se fosse uma coisa séria, proposto por uma pessoa séria.

20 comentários:

  1. O boneco que encima o post representa o quê? Falta-lhe uma legenda!

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  2. Os números em Portugal são algo de oculto.
    Número de fogos disponíveis vs Número de agregados familiares.
    Há um desnível grande? Como se explica esse potencial desvio considerando o reduzido crescimento da população no país? Nas últimas décadas, subiu mais o número de residentes ou de área construída?

    Se calhar o facto de não haver habitação suficiente em Lisboa está tambem relacionado com o aumento de localidades sem população no interior. As pessoas migraram para as zonas urbanas e esqueceram-se de levar a casa com eles.
    Rendas acessíveis. O que é uma renda acessível? 100 euros, 500 euros? Uma percentagem do salário? Vamos aumentar as rendas a cada aumento salarial, ou o oposto? Quando o PS, perdão, o Estado, colocar um T3 no centro de Lisboa a preços acessíveis, quem se pode candidatar? A classe média, a classe alta ou a baixa?

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  3. Haver mais casas que famílias [que vivem em Portugal] não quer dizer grande coisa, porque há ainda que contar com as famílias que, não vivendo em Portugal, querem cá ter casa - nomeadamente os emigrantes portugueses, e também muitos estrangeiros que querem ter casas de férias em Portugal. Há também que contar com muitos habitantes de Portugal que querem ter mais do que uma casa - ou porque querem ter casas de férias, ou porque colocam o seu aforro sob a forma de casas (isto é, compram casas de que não necessitam, porque acreditam que elas se irão valorizar com o tempo).


    Aquilo que interessa não é o número total de casas existente, e sim o número de casas disponível (em cada sítio do país) para quem as queira habitar.

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  4. Excelente análise.
    A entrevista de senhora (menina) Ministra ao Público, confirma que não conhece minimamente o país onde vive e quer governar(?).
    O anúncio do congelamento permanente das rendas anteriores a 1990 com a "justa" compensação aos senhorios, é um delírio "venezuelano".
    Dou o meu exemplo.
    Por herança indivisa entre a minha mulher e a minha cunhada temos algumas casas alugadas em Alcochete, um subúrbio de Lisboa muito na moda.
    Os novos empreendimentos, de luxo, com preços a começar os 250.000 até um milhão, atraíram muitos estrangeiros, franceses, italianos na maioria que aproveitam a baixa taxação. portuguesa
    Casas para alugar ainda  vai havendo, mas caras.
    As casas que temos alugadas estão no centro histórico, antigas, pequenas, com um quarto, cozinha sala e wc com um pequeno logradouro. A renda mais alta é de 300 euros, porque foram feitas obras quando a inquilina faleceu. Todas as restantes têm rendas entre 40 a 90 euros.
    O aumento anual, não paga o valor do envio de carta registada
    Algumas estão ocupadas pela segunda geração do inquilino.
    Outra propriedade, já em reserva ecológica junto ao fim da autoestrada, com 3 hectares, casa e anexos, onde a 3ª geração do inquilino. construiu uma pequena piscina e que tem umas ovelhas a pastar, paga 150 euros por ano.!!
    Com esta nova lei, vamos propor que o "Santo Estado" nos compre todas as casas pelo valor justo e receba as devidas rendas.
    Só mais uma questão, que a missiva já vai longa.
    Tenho para mim, que o tão falado problema habitação está centrado nos grande centros de Lisboa e Porto.
    Deixem o resto do país em paz. 
    A gestão da habitação em Portugal sempre foi desastrosa desde o tempo de Salazar. 
    Empurraram os cidadãos para a compra em detrimento do aluguer.
    Só isto travou em muito o desenvolvimento do país por ser um travão à mobilidade e até um mpulso à desertificação do interior. 


     

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  5. A figura que ilustra o post sugere que na última década se construiu excecionalmente poucas casas em Portugal. Mas essa figura pode ser enganadora, dependendo dos métodos com que foi elaborada. De facto, até à década passada praticamente não se reabilitava casas em Portugal, e nessa década isso passou a ser amplamente feito. Muitas casas já existentes, mas que eram inabitáveis, foram remodeladas e reconvertidas por forma a tornarem-se habitáveis. Nalguns casos isso foi feito com o conhecimento das autoridades, mas nalguns outros isso foi feito de forma clandestina. Por exemplo, em 2013 eu próprio reconverti três apartamentos que me pertenciam e que estavam em ruínas e totalmente inabitáveis, transformando-os em apartamentos muito jeitosos - e fi-lo de forma totalmente clandestina.

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  6. "...(Setembro de 2022, não numa roda de amigos depois de uns copos, mas numa audição na Assembleia da República)...".
    Diria, a tomar num chazinho com umas amigas....

    Não só, mas na leitura de este "post" levanta-se uma interrogação:  Quem (ainda) concorre/aceita um cargo de Ministro de este Governo?. Sobretudo "quem subtil ou drasticamente se esquivou?".

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  7. "e fi-lo de forma totalmente clandestina"


    Ah ah ah, o frei Tomás Lavoura, o jeitoso, revela-se. Um roblesito que opera no submundo da especulação imobiliária 'à la PZP'.
    Ai se a Marina sabe!

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  8. Eu não opero na especulação imobiliária. Nunca comprei nem vendi nenhuma casa. Recuperei três apartamentos, como disse, que depois arrendei - a preços bem baixos para o mercado.

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  9. considero que o único assunto sério a ter em conta é a falta de criação de riqueza porque o regime marxista será sempre incapaz de permitir o desenvolvimento da iniciativa privada
    vive para esfolar a pele aos contribuintes privados
    o kamarada kosta e a Salema (que tive o desprazer de encontrar em reuniões ...) andam neste mundo por ver andar os outros

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  10. Nesta crise da habitação, há dois erros culturais profundos que condicionam as pessoas.
    O primeiro erro cultural é considerar que todos os jovens com 20 a 30 anos de idade devem poder arranjar casa própria, para si e para os seus cônjuges. Ora, isso não é verdade. Historicamente, na maior parte das sociedades humanas, é normal um jovem em cada família ficar a viver, conjuntamente com o seu cônjuge, na casa dos pais. Nada tem de anormal pais partilharem casa com filhos já adultos e casados. Eu posso apresentar bastantes famílias (não muito ricas) do meu conhecimento, e da minha família, em que os filhos adultos e casados permaneceram a viver na casa paterna.
    O segundo erro cultural é considerar que os idosos reformados têm o direito de permanecer a morar na grande cidade onde trabalharam durante a sua vida ativa. Isso não é assim. Os reformados podem, e eventualmente devem, arrendar ou comprar uma casa num local mais barato para nela viverem a sua reforma, deixando a sua casa na cidade para ela ser comprada ou arrendada pelas gerações mais jovens. Um reformado que trabalho toda a sua vida em Lisboa ou no Porto pode perfeitamente vender ou arrendar a sua casa nessa cidade a uma pessoa mais jovem, e ir morar para Aljustrel ou Ribeira de Pena. Nada há de indigno em fazer tal coisa.

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  11. Entretanto parece que o o sr inquilino (ou senhorio? ) de Belém-cascais espera pela abertura do melão (pacote habitação) para ver o que está lá dentro. E pronto, é isto okay?

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  12. No quintal do Snr Pedro Correia este amor pelos geriontes mereceria não uma lavourada, mas uma herdade das grandes.
    Só falta a inveja pelo jazigo!

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  13. O Pedro Correia? O blogger profissional do Delito de Escumalha?

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  14. Balio, isso tudo talvez seja verdade na Rússia de Putin que tanto defendes, mas não em países desenvolvidos.

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  15. Henrique, é capaz de lhe interessar isto: https://www.technologyreview.com/2023/02/13/1067854/lake-texcoco-ancient-lake-unfinished-airport-mexico-city/


    (os mexicanos atreveram-se a matar um aeroporto onde já tinham gasto 5 mil milhões para fazer um parque ...)

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  16. De facto, não me exprimi bem. Peço desculpa por isso.
    Claro que cada um tem o direito de permanecer na sua própria casa, como é, aparentemente, o seu caso.
    Já se a casa é arrendada, tal "direito", concedido pelo Estado, não deveria existir.
    Mas mesmo no caso daqueles que são proprietários da sua própria casa, os seus filhos não têm o direito de se queixarem por não conseguirem comprar casa para si próprios: são os pais, reformados, que podem e devem deixar-lhes a sua casa e irem viver para a província.

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  17. Eutanasie-se os sacanas dos velhotes que impedem o tal 'direito' dos jovens imberbes a habitar o centro das cidades.
    Desterrem-se esses cotas, atrasados portadores de mil maleitas, para as terras do demo - a Barrelas do Aquilino.

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  18. Você continua a ser um sujeito intragável.
    1º - A casa que habito não é, aparentemente, minha, é-o realmente.
    2º - Quem arrenda uma casa faz um contrato, verbal ou escrito, que é para ser honrado,  e não sujeito aos ditames atribiliários do estado ou dum qualquer balio/lavoura.
    3º - a decisão de alguém se mudar, esteja em casa própria ou arrendada, para a deixar seja a quem for, é do próprio, não estamos na defunta URSS, onde o estado decidia onde se trabalhava e vivia, recorrendo até a passaportes internos. 


    Ganhe senso

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  19. Marxista era a tua mãe.

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