sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

O que é de mais, é moléstia (outra vez)

"O deputado, que nos anos 70 integrou o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), promoveu dezenas de atentados bombistas e assaltos a organizações e partidos de esquerda" (Maria Lopes, Público de 4 de Fevereiro).


Li a frase várias vezes, à procura de alguma maneira que me permitisse lê-la sem ser como dizendo o que diz.


Mesmo agora, que me convenci de que não há outra leitura possível, ainda espero que tenha sido um erro de escrita e a jornalista quisesse atribuir ao MDLP o que atribui a Diogo Pacheco de Amorim.


Sobre o que não há dúvidas é sobre a hipocrisia do Bloco de Esquerda, e de vários dos seus membros e dirigentes, como Francisco Louçã, que sempre acolheram membros das FP25 que comprovadamente participaram em acções terroristas violentas, sem em algum momento mostrar qualquer arrependimento posterior, vir agora manifestar o seu horror à violência a que estaria ligado Diogo Pacheco de Amorim durante o PREC.


À jornalista dou o benefício da dúvida, embora tenha a certeza de que nunca escreveria uma frase assim sobre qualquer membro da FP25, como Otelo, por exemplo, sobre os outros não há qualquer dúvida: devem ter sido contratados pelo Chega para o promover permanentemente.


Adenda com a resposta da jornalista, via provedor do leitor do Público: "Evidentemente que foi um lapso e um lapso grave. Estive a tentar perceber o caminho desde a primeira versão do texto (que não tinha a vírgula e tinha um que) até ao final e, pelo que percebi, na edição online alguém acrescentou uma vírgula e eu quando fui buscar frases para compor o texto para o papel não me apercebi. Bom, nem eu nem quem editou o texto, pelos vistos…
Vou de imediato alterar no online e fazer um PÚBLICO Errou para a edição de amanhã, com o devido pedido de desculpas aos leitores e ao visado.
Obrigada
MLopes"

19 comentários:

  1. Repugnante, este "jornalismo".
    JSP

    ResponderEliminar

  2. Se vamos falar de hipocrisia lembro-lhe que muitos membros dos ELP, MDLP e CODECO foram integrados em partidos como o CDS e o PSD.
    Ao contrario dos FP25, não passaram umas temporadas presos. Alias nem foram incomodados judicialmente.
    Alguns tiveram carreiras politicas ou empresariais de destaque.  Outros foram condecorados depois dos eventos. E há até um que tem uma estatua.

    ResponderEliminar
  3. A jornalista deve julgar que o PREC é um processo de recuperação de empresas. Tem futuro: aquela senhora que não sabia o que era o Gulag chegou a directora de um museu sobre residência à ditadura.

    ResponderEliminar
  4. Os cães (e as cadelas) ladram e a caravana passa!

    ResponderEliminar

  5. o Bloco de Esquerda, e de vários dos seus membros e dirigentes, como Francisco Louçã, que sempre acolheram membros das FP25


    Uma coisa é acolher num partido, outra coisa é colocar na vice-presidência da Assembleia da República.


    As pessoas que não foram condenadas ou, mesmo que o tenham sido, após terem cumprido a devida pena, têm o direito de ser integradas na vida civil e de serem acolhidas num partido. Nada há de mal em acolher num partido uma pessoa que já foi condenada e já cumpriu a sua pena. Essa pessoa tem o direito de ser reintegrada na sociedade.



    Outra coisa muito diferente é pretender que essa pessoa seja vice-presidente da A.R. Parece-me, enfim, um bocado inapropriado.

    ResponderEliminar
  6. Pacheco de Amorim nunca foi acusado de nada pela justiça, ao contrário dos membros das FP25.
    Pacheco de Amorim militou num movimento que tinha componentes violentas durante um processo revolucionário em que a violência estava presente em todos os quadrantes políticos, os membros das FP25 praticaram a violência armada contra um regime democrático estabilizado, com o objectivo de o derrubar.
    Inapropriada é a hipocrisia do duplo critério de julgamento, não o resto.

    ResponderEliminar
  7. O MDLP fez um serviço ao país.  Fez umas operações de desratizacao nas sedes do Pcp a norte qdo estes se preparavam para tomar conta do país. Eu pela minha parte só tenho a agradecer.

    ResponderEliminar
  8. Pacheco de Amorim não foi acusado pela justiça, nenhum deles foi. Essa é que é essa.
     E se o MDLP actuou até finais de 1976, já com um presidente e um governo devidamente eleitos, podemos incluir as FP25 nessa categoria fofinha de "

    ResponderEliminar
  9.  "Estive a tentar perceber o caminho"



    Seria longo o caminho? Ou a jornalista é que é lenta? Ou não sabe português?

    ResponderEliminar
  10. A comentador Balio tem o hábito de numa floresta escolher uma ou duas árvores nelas aplicar leituras de racionalidade.
    1º Ser condenado e cumprir uma pena não é o mesmo que ser culpado e amnistiado. A amnistia concedida pela AR - teria sido mais higiénico a AR propor e o PR amnistiar - pode de facto (não sei) ter eliminado o crime mas o que as amnistias fazem não é isso, é apenas dispensar o cumprimento da pena. Não sou jurista mas se há separação de poderes a a justiça condenou, não me parece que AR ou PR tenham legitimidade para anular o crime e não apenas a pena. Ora como se sabe há condenados das PP-25 que foram candidatos a deputados e mesmo um que preside à comissão que avalia os candidatos a juízes.
    Pacheco de Amorim, pertenceu ao MDLP que teve acções violentas. A justiça não o acusou de ligações a essas acções por isso nada tem no cadastro.
    Teria sido diferente se o MDLP tivesse sido condenado como associação de malfeitores mas isso implicaria à mesma condenação para o PCP, LUAR etc., etc. (até acho que nem teria sido má ideia).
    Por outro lado Ferro Rodrigues nunca foi implicado no caso da Casa Pia, mas soube-se, no mínimo, de telefonemas comprometedores entre ele e Paulo Pedroso. E foi não vice mas presidente da AR. O comentador Balio comentou a esse propósito?  

    ResponderEliminar
  11. Este Balio...  Então os deputados, que são os representantes dos milhares de cidadãos que os elegeu, não são todos iguais para o Balio! Terei percebido bem? É que pela lógica, depreende-se que os eleitores portugueses também não são todos iguais e sendo diferentes: devem ser distribuídos por hierarquias : há os de 1ª, de 2ª ou de 3ª... E já agora, essa distribuição por "castas" é determinada por Quem ? E com que "critério"? 
    Andei eu, estes anos todos enganado e a julgar que os deputados tinham sido igualmente
    Quando se repelem certos partidos, existe um Parlamento democrático onde se combatem as suas ideias. Assim tem sido  durante estes quase 50 anos de Democracia. 
    Apesar de não ser eleitor do Chega (goste-se ou não) é um partido  tão legítimo como os outros, com os mesmos "deveres" e "direitos" dos restantes com assento parlamentar. Vivemos numa democracia...

    É a vida, Balio!

    ResponderEliminar
  12. Como era (noutros tempos) venerado e tolerado um certo  partido que desafiava acintosamente o "sistema". E como a "casa da democracia" acatava apatetada e cheia de desvelos as suas provocações e atitudes de desafio constantes. E como todos se sujeitavam às suas exigências muito pouco democráticas.


     Esse pequeníssimo partido (apenas 2 deputados à época!!!) chegou, fez exigências de que o partido funcionasse segundo as regras" próprias e impô-las a um Parlamento inteiro, que aparvalhado e hesitante, tudo consentia, sem que ninguém lhes chamasse a atenção para a subversão das normas democráticas em vigor. Não há memória de que alguém lhes impusesse um "cerco". 
    Recorda esses tempos a jornalista Helena Matos:

    ResponderEliminar
  13. Francisco Louçã era um feroz opositor do "regime" e combatia-o tenazmente. Afirmava-se no espaço público como um desalinhado do "sistema".  Tempos depois, foi absorvido pelo "sistema", aburguesou-se, engravatou-se de seda, aceitou o título de "Sr" Conselheiro (quase um sir) e hoje senta-se com pompa no Banco de Portugal.
    Vejo semelhanças com o partido do Chega.
     Há uma nova atitude _ com a sua proposta do nome de  Pacheco de Amorim  para Vice da AR_ que assinala  uma viragem bastante louvável. Afinal abandonou a "pose" anti-sistema e comprova-se, como escreveu ontem no Público, António Barreto  que a direita radical  "

    ResponderEliminar
  14. A propósito da transcrição do texto da Helena Matos, tive curiosidade e fui fazer "arqueologia" aos jornais da época. Assim se escrevia no Público dos velhos tempos (em 1999, muito antes da "contaminação" pelas agendas da esquerda)  sobre a tomada de posse dos 2 deputados do BE, com o título "A Guerra dos Lugares":





    --------------
    BE : tão "democratas" que eles já eram!
    Público: um texto que é hoje uma relíquia. Como se mudam os tempos e as vontades!

    ResponderEliminar
  15. "O que é demais" era, de facto, esta vassalagem dum "certo" jornalismo a uma "certa" esquerda. Quanto à" moléstia", os seus efeitos sentir-se-ão cada vez menos, incluindo os desse jornalismo de "causas". estão em franca decadência ou mesmo em extinção. Arrancaram-lhes as máscaras e o logro ficou à vista. Logo, o seu poder de influência é cada vez mais diminuto. Essa esquerda decrépita bem esbraceja e tenta sobreviver. Mas está tudo dito quando elegem como a epítome da sua acção _ o "combate" da sua vida _ o Chega! (vide Catarina Martins). Não era preciso mais para percebermos que o seu tempo acabou. E eles sabem-no!

    ResponderEliminar
  16. O HPS dá o "benefício da dúvida", porém tem uma "certeza"... 


    Pois olhe, eu também tenho! O jornalismo avençado nunca se engana quanto ao alvo em que acerta. Pode crer.

    ResponderEliminar
  17. O Público erra (quase) sempre em grandes parangonas. Lamentavelmente, o "Público errou" sempre num cantinho (quase) ilegível. Como dirão a maioria os apaniguados, "os meios justificam os fins"...

    ResponderEliminar

A mentira pública é um cancro consentido no debate público

Estou a citar Pedro Adão e Silva, mas poderia citar grande parte do comentariado e do jornalismo que alguma vez disse qualquer coisa sobre a...