sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Atraso de vida


(...) "Analisemos assim a entrevista dos directores do ponto de vista da sua unidade. Que aprendemos na entrevista? Em primeiro lugar, que a informação em Portugal não é como em outros países. Nos outros países, há pluralidade, televisões e jornais de esquerda e de direita, isto é, os órgãos de informação assumem pontos de vista variados, e dão ao público perspectivas diferentes sobre a actualidade. Em Portugal, não. Em Portugal, cada órgão de informação pretende ser completo, aspirando a cobrir todas as “facetas”, em versões devidamente domesticadas e alinhadas. Como as “uniões nacionais” de antigamente. Em segundo lugar, ficámos a saber que as coisas são assim, porque o país também não é politicamente como os outros. Nos outros países, há direita e esquerda, há divisão, há discórdia, há debate. Por isso é que nos EUA, existe a CNN e existe a Fox News. Em Portugal, não. Em Portugal somos todos igualmente “moderados”, homogeneamente sensatos, e universalmente comedidos. Com uma excepção, profundamente lamentada na entrevista: os “colunistas do Observador” (assim referidos, à maneira de sociedade anónima). Estes constituem uma organização “paranóica” que, imaginem, insiste em discutir a cultura woke, coisa de que, como toda a gente sabe, não há o mais pequeno vestígio em Portugal.


Ficou assim implicitamente definida a missão que se deve atribuir a si próprio um director de informação televisiva neste país: defender uma informação homogeneamente “moderada”, de modo a impedir os “paranóicos” de contaminar a opinião nacional. Na entrevista não se disse, mas o resultado destas teorias é que estes canais de informação televisiva só poderiam ser, como são, iguais uns aos outros, abordando o noticiário pelo mesmo ângulo. O papel da comunicação social passa assim a ser o de uma espécie de igreja oficial, convidando toda a população a rezar a mesma oração à mesma hora. Para o clero deste sistema, discordar e criticar é necessariamente sintoma de “paranóia” ou outra perturbação mental." (...)


Rui Ramos a ler na integra no Observador aqui

4 comentários:

  1. Como disse um famoso cantor britanico Morissey acho que é o seu nome, a diversidade hoje significa conformidade. Quem não alinha na missa da nova igreja é cancelado, perseguido e posto de lado.

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  2. É muito mais grave que atraso de vida. São anti democráticos e dizem com todas as letras que não fazem jornalismo.

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  3. Tão pequeninos que para meterem uma aldrabice por baixo da porta tem que subir a um escadote.

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  4. Exactamente. No dito mundo moderno (?) há outras prioridades(que não passam por uma comunicação social isenta e decente  https://sol.sapo.pt/artigo/786998/no-pais-da-inclusao-velhos-e-binarios-excluidos

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