quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Que falta de vergonha

Miguel Guimarães, bastonário das Ordem dos Médicos (raios partam que nunca mais se acaba com essas excrescências corporativas que são as ordens profissionais), dá aqui uma entrevista que inicialmente pensei que fosse uma montagem de mau gosto.


Desde quase o princípio da epidemia que as definições de doente covid e mortalidade covid estão perfeitamente estabelecidos (o quase da frase refere-se a um momento muito inicial da epidemia em que essa definição ia variando).


Desde sempre, e eu várias vezes fui citando médicos a dizer isso, que há a consciência clara de que as definições adoptadas eram de largo espectro (por exemplo, na mortalidade, é a morte por qualquer causa nos trinta dias subsequentes a um teste positivo, definição bem clara nas publicações do Instituto Ricardo Jorge, por exemplo), pelo que nela cabiam muitos doentes, sem qualquer outra relação com a epidemia que não um teste positivo (lembro-me, por exemplo, de ter escrito um post em que citava um médico da estefânia a dizer que tinha 11 crianças internadas, das quais sete tinham quadros clínicos compatíveis com a covid e 4 não tinham qualquer relação com a doença, excepto terem testado positivo).


O senhor Bastonário, que desde cedo montou um gabinete de crise dedicado à Covid, que desde há algum tempo se juntou ao mais delirante dos quatro matemáticos do apocalipse para fazer previsões, quer-me convencer a mim que desconhecia em absoluto esta questão e que é gravíssimo que a DGS ande a dar informação errada?


Caro Miguel Guimarães, francamente, um dos médicos que falam ao Público, por sinal o que dá as menores percentagens de gente que acidentalmente testa positivo em quadros clínicos sem qualquer relação com a covid, faz parte da sua task force. E diz ao Público que "uma boa percentagem de doentes internados, cerca de 40% [uma percentagem coincidente com o que disse o ministro da saúde inglês, recentemente], não está hospitalizado por causa da covid".


Não me diga que agora quer fazer a rábula do marido enganado, que é sempre o último a saber.


Tenha um mínimo de dignidade, o senhor sabe que é assim (mais percentagem, menos percentagem), desde o princípio da epidemia, tem dezenas de testemunhos de médicos a dizer isto nos jornais, a Ordem dos Médicos, e a sua task force, é que simplesmente nunca quiseram tornar claro que a forma como os números são publicados é uma forma incompleta e enganadora.


Foi o senhor que preferiu deixar andar os processos disciplinares que visavam calar as vozes discordantes, em vez de exigir informação completa sobre internamentos e mortalidade, incluindo a caracterização da condição de saúde (a de idade sempre foi existindo) dos mais suceptíveis e vulneráveis que foram morrendo ao longo destes dois anos.


Comporte-se como um homenzinho, assuma a responsabilidade da Ordem dos Médicos nisto tudo e deixe-se da cobardia de tentar passar entre os pingos da chuva, responsabilizando exclusivamente a DGS.


 

8 comentários:

  1. A Ordem dos Médicos tem-se comportado, desde o início da epidemia (pelo menos), como o Ministério da Saúde-sombra do PSD. Em vez de ser o PSD a dar as suas opiniões sobre a epidemia e sobre a forma como ela é gerida, é a Ordem dos Médicos quem o faz. A Ordem dos Médicos deixou de ser, sequer, uma corporação, e passou a ser um Ministério da Saúde-sombra, na aceção britânica do termo.

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  2. Um cidadão injectado27 de janeiro de 2022 às 15:43


    A atitude de um responsável de topo no ramo da saúde e que se encontra em várias geografias e latitudes.

    Entretanto porque o Douto Cavalheiro não opina sobre este texto e abundantes outros em semelhante tom?. Aguardamos.

    ...

    "We deliver the early treatment protocols to them as early as we can, and we have a 99.99 percent survival rate."

    Um cidadão injectado e certificado.



    https://www.theepochtimes.com/doctors-organization-has-treated-over-150000-covid-19-patients-with-99-99-percent-survival_4236896.html?utm_source=partner&utm_campaign=ZeroHedge

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  3. Um frouxo para o cargo que ocupa. O Costa na 1ª audiência amansou-o.

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  4. Já que até agora ninguém o fez, o próximo governo deve apresentar uma queixa contra António Costa, Marta Temido e Graça Freitas por milhares de homicídios por negligência de doentes do SNS não tratados, por desvio de meios apenas para tratar doentes-Covid!

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  5. https://www.youtube.com/watch?v=vUwUBNIgq1Y - Graça Freitas explica como se classificam as mortes por COVID-19 em Portugal



    Para memória futura, neste vídeo de Novembro de 2020, diz a desgraçada Graça Freitas com o maior dos despudores: "Alguém que esteja muito mal com uma doença neoplásica, mesmo que venha a falecer provavelmente dessa doença, se estiver infectada por COVID nós contamos a infecção por COVID. Portanto, nós em Portugal não estamos a contar a causa básica da morte, mas o evento terminal. E portanto o número de óbitos coincide com o número de infectados conhecidos à data da morte."


    Mas não é apenas a Portugal que esta contabilização fraudulenta da mortalidade COVID se restringe. Em todo o mundo ocidental, com algumas variações, verifica-se situação idêntica. No Reino Unido, por exemplo, “A COVID-19 death is a death within 28 days of positive specimen or with COVID-19 reported on death certificate". Numa anedota contada 





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  6. Essa falta de vergonha só existe por causa da falatde vergonha no espaço cultural do complexo-politico jornalista.

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  7. Um tiro em chio no porta aviões...!!!
    É engraçado ver agora os jornais e televisões, aos quais se juntam a OM, por exemplo, a clamarem por um esclarecimento da DGS, quais virgens ofendidas, quando nestes últimos dois anos andaram a cavalgar a onde mediática do medo e do pânico...!!
    É bom ver, agora que nos aproximamos do fim, que os primeiros a cair serão os que se prestaram ao sempre deprimente e vergonhoso exercício de agradar aos políticos que nos governam..!
    No caso da DGS não terei pena nenhuma dos que caírem...pois é sinal que apenas responderam à voz do dono...!! E quando assim é...!!

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Cara Isabél Zuaa

Depois da cena de Guimarães, em que a Isabél resolveu não actuar porque achou que não havia condições, andei à procura de alguma informação ...