Há trinta anos quem começava a vida ou vinha para Lisboa olhava para o centro da cidade velha com nojo, queria uma casa moderna na periferia, com boas vias, arejada e com um shopping não muito longe para ir passear de carro ao fim de semana. Agora, que o centro da cidade se tornou uma miragem até para os mais privilegiados, os seus filhos acham-se com direito a conquistar esse espaço antes desprezado. É uma espécie de luta de classes com a mecânica dum pêndulo, bem explicada pelo António Variações: "Esta insatisfação, Não consigo compreender, Sempre esta sensação, Que estou a perder.(...) Porque até aqui eu só, Estou bem aonde eu não estou, Porque eu só quero ir, Aonde eu não vou, Porque eu só estou bem, Aonde eu não estou, Porque eu só quero ir, Aonde eu não vou, Porque eu só estou bem, Aonde não estou."
Expliquem lá isto ao António Costa. O resto é um problema de transportes.
Exatamente. Há 30 anos o Intendente era um viveiro de prostitutas, ninguém queria lá viver, as casas lá eram super baratas. Tive dois amigos que lá compraram casa e vivia-se lá, de facto, bastante bem; mas tinha péssima fama, não se podia dizer em público que se morava ali. Agora o Intendente foi reabilitado, tem turistas em hotéis e alojamentos locais, e o pessoal, invejoso, acha que tem o direito de ali morar.
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ResponderEliminarExcelente. Analizar, sim, o "quem" é que está com um problema de acesso à habitação e daí tirar as consequências.
Um dos factores da crise do "acesso à habitação" é o centralismo das Universidades.
Por essa Europa e nos EUA existem as cidades universitárias. Aí, na Província, gerações de estudantes, alojados em residências universitáris locais, estudam e, além disso, apreendem normas de socialização. Findos os estudos estão preparados para se radicalizarem ... em qualquer ponto do País.
Com o actual centralismo das universidades em Portugal, as gerações de jóvens só sabem, só apreenderam e desejam, viver no centro das capitais .... Conhecemos as consequências, ainda mais centralismo.
Não é nem assim...
ResponderEliminarJá há 30 anos as rendas em Lisboa, em especial em T0/1 eram altíssimas. As casas do centro não eram muito procuradas porque as áreas eram pequenas, e a construção antiga muitas vezes nem elevador ou parqueamento tinha. Daí "fugirem" para as periferias, onde era possível comprar casa por preços mais acessíveis e áreas maiores.
Para onde iam os estudantes e recem licenciados? Margem sul, periferias, e não para as zonas "boas". Sim, já há 30 anos os jovens não conseguiam rendas "acessíveis " em Lisboa, e mesmo em bairros menos "fixes " era complicado arranjar sítios decentes.
E quanto aos preços de aquisição, quem podia comprar na Expo por exemplo? A classe média?
Tudo isto para dizer que este cataclismo habitacional em Lisboa tem décadas, vá-se lá saber porquê entrou na agenda, mas rapidamente irá ser substituído por outro qualquer desígnio nacional.
Ouvindo a escumalha senhoria eu ia pensar que as rendas antigas eram todas baratíssimas...
ResponderEliminarHá mais de 50.000 casas só em Lisboa, cuja renda não excede os 400 euros mês, sendo que quase metade destas nem a 200 euros chega (dados da pordata dos sensos 2021). Se isto não são rendas baratíssimas, então diga lá o que são?
ResponderEliminarSobre a "escumalha senhoria", vamos lá ver, para quem é que você (imaginando que é trabalhador), desconta? É para os senhorios ou é para o Estado? Quem é que recebe o seu desconto para a SS são os senhorios ou é o Estado? Quem é que tem o dever de fazer de SS e ajudar quem precisa, são os senhorios que nunca receberam um tostão para esse efeito ou é o Estado que recebeu, recebe e continuará a receber?
Se você tivesse um imóvel para arrendar a quem é que o arrendaria a um fulano que lhe pagasse 500 euros ou a outro que lhe pagasse 1000? Ah já sei você é muito bonzinho, e claro que iria abdicar do seu rendimento para ajudar o que lhe dava os 500 ao mês e tudo isto mesmo sabendo que existe uma SS que cobra todos os meses impostos para fazer esse trabalho. É praticamente Deus no céu e você cá na terra, 2 entidades desprovidas de qualquer interesse e sempre prontas para dar tudo aos outros, cá para mim você ainda ia pagar para o inquilino lá ficar de tão bonzinho que você é! Madre Teresa não era ninguém à beira de pessoa tão boazinha como você é.
Há quem confunda (por perguiça mental ou por vontade) alhos com bugalhos,uma coisa são as rendas de há trinta anos (que não eram antigas naquela data) e outra são as rendas antigas que não podem ser aumentadas por terem inquilinos antigos com contratos antigos.
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ResponderEliminara quem é que o arrendaria a um fulano que lhe pagasse 500 euros ou a outro que lhe pagasse 1000?
Não é assim (fazendo um leilão) que se arrenda casas. Na prática, os senhorios pedem uma renda e, depois, optam por entre diferentes potenciais inquilinos que aceitam pagá-la.
De resto, pedir uma renda elevada pode ser má estratégia. Pode ser compensador pedir uma renda um bocado mais baixa, com o fim de tentar fidelizar o inquilino. Se a renda fôr à partida muito elevada, há mais interesse da parte do inquilino em falhar o seu pagamento.
Meu caro, o que quis frisar é que ninguém, a não ser que desconfie de algo ou que seja um familiar próximo (por um especial favor por exemplo), vai arrendar um imóvel por X quando pode ganhar X+Y, isso é lógico e é assim com tudo na vida. E os que reclamam que não e que insultam os senhorios, só o fazem porque os imóveis não são deles senão estavam todos caladinhos ou faziam como o Robles que criticava a especulação mas depois tirou vantagem dela ou como a Catarina Martins cujo marido tem um AL, apesar dela depois encher a boca a vomitar ódio aos mesmos. Repito ainda que os senhorios não têm qualquer dever de dar borlas ou descontos a ninguém. Quem tem de o fazer é o Estado definindo critérios claros para o eleito porque é ele que coleta os impostos mas nunca impondo e colocando as borlas a virem dos bolsos dos senhorios.
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ResponderEliminarQuem compra casa não é do povo. Os verdadeiros,os esplorados não podem comprar casa e se calhou já são
doutra classe a dos inemigos do bom povo.E se lembram alugar então passam de burgueses e riacionarios a tubarões.O país já tá cheio deles,quase metade ou mais.Tudo Deustelivre. Assim nunca se faz a revulução. Não compres,não alugues dá.Levanta bem alto a tua conciencia de classe.
Ficate bem e poupas trabalhos ao governo.
ResponderEliminarNinguém, ponto e vírgula! Eu faço isso.
Então e porque o faz? Porque é um ser muito bonzinho e quer fazer caridade? Ou é por outra razão como preferir ter alguém fiável e que cuide bem do seu imóvel, por exemplo (algo que cito acima quando falo em desconfiar de algo, neste caso de que quem lhe pagaria o X+Y não iria ter cuidado com o imóvel)? Se é a primeira, diga-me onde tem esse imóvel que eu vou já para lá, já que é tão bonzinho!
ResponderEliminarMas é curioso como se agarra a isso, da suposta existência de muitos benfeitores desejosos de investir e arriscar só pra depois irem a correr ajudar os necessitados, mas depois faz de conta que ignora a parte de quem deve fazer o papel da SS e apoiar as famílias que necessitam. O que acha sobre isso? Deve ou não deve ser a SS a assumir esse papel ao invés do estado andar a criar pacotes e empurrar essa responsabilidade para cima dos senhorios que não recebem um tusto dos impostos para a tal SS? E se a SS não serve para estes apoios então para que andamos a descontar?
ResponderEliminarporque o faz?
é curioso como se agarra a isso, da suposta existência de muitos benfeitores desejosos de investir e arriscar
Eu não me agarro a nada. Nem digo que exista muitas pessoas que sigam a mesma estratégia que eu. Somente digo que existem.
Ademais, as pessoas que arrendam casas, em Portugal, em muitos casos não investem. Apenas aproveitam uma casa que têm desocupada (e que, por exemplo, herdaram), sem nela investir nada. Não fazem obras, não melhoram a casa, nada.
Quanto a arriscar: pedir uma renda mais baixa do que o mercado é, precisamente, uma forma de combater o risco, tal como expliquei acima. Sendo a renda baixa, o risco de que o inquilino deixe de pagar é menor.
ignora a parte
Não diga disparates. Eu não falo de tudo nos meus comentários. O facto de eu não falar de uma parte do problema não significa que a ignore.
ResponderEliminarA SS apenas me "tira" 11% do meu rendimento, com a garantia de que me protegerá em caso de doença, desemprego ou velhice.
O meu senhorio tira-me mais de metade do meu rendimento.
Mas o comentador Luís deve viver numa realidade paralela.
É muito estranho ver a direita a citar António Variações.
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