Tenho reparado numa série de liberais abstencionistas.
De maneira geral, o fundamento para esta abstenção é que a Iniciativa Liberal não corresponde aos mínimos de intervenção política a que entendem que um partido liberal deveria dar resposta.
Parte destes liberais são mais conservadores que a Iniciativa Liberal em matéria de costumes, e entendem que as posições da Iniciativa Liberal em relação à eutanásia e questões do mesmo tipo são levadas de forma demasiado leve (para não dizer leviana), por parte da Iniciativa Liberal.
Outra parte acha que a defesa de liberdades direitos e garantias associadas às decisões sobre a epidemia, por parte da Iniciativa Liberal, tem sido timorata e deveria ter sido bem mais consistente.
Parte ainda entende que, ao contrário de outras campanhas eleitorais, nesta campanha a Iniciativa Liberal tem estado demasiado defensiva na discusssão de propostas bandeira, talvez o exemplo mais evidente seja o da taxa única de IRS.
De resto, estou inteiramente de acordo com um destes liberais abstencionistas na definição da minha posição base: "sou liberal porque me arrogo no direito natural de fazer o que entendo, mesmo que isso possa estar errado".
E é a partir dessa posição base que procuro responder à pergunta essencial de qualquer votação: de que forma o meu voto pode ser mais útil (é irrelevante se é mais útil para mim, para a sociedade, para os deserdados da sorte, a pergunta para definir o voto é sempre a da sua utilidade)?
Até agora, não vejo maior utilidade para o meu voto que na Iniciativa Liberal.
Porque concordo com tudo? Não.
Porque não há matérias que acho fundamentais em que eu tenho posições que podem ser divergentes das da Iniciativa Liberal? Não.
Porque acho os candidatos da Iniciativa Liberal os melhores deputados potenciais (os deputados são como os melões, sá depois de abertos se consegue saber mesmo a sua qualidade) de todos? Não.
Nesta resposta tenho de explicar que acho que a Iniciativa Liberal tem muito bons candidatos em vários sítios, como Lisboa, Porto, Braga, mas nem os conheço todos, nem acredito que sejam todos melhores que os que também existem noutros partidos, a minha resposta é apenas para explicar que esse é um critério que tem a sua importância se alguém candidatar Isaltino Morais ou José Sócrates (e muitos dos seus amigos, neste caso), mas para a generalidade dos candidatos não é assim tão relevante para mim, embora aproveite para fazer um apelo para ver se no porto põem o Carlos Guimarães Pinto no Parlamento, em Braga o Rui Rocha e a Carla Castro, onde quer que a estejam a candidatar.
É apenas porque um partido minúsculo, que até agora tinha um deputado, conseguiu pôr toda a gente a discutir a taxa fixa do IRS ou insistir no crescimento do país, ou estar quase sempre do lado das liberdades individuais, contra os poderes que as podem limitar, o que é razão mais que suficiente para encontrar utilidade nesse voto, mais que noutra opção qualquer, incluindo a abstenção.
Fica feita a minha declaração de voto e as razões pelas quais discordo dos liberais abstencionistas: a abstenção é tão útil ao status quo que eu não gostaria de me sentir responsável por esse apoio ao estado a que isto chegou.
ResponderEliminarO Henrique tem que ter em conta que a maior parte dos seres humanos toma posição em função dos seus sentimentos e não por quaisquer motivos racionais. Ou seja, a maior parte das pessoas usa a razão apenas para justificar uma posição já pré-assumida por motivos, digamos, sentimentais.
Ora, a maior parte desses que o Henrique designa por liberais abstencionistas são pessoas que tem o coração à direita. São pessoas conservadoras, provindas de famílias e de meios sociais conservadores (sobretudo no Norte de Portugal, que embora se diga por vezes liberal é na verdade profundamente conservador). Embora possam escutar e reproduzir muitos argumentos liberais, na hora da verdade escolhem aquilo que o coração lhes ordena, que é o conservadorismo.
Boa tarde
ResponderEliminarApesar de ideologia diferente do liberalismo, considero o seu texto digno de nota.
Voto útil é votar em quem acreditamos e não votarmos em quem tem possibilidades de formar governo. Se todos os eleitores tivessem esta noção de voto útil talvez não tivéssemos chegado a esta confusão em que "todos parecem iguais" e que leva à abstenção. Votar em quem se acredita é o voto verdadeiramente útil.
Zé Onofre
É mesmo isso. Subscrevo na íntegra.
ResponderEliminarPS- Na minha opinião o Cotrim de Figueiredo está entre os melhores deputados da AR.
Liberais abstencionistas devem é votar no PSD ou no CDS!! O IL é para desaparecer!!!
ResponderEliminare como dizer que devido ao aquecimento global »as 10h estão 8º em Lisboa
ResponderEliminarEstá correcta a sua posição e coerente com o que tem defendido. Sobretudo concordo absolutamente com a sua última frase: "
ResponderEliminararmas
st
ResponderEliminarHPdS demonstra, neste texto, algo de fundamental quando se analiza o acto de votar ou abster-se de votar em Portugal. Em quê, em quem?.
Menciona o votar no candidato(a) A, ou B, ouC e muito bem. Por outras palavras dir-se ia que HPdS friza que votar em mãozinhas, foices ou bonequinhos não é realmente votar num seu representante, justamente selecionado, criteriosamente escolhido. É afinal reconhecidamente apenas contribuir para fazer perdurar uma doentia orgqnização política, aliás nunca sufragada.
Creio que conscientemente HPdS está, à sua maneira, a dar ênfase em que o votar sim, mas em pessoas, com nome. responsáveis e responsabilizáveis.
Infelizmente, por enquanto, assiste-se a uma prática vergonhosa que caí sobre quem há 50 anos aceita ser um pau mandado, sem ter a coragem de se expor -se realmente quer enobrecer o mister, a actividade de se ser político- em seu nome próprio, ao escrutínio dos seus eleitores que afinal diz querer representar.
Decididamente não consigo incriniminar, pelo contrário, louvo a perspicacia dos eleitores portuguêses que se recusam a colaborar com um jogo viciado. Mais, os lotes de 230 "deputados" que por aquela dita AR têm passado estão lá, legalmente, constitucionalmente. Tão só.
Votam com o "coração"?! E porque não a sua consciência?! E porque não com as suas convicções? O Balio tem coisas... Então ser-se "consevador" é ser-se sentimental (e não racional?) Essa é boa.
ResponderEliminarno il são ultra betos , talvez seja por isso que os liberais "normais" não alinhem no partido.
ResponderEliminarA partir do momento em que a Inciativa Liberal considera legitimas quotas raciais etc. deixou de ser Liberal.
ResponderEliminarA geringonça incluiu um partido radical de esquerda como o BE. Foi considerado pelos moderados um acto de provocação e um atentado à democracia. Abriu deste modo a porta ao aparecimento de um partido de sinal contrário, de direita radical. O revanchismo também existe em política.
ResponderEliminarSó o facto de a palavra "Liberal" deixar de ser um insulto, vale o voto.
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